Hemiciclo chumba duas propostas de debate de Ron Lam

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FOTOGRAFIA GONÇALO LOBO PINHEIRO

A Assembleia Legislativa chumbou mais duas propostas de debate apresentadas por deputados, sendo que a última aprovada foi já em Abril de 2019, há cinco anos. As propostas de ontem foram submetidas por Ron Lam, sobre a necessidade do serviço de transporte por solicitação online e a construção de um crematório permanente no território. O deputado José Pereira Coutinho votou a favor nas duas propostas, sublinhando que é benéfico haver debates no hemiciclo para encontrar soluções para os problemas da vida da população. Já Ma Chi Seng disse que lançar repentinamente um debate vai incitar a preocupação dos cidadãos.

 

Foram a 25.ª e a 26.ª propostas de debate que a Assembleia Legislativa (AL) chumbou desde 2019. O deputado Ron Lam recebeu ontem duas rejeições dos colegas em relação à sua moção para discutir no hemiciclo questões relacionadas com o serviço de transporte por pedido online e a construção de um crematório permanente. De acordo com as informações no portal da AL, o número de propostas de debate é cada vez mais reduzido e não houve nenhuma a ser aprovada para avançar realmente para uma discussão nos últimos cinco anos.

A última proposta aprovada foi em Abril de 2019, apresentada pelo deputado José Pereira Coutinho, acerca do regime de responsabilização dos titulares dos principais cargos públicos. Já a proposta seguinte apresentada pelo ex-deputado Sulu Sou, em relação ao sufrágio universal para a eleição do Chefe do Executivo, não foi aprovada em Julho de 2019 e, desde então, outras propostas submetidas pelos deputados e ex-deputados, como Sulu Sou, José Pereira Coutinho, Ella Lei, Agnes Lam, Mak Soi Kun, Leong Sun Iok, Song Pek Kei e Ron Lam, e que chegaram à deliberação, foram todas negadas.

O destino é igual para as duas propostas votadas ontem na AL. Numa delas, Ron Lam defendia a disponibilização do serviço de transporte por solicitação online, através de uma plataforma onde os motoristas e os veículos estão sujeitos a regulação. O deputado apontou que o serviço de transporte em táxis não tem conseguido satisfazer a procura ao longo dos anos em Macau e o Governo deve dar resposta às necessidades reais dos residentes e turistas e resolver o antigo problema relativo à dificuldade em apanhar transportes públicos.

De acordo com o deputado, até Março existiam em Macau 1.501 táxis, menos 345 do que os 1.846 registados no segundo trimestre de 2021. “O longo tempo de espera ou mesmo a impossibilidade de conseguir transportes públicos afecta directamente a imagem de Macau junto dos turistas que aqui permanecem”, salientou.

Ron Lam destacou que muitas regiões do mundo, tendo em conta com as necessidades do desenvolvimento social e as tendências do tempo, criaram um sistema maduro e seguro de serviços de transporte por solicitação online e que é sujeito a fiscalização rigorosa dos seus governos, como no interior da China, onde há agora 345 empresas que oferecem este serviço.

 

“SEM NECESSIDADE”

 

A proposta foi chumbada no plenário da AL com dois votos a favor, de Ron Lam e José Pereira Coutinho, 26 votos contra e uma abstenção, de Che Sai Wang. Durante a discussão antes da deliberação, o deputado Iao Teng Pio afirmou que ia votar contra, uma vez que no território já há serviço de marcação e chamada online de táxis, e não há necessidade de debater mais sobre o assunto. O também advogado disse ainda que a qualidade dos táxis já “melhorou muito, segundo a opinião dos cidadãos”, depois dos esforços do Governo.

José Pereira Coutinho, por sua vez, na sua declaração de voto, indicou nunca votar contra propostas de debate, “porque é bom para iniciar debates aqui na AL, para encontrarmos soluções para os problemas”. O deputado referiu ainda que o número de turistas disparou este ano e a dificuldade de apanhar táxis vai prejudicar a imagem de Macau. “Como sabem, em Macau, com um pouco de chuva, haverá congestionamento de trânsito e raramente consegue-se apanhar um táxi”, lamentou.

Por outro lado, a proposta de debate sobre a construção de instalações permanentes de cremação em Macau foi rejeitada por uma votação de 3 votos a favor, de Ron Lam, José Pereira Coutinho e Che Sai Wang, 27 contra e uma abstenção, de Nick Lei.

O deputado nomeado, Ma Chi Seng, frisou que a escolha de local para o projecto não é sempre bem-recebida pelo público, referindo que “seja onde for, os moradores da zona vão se opor”. Ma Chi Seng salientou que deve-se ouvir a população, em vez de “lançar repentinamente um debate, que causa a preocupação dos moradores”.

Recorde-se que Ron Lam pediu para se avançar com o projecto de criar um crematório devido ao aumento da procura e às despesas elevadas de recorrer ao serviço em Zhuhai.