Conselheiro critica progresso e qualidade das obras públicas

0
47
FOTOGRAFIA ELOI CARVALHO

O membro do Conselho Consultivo de Serviços Comunitários das Ilhas, Ho Chong Chun, criticou o actual Governo pela sua gestão das obras públicas, sobretudo nos projectos de novos aterros, onde se verificam atrasos, suspensão e problemas de qualidade. O conselheiro pede investigação à situação e acompanhamento por parte do novo Governo.

 

Realizar uma investigação profunda às causas de atrasos e problemas de qualidade verificados nas grandes obras públicas, é este o pedido de Ho Chong Chun para o novo Executivo. O membro do Conselho Consultivo de Serviços Comunitários das Ilhas lamentou a ineficácia na gestão da construção pública do presente Governo, nomeadamente o atraso, a suspensão e questão de qualidade em alguns dos principais projectos de obras públicas, tal como o plano urbanístico de novos aterros.

“Está em causa o projecto de cinco novos aterros, que foi aprovado pelo Governo Central na altura do décimo aniversário da RAEM. Exorto o novo Governo a investigar e acompanhar as questões e a tratá-las com seriedade se se verificar que haja incumprimento das leis e regulamentos”, instou.

Na sua intervenção antes da ordem do dia na sessão ordinária do Conselho Consultivo de terça-feira, Ho Chong Chun apontou que o plano de novos aterros urbanos foi autorizado há 14 anos, mas o progresso de aterro “chegou mesmo a estagnar” e a área concedida por Pequim para a construção não foi aproveitada.

Recorde-se que o plano urbanístico dos novos aterros se divide em cinco partes e envolve uma área total com cerca de 350 hectares. Entre elas, a Zona A, onde já foi feito o aterro e estão a ser construídas as infraestruturas, localiza-se a leste da península de Macau e tem a maior área entre as cinco zonas, com cerca de 138 hectares. A Zona B localiza-se no sul da península de Macau com uma área de cerca de 47 hectares, planeada como sendo destinada a solos de aproveitamento para infraestruturas rodoviárias, turismo e lazer, parques e zonas verdes.

As zonas C e D situam-se no lado norte da Ilha da Taipa com áreas de 33 e 59 hectares, respectivamente, destinando-se principalmente a comércio e habitação. Já a Zona E localiza-se no canto nordeste da Ilha da Taipa ao lado do terminal marítimo de Pac On, com uma área de 73 hectares e com finalidade de instalações públicas, comércio e habitação.

Ho Chong Chun, neste caso, referiu que o actual Chefe do Executivo Ho Iat Seng tinha incluído o arranque do projecto de recuperação da Zona D no seu balanço das realizações do actual Governo num evento por ocasião do Dia Nacional realizado na semana passada. “Contudo, a realidade é que o projecto da Zona D tem estado parado, sem qualquer progresso nos últimos cinco anos, e a área continua ainda hoje num mar de água”, criticou Ho Chong Chun, pedindo às autoridades para dar conta do calendário de execução da recuperação da Zona D.

O conselheiro frisou ainda que a Zona C foi construída há mais de dois anos e continua a ser uma “ilha isolada”, uma vez que as autoridades não efectuaram nenhum planeamento e construção das estradas de ligação na área.

Além disso, o anterior desmoronamento de pavimento na Zona A causou preocupações a Ho Chong Chun sobre a qualidade das obras públicas. O acidente teve lugar em meados de Agosto no período de emissão do sinal vermelho de chuva intensa, e as autoridades explicaram que estavam em curso os trabalhos de escavação do pavimento, suspeitando-se que o desmoronamento foi causado pela erosão do solo ao lado devido à chuva intensa no processo de escavação.

“O volume de obras públicas em Macau tem aumentado significativamente nos últimos anos e o orçamento para projectos de investimento este ano atingiu 18,1 mil milhões de patacas, semelhante ao do ano passado. Será que Macau consegue suportar um volume tão grande de obras?” questionou Ho Chong Chun, preocupando-se ainda com o impacto nos residentes devido às frequentes obras de construção e de escavação das estradas nos últimos anos.