Centro de Abrigo de Verão e de Inverno serviu mais de cem residentes e turistas este ano

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FOTOGRAFIA ELOI CARVALHO

iO Centro de Abrigo de Verão e de Inverno de Macau abrigou mais de 1.200 utentes desde 2019, tendo servido 108 residentes e turistas este ano. A maioria usou o serviço de acolhimento por causa do frio, em vez do calor. Ao PONTO FINAL, uma responsável do Centro adiantou que o serviço de acolhimento para o Verão já está aberto há 27 dias e recebeu quatro utentes. A temperatura em Macau tem sido elevada devido à influência do tufão severo “Gaemi” e, até às 21h de ontem, verificou-se um recorde de temperatura máxima de 36,3 graus Celsius.

 

O serviço de acolhimento temporário para o Verão em Macau encontra-se aberto há 27 dias, especialmente devido aos dias quentes com alerta para temperaturas altas, tendo registado um total de quatro utentes até ontem. O número de utentes manteve-se baixo nos últimos anos com 12 pessoas em 68 dias quentes no ano passado, e oito no ano anterior nos 42 dias em que esteve aberto. No entanto, o serviço de abrigo para o Inverno apresenta um cenário totalmente diferente, contando com quase 400 utentes nos últimos três anos, com 104 nos primeiros três meses deste ano nos 21 dias em que esteve aberto.

Em declarações ao PONTO FINAL, Olivia Ip, directora da Casa Corcel da Cáritas, que gere o Centro de Abrigo de Verão e de Inverno sob constituição do Instituto de Acção Social (IAS), avançou que o Centro acolheu 1.277 residentes e turistas desde 2019, em 390 dias de funcionamento. A instalação esteve aberta nos últimos dois dias devido à emissão do alerta para temperaturas altas, de nível amarelo ou laranja, tendo recebido dois utentes, um homem e uma mulher, ambos residentes.

“[Os utentes do Centro de Abrigo de Verão] são principalmente residentes locais, só alguns são oriundos do interior da China que procuram um local para descansar devido ao tempo quente”, explicou a responsável, revelando que os motivos da utilização de serviço foram, em geral, a falta de ar condicionado em casa, e que os idosos que vivem sozinhos procuram um local para ficar durante os dias mais quentes.

Olivia Ip prevê que o centro vá ficar aberto durante mais dias entre Julho e Agosto, e até servir ao público até Outubro devido à continuação da temperatura elevada. “O número relativamente reduzido de utentes deve-se ao facto de existirem agora muito mais serviços sociais além do nosso centro que oferecem lugares com ar condicionado 24 horas por dia, ou restaurantes ou bibliotecas que permitem às pessoas escapar ao calor do Verão”, apontou.

 

INSTALAÇÃO COM EQUIPAMENTOS DIVERSIFICADOS

 

O Centro nas instalações da Cáritas, que se situa na Rua Leste da Ilha Verde, disponibiliza um total de 60 camas, incluindo 50 para homens e dez para mulheres, estando também equipado com casa de banho com área de duche, wi-fi, televisão e jornais, bem como comida e bebida. Segundo a responsável, o espaço abre das 11h às 18h durante o dia com alerta para temperaturas altas amarelo, e das 10h às 18h para alerta para temperaturas altas laranja. No caso de o alerta laranja se manter depois das 18h devido às temperaturas altas, o horário de abertura do centro estende-se até às 08h00 do dia seguinte. Quando a instalação não estiver a ser usada, o ar-condicionado e o aquecimento não vão estar ligados o tempo todo por questões ecológicas.

Para os utentes do serviço de acolhimento temporário para Verão e para Inverno, o Centro procederá a um registo da sua informação básica e motivo de uso de serviço e, nesse processo, “podemos saber se o utente é sem-abrigo ou pessoa necessitada, como os casos escondidos, para que possamos dar acompanhamento e prestar mais serviços posteriores”, disse. Até agora, foram descobertas cinco pessoas nesta situação recorrendo ao serviço de abrigo para Verão e Inverno, que entraram mais tarde na Casa Corcel.

Olivia Ip asseverou que a utilização do serviço de abrigo para o Verão mantém-se estável, mas a do Inverno registou uma descida depois da pandemia. “No passado recebemos utentes de Hong Kong, que têm aparecido raramente depois da epidemia. Antigamente também havia mais utentes jogadores, agora aparecem mais os residentes”, revelou.

 

CALOR CONTINUA

 

O território ficou muito quente nos últimos dois dias e o calor vai continuar hoje devido à influência da subsidência exterior do tufão “Gaemi”, que passou por Taiwan e atingiu a província de Fujian. Os Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG) emitiram um alerta para temperaturas altas, laranja, no final de tarde da quarta-feira, e baixou para o alerta amarelo ontem às 17h05.

Entre dez estações de monitorização meteorológica em Macau, oito registaram ontem temperaturas máximas superiores a 35 graus Celsius, incluindo o recorde de 36,3 graus Celsius marcado na estação do Terminal Marítimo de Passageiros do Porto Exterior.

Os SMG preveem que hoje “o tempo na região seja muito quente e a temperatura máxima atinja os 33 graus Celsius ou valores superiores”, aconselhando-se à população que tome medidas contra doenças causadas pelo calor e beba mais água. Por outro lado, devido à influência de um vale depressionário, entre o fim-de-semana e o início da próxima semana, vão surgir aguaceiros e trovoadas.

O IAS, por sua vez, apela ao público para que preste atenção às condições de saúde dos idosos que vivem em casa e sozinhos, dos portadores de doenças crónicas e dos enfermos, para que tomem as medidas de precaução adequadas para evitar os impactos do tempo quente na saúde.

Já os Serviços de Saúde (SSM) pedem aos residentes que prestem atenção à prevenção de insolação, como a síncope por calor, as cãibras de calor, a exaustão pelo calor ou a insolação e hipertermia. “Quando a temperatura ambiente for demasiado elevada ou se os residentes trabalharem expostos directamente ao sol, juntamente com ar húmido ou ventilação deficiente, e se os residentes usarem vestuário que não seja respirável ou permeável à água quando os ajustamentos fisiológicos do corpo não conseguirem controlar eficazmente a temperatura corporal, ocorrerão sintomas de insolação”, explicaram os SSM.

O organismo disse que os residentes devem procurar imediatamente assistência médica se se sentirem mal. Quanto à possível ajuda aos doentes, os SSM apontam que deve-se transferir o doente para um local fresco e bem ventilado e arrefecer o doente recorrendo a uma toalha molhada.