Kiang Wu ajudou 300 casais com tratamentos de procriação medicamente assistida

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FOTOGRAFIA Gonçalo Lobo Pinheiro

O Hospital Kiang Wu alertou para a “situação grave” na diminuição da taxa de natalidade e espera que o Governo lance medidas parar ajuda as famílias que desejam ter filhos, mas que têm dificuldades. O subdirector da instituição, Chan Tai Ip, revelou que, desde 2018, o hospital já prestou serviço de procriação medicamente assistida a mais de 300 casais. Realizaram-se 190 ciclos de procriação assistida por ano, sendo a taxa de sucesso de 48%, que, segundo o médico, está basicamente ao nível da norma internacional.

 

O Hospital Kiang Wu lançou os serviço de procriação medicamente assistida em 2018 e, desde então, já prestou tratamento a mais de 300 casais. As informações foram avançadas pelo subdirector do Hospital Kiang Wu, Chan Tai Ip, que salientou que os trabalhos do Centro de Procriação Medicamente Assistida do Hospital decorrem de forma satisfatória, tendo a instituição tratado anualmente cerca de 190 ciclos de reprodução assistida com uma taxa de sucesso de 48%, o que corresponde basicamente aos padrões internacionais.

“A idade das mulheres que se submetem à procriação assistida em Macau é relativamente avançada, sendo a idade mais elevada actualmente de 43 anos, pelo que uma taxa de sucesso de 48% é bastante boa”, realçou o médico, citado pelo Jornal Ou Mun.

Chan Tai Ip sublinhou que a atitude da sociedade em relação ao referido serviço médico é aberta. “O nível da aceitação da tecnologia da procriação assistida pelos residentes é ba, mas a procriação assistida é um serviço relativamente caro, com custo de cerca de 70.000 a 90.000 patacas [dependendo do ciclo de adesão ao serviço]”, explicou o médico, acrescentando que as famílias com dificuldades financeiras que querem ter filhos devem ser ajudadas.

Além disso, o Hospital Kiang Wu lançou ainda um serviço de congelamento de óvulos em Junho deste ano, tendo sido concluído o serviço a sete mulheres da faixa etária de 40 anos, com uma taxa de extração com êxito de óvulos de 98%.

À margem de um seminário no passado sábado onde foram convidados especialistas de Guangdong, Hong Kong e Macau para discutir as práticas clínicas da procriação medicamente assistida, Chan Tai Ip assegurou que o Hospital Kiang Wu tem acompanhado o desenvolvimento das técnicas de procriação medicamente assistida em termos de tecnologia, investimento em equipamento e formação de talentos. Disse estar confiante de que os dados do serviço reflectem que o hospital obteve “bons resultados”.

De acordo com o médico, a técnica da ‘fertilização in vitro’ (FIV) já evoluiu da primeira geração FIV até à terceira, ou seja, podem ser realizados testes genéticos no quarto e quinto dias após a fertilização para despistar problemas imunitários ou genéticos, de modo a “concretizar o nascimento e crescimento saudável de crianças”.

A taxa de natalidade em Macau tem vindo a diminuir. Chan Tai Ip indicou que o número de recém-nascidos nos dois primeiros trimestres deste ano rondou os 1.700, prevendo-se que o número para o ano inteiro seja semelhante ao do ano passado, que foi superior a 3.000. Todavia, em comparação com os 7.000 recém-nascidos em 2016, o número actual é apenas quase metade.

“A situação está muito grave”, afirmou Chan Tai Ip, disse esperar que o Governo introduza políticas de apoio aos residentes no que respeita ao nascimento e à educação dos filhos, nomeadamente os incentivos financeiros. O médico espera prestar assistência às pessoas com dificuldades de preservação da fertilidade e de procriação, através da introdução de tecnologia dentro do quadro legal do Governo.

O médico frisou que o desenvolvimento da tecnologia de procriação assistida é “uma tarefa árdua e de longo prazo”, que exige um investimento persistente na investigação e na prática tanto como a exploração contínua de novos métodos de tratamento e meios técnicos. O responsável sugeriu ainda reforçar a sensibilização do público para melhorar a compreensão da infertilidade e atribuir importância ao problema, criando um ambiente social favorável ao tratamento e à adesão à técnica da procriação medicamente assistida.