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      Uma união a três vozes

      São três artistas de Macau que se juntam em “Ensemble”, numa exposição que abre hoje, na UCCLA, juntamente com “Aqui e Agora”, para assinalar os 25 anos de criação da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) e do retorno de Macau à administração da República Popular da China.

       

      James Chu, Kit Lei e Eric Fok juntam os seus registos bem diferentes para criar um conjunto harmonioso e uma união sensorial, reflecte o curador José Drummond. Uma linguagem diferente que os une em “Ensemble”, numa exposição que abre hoje na UCCLA – União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa e termina no dia 20 de Dezembro, por ocasião do 25.º aniversário da transferência de administração de Macau para a China.

      “Esta exposição resultou de uma proposta que o James teve para fazer uma exposição em Roma e, entretanto, pensou: porque não tentar fazer algo que passasse por mais sítios na Europa?” Juntou-se então “Ensemble” a “Aqui e Agora”, num espaço comum.

      A exposição começa com o trabalho de Eric Fok, num registo ligeiramente diferente ao que já se conhece. “As pessoas estão mais habituadas a ver os mapas, mas aqui ele utiliza a mesma técnica e a mesma expressão artística muito própria dele, mas foi à procura de gravuras e reinventou-as”, descreve José Drummond, que acrescenta: “Foi reinventando gravuras em função de animais, um universo que de algum modo se está a expandir dentro da sua própria narrativa.” Apontando para um dos trabalhos ali expostos, o curador afirma: “Esta peça, por exemplo, penso que é óbvia para os portugueses, porque ele está aqui a falar do 25 de Abril de alguma forma – temos aqui os cravos, o tanque, o Terreiro do Paço.” Noutro trabalho, Erik Fok retrata o caos e o trânsito de Macau, especialmente depois da liberalização do jogo, com as várias referências a diferentes operadoras.

      De Eric, passa-se a Kit Lei, uma artista mais jovem, que trabalha essencialmente vídeo. “Os temas andam à volta de flores ou de movimentos de água, mas depois é tudo feito digitalmente, são animações criadas digitalmente”, refere o curador.

      Chega-se então aos trabalhos de James Chu, que “continua um pouco a sua narrativa, de pintura mais ou menos abstracta”, afirma José Drummond. “É um pouco na linha de algum abstraccionismo chinês, mas também numa linha que em Macau foi popularizada nos anos 80 de um grupo que iniciou o Círculo dos Amigos da Cultura”, diz.

      Juntando estes três formatos variados, cria-se assim uma união. “Conseguimos ter esta ideia de ensemble, qualquer coisa de instrumentos musicais diferentes com sons diferentes, mas que, em conjunto, conseguem ganhar uma unidade”, afirma o curador. É também uma ligação sensorial, que se inicia com Erik Fok, trabalhos mais críticos e reconhecíveis, passa-se por Kit Lei, já a caminhar para algo menos entendível logo à primeira vista, mas ainda “com um ponto de inspiração que tem a ver com a cidade ou com a natureza” e termina-se no abstraccionismo “mais puro e sensorial” de James Chu.