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      InícioEconomiaInquérito revela descontentamento face às medidas de apoio financeiro  

      Inquérito revela descontentamento face às medidas de apoio financeiro  

      De acordo com um inquérito feito pela Associação Geral das Mulheres, 60% dos residentes entrevistados estão com receio de existir, num futuro breve, ondas de despedimento e de fecho de empresas. Entre os três mil inquiridos, 65,2% disseram que o seu rendimento não é suficiente para cobrir os gastos diários, e apenas menos de 10% disseram que as medidas de apoio económico introduzidas pelo Governo são eficazes no alívio do encargo financeiro actual.

       

      Muitos temem ondas de despedimento e encerramento de negócios, e poucos consideram eficazes os apoios económicos lançados pelo Governo para aliviar a pressão financeira na população, são as conclusões de um inquérito realizado pela Associação Geral das Mulheres.

      Destinado a residentes com 18 anos de idade ou mais, o inquérito recolheu, no mês passado, mais de três mil respostas de questionário electrónico. Sendo a maioria pertencente à população activa, a questão do emprego e o ambiente de negócios são actualmente os factores mais preocupantes para os inquiridos.

      Perante o impacto dos surtos e das medidas antiepidémicas, a generalidade dos entrevistados sente-se perturbada com a situação social, bem como pessoal. Mais de 60% dos inquiridos estão com receio de possíveis “ondas de despedimentos, agravação do desemprego e encerramento de negócios”, seguidos de quase 50% que se mostraram preocupados que “o rendimento continue a cair”, e 43% dos inquiridos temem a incerteza da evolução da epidemia e eventuais impactos imprevisíveis na sociedade.

      “A situação pandémica afectou o mercado de emprego, mostrando que a garantia de emprego é a chave para assegurar o bem-estar da população”, apontou o inquérito. Além disso, a partir de uma análise das opiniões e o respectivo estado ocupacional dos participantes, o surgimento de mais surtos em Macau é o factor que causou mais ansiedade entre os cuidadores das famílias e os aposentados, que estão mais inquietos com a epidemia e o impacto na sua vida diária.

      O inquérito indicou ainda que os cuidadores de família têm a preocupação de que a epidemia afecte o crescimento saudável das crianças. Nesse sentido, a associação salientou que, além de revitalizar a economia e estabilizar o mercado de trabalho, a protecção da saúde e apoio das famílias é uma garantia crucial para a comunidade.

      Os resultados dos questionários foram divulgados na quarta-feira. De acordo com Wong Kit Cheng, vice-presidente da associação e também deputada, em relação às medidas de assistência económica com orçamento de dez mil milhões do Governo, apenas menos de 10% dos residentes entrevistados acreditam que os apoios pecuniários podem aliviar de forma efectiva a sua pressão económica.

      Existem quase 40% dos inquiridos que consideraram que a nova ronda de apoio não ajudou nada, a maioria dos quais são cidadãos que sofrem de subemprego, desempregados e cuidadores familiares, dado que não foram incluídos no “Plano de apoio pecuniário para aliviar o impacto negativo da epidemia nos trabalhadores, profissionais liberais e operadores de estabelecimentos comerciais em 2022”.

      No que diz respeito ao salário mensal, 65,2% dos inquiridos disseram que, devido à Covid-19, o rendimento é “insuficiente”, ou até “muito insuficiente”, para cobrir as despesas de subsistência, tendo o rendimento diminuído acentuadamente ao mesmo tempo que o gasto se manteve ou aumentou.

      O problema da carga financeira é ainda mais grave entre os grupos desfavorecidos. O inquérito revelou que, entre os cuidadores de famílias, idosos, portadores de doença crónica e portadores de deficiência, 70% deles lamentam a insuficiência do rendimento mensal para responder aos gastos diários. “Os encargos financeiros e de vida enfrentados pelos cuidadores dos grupos vulneráveis são mais pesados do que os residentes comuns. Alguns deles não têm conseguido dedicar-se ao mercado de trabalho para ganhar dinheiro devido à sua responsabilidade de cuidar dos seus membros familiares, nomeadamente dos doentes”, destacou Wong Kit Cheng.

      Mesmo que a maioria aponte ter dificuldades e mostrar uma atitude pessimista relativamente ao futuro a curto prazo, os entrevistados manifestaram-se de acordo com as medidas de prevenção epidémica impostas pelo Governo, nomeadamente a divulgação das informações e o fornecimento dos produtos de protecção sanitária e alimentos. No entanto, não foram mencionadas as restrições do confinamento e a proibição de os animais fazerem as necessidades fisiológicas na rua.

      A deputada, na conclusão dos resultados do inquérito, asseverou que o Governo “tem a necessidade de divulgar um balanço” do último surto epidémico, uma vez que as opiniões na sociedade mostraram que os ajustes dinâmicos revelaram dificuldades na implementação efectiva dos planos de contingência e, em certa medida, mostraram a baixa confiança da sociedade em relação à capacidade de avaliação da situação do Governo.

       

      PONTO FINAL