Novos ajustes salariais podem subir até aos 4% na região, revela inquérito

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FOTOGRAFIA ELOI CARVALHO

 

O Inquérito sobre Remunerações e Benefícios da Área da Grande Baía Guangdong- Hong Kong-Macau 2024 revela ajustamentos salariais moderados e benefícios exclusivos para os trabalhadores em Macau, destacando um cenário de emprego distinto dentro das cidades da GBA.

 

O Inquérito sobre Remunerações e Benefícios 2024 da Área da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau (GBA) revelou novas informações sobre o panorama do emprego em Macau, mostrando os ajustamentos salariais, os benefícios dos trabalhadores e as taxas de rotatividade. Realizado por um consórcio de organizações académicas e profissionais, o inquérito recolheu dados de 34 organizações de seis sectores de actividade em Macau, oferecendo uma visão abrangente do mercado de trabalho da região.

De acordo com o inquérito, os ajustes salariais em Macau deverão variar entre 2,4% e 3,0% para o período de Julho de 2023 a Junho de 2024. Excluindo as cinco organizações que comunicaram congelamentos salariais, o ajustamento médio para as restantes empresas em Macau sobe para entre 2,9% e 3,5%. Este aumento moderado reflecte uma perspectiva mais conservadora em comparação com outras regiões da GBA, particularmente Shenzhen, onde os empregadores antecipam aumentos salariais de até 5,4% para o pessoal da linha da frente.

Já relativamente a 2025, os empregadores de Macau esperam que os ajustes salariais se situem entre 3,2% e 4,0%, não estando previsto qualquer congelamento salarial.

Esta abordagem contrasta com a GBA em geral, onde cidades como Dongguan registaram taxas de rotatividade de até 80,8% para as funções de linha da frente. Já em Macau, as taxas de rotação são significativamente mais baixas, situando-se em média entre 5,7% e 10,6%. As principais razões citadas para a rotatividade dos trabalhadores em Macau são “oportunidades de crescimento na carreira” e “preocupações salariais”, o que indica que, embora o mercado seja estável, ainda há áreas a melhorar na retenção de trabalhadores.

O inquérito revela também os salários iniciais dos recém-licenciados em Macau, que variam consoante o sector de actividade. Para os indivíduos com habilitações inferiores ao grau de licenciatura, os salários variam entre 10.000 patacas, nas funções de produção, e 12.333 patacas, nas funções de engenharia. Os detentores de uma licenciatura podem esperar ganhos mais elevados, particularmente nas Tecnologias de Informação (TI), onde os salários são em média de 17.282 patacas. Já os detentores de diplomas de pós-graduação possuem um leque salarial ainda mais alargado, com salários que variam entre 14.800 patacas, em funções de marketing, e 2. 000 patacas, para posições em investigação e desenvolvimento (ICD). Outros sectores, como as finanças, a contabilidade, os recursos humanos e a engenharia, registam salários médios entre 14.000 e 16.500 patacas.

Em termos de benefícios para os empregados, o inquérito revela uma oferta consistente em todos os sectores. Cerca de 30% das empresas participantes oferecem uma “licença de aniversário” paga, uma vantagem única que aumenta a satisfação dos empregados. Adicionalmente, a oferta de alojamento para os trabalhadores não residentes é também significativa, uma vez que estes constituem 30,1% da força de trabalho em Macau. Mais de 85% das organizações que empregam trabalhadores não residentes oferecem alojamento e subsídios de alojamento, que são fundamentais para atrair e reter talentos num mercado de trabalho competitivo.

O inquérito realça ainda a importância dos benefícios de saúde e bem-estar, com mais de 70% das organizações a oferecerem um seguro médico como parte do seu pacote de benefícios para os trabalhadores. Esta tendência alinha-se com a crescente ênfase global no bem-estar dos trabalhadores, reflectindo uma mudança nas prioridades dos empregadores no sentido de um apoio holístico à sua força de trabalho.

De um modo geral, o Inquérito sobre Remuneração e Benefícios da Área da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau de 2024 fornece uma visão detalhada do panorama do emprego em Macau; um mercado de trabalho estável, com taxas de rotatividade mais baixas em comparação com outras cidades da GBA, e um maior enfoque nos benefícios dos trabalhadores.