Estudo propõe plataforma inteligente para apoiar idosos

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FOTOGRAFIA ELOI CARVALHO

Investigadores da Universidade Cidade de Macau e da Universidade de Liaoning defendem que Macau deve adoptar uma plataforma inteligente de apoio ao envelhecimento que integre meios tecnológicos de forma a providenciar uma rede de serviços de cuidados inteligentes aos idosos. Esta ideia poderia conectar várias instituições e interligar dados e informações.

 

Um estudo publicado na Revista de Administração Pública de Macau sugere a concepção de uma plataforma inteligente para “apoio ao envelhecimento” na região. O projecto foi realizado por Chen Yang e Tian Shuming, investigadores da Universidade de Liaoning, e por Cheung Wai Kong e Lou Shiyan, da Universidade Cidade de Macau.

O projecto assinala que o envelhecimento demográfico em Macau continua a agravar-se e aponta críticas ao modelo actual de oferta de cuidados institucionais. “Os cuidados institucionais existentes em Macau não conseguem satisfazer as necessidades reais”, lê-se no estudo.

Para dar resposta às lacunas, os investigadores pensaram esta plataforma inteligente de apoio ao envelhecimento integrando meios tecnológicos mais recentes, compreendendo a vertente da procura, a vertente da oferta e a vertente da gestão.

A vertente da procura compreende cinco níveis, procurando, com os serviços oferecidos pela plataforma, satisfazer as necessidades fisiológicas, de segurança, emocionais, de estima e de auto-realização dos idosos. A vertente da oferta é a da cooperação com as entidades públicas, as instituições médicas, as empresas parceiras e outras instituições associadas, no sentido de aproveitar a plataforma como intermediária para que os vários principais fornecedores trabalhem em conjunto para promover o desenvolvimento dos cuidados inteligentes aos idosos de Macau. Por fim, a vertente da gestão compreende quatro módulos: o desenvolvimento das funcionalidades, a gestão operacional, a gestão de informações e avaliação e o feedback, envidando esforços para concretizar um funcionamento sistemático da plataforma de cuidados inteligentes aos idosos, criando um bom ecossistema inteligente.

Para que esta plataforma inteligente possa ser aplicada em Macau, “o Governo deve assegurar um bom ambiente jurídico e político e acelerar a instalação de equipamentos complementares para garantir o desenvolvimento dos cuidados inteligentes com sucesso”. “Devem ainda ser aprovadas leis e regulamentos específicos para garantir os direitos e interesses legalmente protegidos dos idosos e constituir fundamentos legais para os cuidados inteligentes”, sugere o estudo.

Por outro lado, a investigação diz que, para implementar esta plataforma, as empresas devem “realizar mais pesquisas de mercado e desenvolver um sistema de produtos em diferentes níveis, tornando os seus produtos mais adaptados às características físicas e psicológicas dos idosos”. Devem também, sugere o estudo, “aproveitar ao máximo as tecnologias modernas para desenhar e produzir produtos terminais inteligentes para cuidar dos idosos, de acordo com as condições físicas de cada um deles, por exemplo, dispositivos para fazer chamadas telefónicas em modo mãos-livres, dispositivos com a funcionalidade de controlo por voz, equipamentos de “eyetracking”, etc.”.

Além disso, as empresas devem “criar um mecanismo razoável de ajustamento do preço dos produtos inteligentes, reduzindo os cursos por meio da cooperação sectorial e da inovação tecnológica, tornando o preço dos produtos inteligentes mais correspondente à expectativa do mercado” e “reforçar a divulgação dos cuidados inteligentes como novo modelo de cuidados aos idosos, estimulando a sua procura por parte dos idosos, no sentido de criar um ambiente de mercado equilibrado, saudável e ordenado”.

Ao nível da sociedade, “deve ser criado um ambiente aberto, inclusivo, favorável e de respeito para com os idosos, permitindo-lhes, por meio de actividades de divulgação e de formação específicas, conhecerem plenamente os cuidados inteligentes como um novo modelo de serviços”.

O estudo ressalva que “existem ainda insuficiências no desenho e no desenvolvimento da plataforma”. Porém, “a plataforma conecta várias instituições, pelo que o seu funcionamento carece de uma colaboração mútua e de uma cooperação estreita entre as várias instituições e pessoas”. “Como proceder à integração de dados e de informações para um melhor aproveitamento, como criar um canal de comunicação mais acessível e eficiente, como reforçar a protecção da privacidade dos idosos, como assegurar o funcionamento eficiente da plataforma e como quebrar os silos de dados, etc., são questões relevantes que merecem uma consideração especial ao longo do processo operacional da plataforma”, dizem os investigadores, concluindo que, “em termos gerais, uma ligação eficaz entre os três terminais da plataforma estimulará o desenvolvimento global e saudável da indústria de cuidados inteligentes aos idosos na RAEM e melhorará a qualidade da vida dos idosos na idade avançada, aliviando os encargos relativos ao cuidado dos idosos por parte do Governo, da sociedade, dos próprios idosos e dos seus filhos”.