Neuville bem pode agradecer aos deuses gregos

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Thierry Neuville (Hyundai) aproveitou a má fortuna da concorrência para carimbar uma vitória muito importante na caminhada para o título do mundial de ralis. Sébastien Ogier capotou na última especial do duro Rali da Acrópole num evento desastroso para a Toyota e a Ford.

 

Os deuses devem estar loucos. É o que deve ter pensado Jari-Matti Latvala, director desportivo da Toyota, ao ver Sébastien Ogier e o navegador Vincent Landais capotarem na última classificativa do Rali da Acrópole. O francês, oito vezes campeão do mundo, vinha a forçar o andamento para tentar segurar o segundo lugar e os preciosos pontos da ‘Wolf Power Stage’ mas ainda conseguiu trazer o GR Yaris Rally1, em muito mau estado, até ao final. Só assim conseguiria salvar os 13 pontos alcançados no sábado. O britânico Elfyn Evans e o japonês Takamoto Katsuta, os outros dois pilotos ao serviço do construtor nipónico, já estavam também longe dos primeiros lugares depois de todos os problemas registados nos dias anteriores.

O fim-de-semana acabou por ser praticamente perfeito para a Hyundai, que ‘fechou’ os três lugares do pódio. Thierry Neuville, navegado por Martijn Wydaeghe, venceu. Os espanhóis Dani Sordo e Candido Carreras ficaram em segundo. Os estónios Ott Tänak e Martin Järveoja conseguiram o terceiro lugar.

Com este resultado Neuville aumentou a vantagem no mundial de ralis. Soma agora 192 pontos, mais 34 do que o colega de equipa Ott Tänak e mais 38 do que o francês Sébastien Ogier, que no final da última etapa do mundial já tinha admitido que ia lutar pelo nono título.

“Eu não tinha informação sobre o acidente do Ogier. Quando vi o carro ainda nem tinha a certeza que era ele. Mas depois fui informado e percebi que só tinha de levar o carro até ao final para garantir a vitória”, afirmou o belga que ainda procura o primeiro título de campeão do mundo”.

 

Uma das edições mais duras de sempre na Grécia

 

Esta edição do Rali da Acrópole, marcado por uma brutal onda de calor, foi de tal forma destrutiva para a maquinaria que apenas três Rally1 terminaram nos 10 primeiros. E logo os três Hyundai i20 N Rally1. O finlandês Sami Pajari, segundo nas contas do mundial de WRC2, ao volante de um Toyota GR Yaris Rally2, terminou o desafio na dura gravilha grega no quarto lugar da classificação geral. Já lá vamos. Antes o drama da Toyota que começou com acidente de Takamoto Katsuta. O japonês bateu na terceira especial, tendo abandonado na sexta-feira. Ainda regressou ao abrigo do novo regulamento mas com uma pesada penalização.

Elfyn Evans furou quando acertou em cheio numa pedra logo na especial de abertura. Seguiram-se problemas no turbo do GR Yaris que o fizeram perder mais de 10 minutos. No sábado capotou numa curva lenta, sendo obrigado a abandonar. Dos problemas de Ogier já falámos no início deste texto.

“É um momento difícil. Às vezes, quando as coisas começam a correr para o torto, podem manter-se nesse caminho. Foi um fim-de-semana muito difícil”, assumiu no final o director da Toyota, Jari-Matti Latvala.

“Foi estranho. Em muitos aspectos foi um fim-de-semana perto da perfeição, mas isso não conta nada nos ralis se não conseguires levar o carro até ao final. Não é um rali onde se deve correr grandes riscos. É preciso alguma sorte e desta vez ela não estava do nosso lado”, desabafou Sébastien Ogier. O francês garantiu que vai lutar até ao final, confirmando a presença nos derradeiros três eventos.

Ogier chegou até a usar ‘mind games’ para tentar destabilizar Thierry Neuville quando o belga se queixou mais uma vez da inglória tarefa de limpar a estrada. “Prova-se que o líder do campeonato não é assim tão rápido, nós somos segundos na estrada e tirámos-lhe 45 segundos em quatro troços, talvez ele precise de parar de chorar e aprender a ser primeiro na estrada”. Neuville não entrou no jogo e o único que respondeu a Ogier foi o patrão da Hyundai, Cyril Abiteboul. O gaulês da Toyota terá engolido as palavras no final da prova depois de Neuville ter abordado a gravilha grega de forma mais prudente, o que lhe valeu o triunfo.

Quem também chegou a prometer foi Adrien Fourmaux. O francês da M-Sport Ford mostrou um grande andamento, chegou a rodar no segundo posto na sexta-feira, mas acabou por partir a direcção do seu Puma Rally1. Fourmaux regressou à prova no dia seguinte com a consequente penalização e ainda foi o segundo mais rápido no ‘Super-Domingo’, vencendo a ‘Wolf Power Stage’. Saiu da Grécia com uns preciosos 11 pontos.

Grégoire Munster vinha provavelmente a fazer a melhor prova da época quando foi vítima de uma saída de estrada que deitou tudo por terra. A equipa não recuperou o Ford Puma para o dia seguinte. Mais uma vítima da Acrópole.

A Hyundai reforçou a liderança no mundial de construtores, valendo os três lugares do pódio. Tem agora 395 pontos contra os 375 da Toyota. A Ford vem mais atrás com 207.

De sublinhar também a presença de uma empresa de Macau no pódio, com os espelhos retrovisores dos três Hyundai patrocinados pela IXO Modelcars, que produz miniaturas de automóveis, com destaque para os ralis.

 

WRC2 com final inédito

 

No WRC2 a vitória sorriu a Sami Pajari e à navegadora Enni Mälkönen. Mas foi por muito pouco. O finlandês, a bordo de um Toyota GR Yaris Rally2, tinha uma vantagem confortável na entrada para a última especial quando furou. Por incrível que pareça acabou o rali empatado ao milésimo com o estónio Robert Virves, num Skoda Fabia Rally2. Garantiu a vitória pelo desempate de vitórias em classificativas. O francês Yohan Rossel (Citroën) terminou no último lugar do pódio.

O mundial segue agora para a América do Sul com o Rali do Chile, entre 26 e 29 de Setembro.