Polícia em alerta devido aos casos crescentes de recrutamento fraudulento

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FOTOGRAFIA ELOI CARVALHO

 

Um estudo publicado na Revista das Ciências Policiais de Macau alerta para os esquemas de recrutamento de trabalhadores não-residentes e sugeriu um reforço de cooperação policial transfronteiriça para combater casos de fraude. Entre as medidas propostas pelo investigador criminal da Polícia Judiciária, Lei Kam Tim, é considerada viável a criação de uma plataforma para a partilha de informações sobre crimes no domínio do trabalho entre Macau, Hong Kong, o interior da China e Taiwan.

 

A introdução de trabalhadores não-residentes (TNR) no mercado de trabalho local começou a ser cada vez mais frequente após a liberalização do jogo em 2002, fazendo disparar vagas de trabalho à medida que o desenvolvimento era acelerado. No entanto, as autoridades denunciaram a tendência crescente dos casos de fraude relacionados com o recrutamento de TNR nos últimos anos, tendo os casos causado prejuízos monetários de cerca de 32 milhões de patacas entre 2014 e 2023.

“O nível salarial é geralmente mais elevado dos TNR em Macau, fazendo com que um número de residentes estrangeiros esteja interessado em trabalhar na região. Os burlões aproveitam a oportunidade para fazer um esquema de introdução de trabalho ou pedido de autorização de trabalho em Macau, o que resulta na ocorrência frequente de casos de fraude”, asseverou Lei Kam Tim, investigador criminal da Divisão de Investigação de Crimes Económicos da Polícia Judiciária (PJ), num artigo publicado recentemente na Revista das Ciências Policiais de Macau.

O agente fundamentou o seu alerta com as estatísticas da Secretaria para a Segurança, que mostram que se registou um total de 457 casos de fraude através de referências de emprego ou de pedidos de autorização de emprego, tendo o número mais elevado sido registado em 2019, com 107 casos.

“Com base no número de casos, a incidência do recrutamento fraudulento TNR mantém-se elevada de forma estável”, analisou. É de salientar que o número de casos caiu drasticamente em 2020 devido às restrições de passagem fronteiriça com o surto da Covid-19. Contudo, os casos voltaram a aumentar desde 2021 à medida que a situação epidémica normalizou.

O prejuízo económico causado pelas burlas de recrutamento entre 2014 e 2023 está cifrado em cerca de 32 milhões de patacas, segundo avançou o artigo, sendo 2019 o ano com maior prejuízo, com mais de 7,8 milhões de patacas no total.

Ao notar ainda que o ‘modus operandi’ da fraude no recrutamento está a passar gradualmente dos crimes tradicionais de contacto para os crimes sem contacto cometidos através da Internet, o autor disse que o fenómeno provoca assim um “efeito de radiação” que resulta num grande número de vítimas e em enormes prejuízos.

Neste caso, Lei Kam Tim sugere a criação de uma plataforma para a partilha de informações sobre crimes no domínio do trabalho entre as autoridades policiais de Macau, Hong Kong, do interior da China e de Taiwan. Segundo o autor, a plataforma deve criar canais de interconexão digitalizados e inteligentes, que permitem que os departamentos de polícia partilhem as informações relevantes dos departamentos de trabalho dos seus próprios locais, bem como as provas fornecidas pelos queixosos dos casos detectados.

Uma outra medida proposta é reforçar a cooperação com as plataformas de redes sociais, onde aparecem cada vez mais publicidades de recrutamento fraudulento. O agente da PJ indicou que é possível utilizar a tecnologia de ‘Big Data’ e a inteligência artificial para tomar medidas de alerta precoce em relação a certas palavras nas publicações, como “salário elevado” ou “recrutamento imediato e fácil”. “Pode ainda bloquear e localizar atempadamente as fontes de mensagens fraudulentas publicadas com elevada frequência”, apontou.

Além disso, o autor espera que seja melhorado o processo de acompanhamento de denúncias de fraude por meio da cooperação com as redes sociais, através, por exemplo, da notificação às autoridades sobre as pistas criminais descobertas nas plataformas online.

O artigo propõe ainda que a colaboração entre a polícia e o sector bancário seja reforçada no âmbito de alerta para as transferências ou remessas bancárias suspeitas, de forma a recuperar as perdas da vítima, aumentar o tempo para investigações e obter provas por parte da PJ.