Um estudo recente analisou algumas críticas nas redes sociais e descobriu que 85,45% dos turistas tiveram uma experiência positiva no Centro Histórico de Macau, mas criticaram a superlotação, preços elevados e falta de experiências interactivas. O estudo realizado pela Faculdade de Humanidades e Artes da Universidade de Ciência e Tecnologia (MUST) e a Escola de Arquitectura do Jiyang College of Zhejiang A&F University sugere melhorias para controlar a quantidade de visitantes, estabelecer preços razoáveis e promover a integração entre os turistas e a comunidade local.
Um estudo recente revelou que 85,45% dos visitantes expressaram opiniões favoráveis sobre o centro histórico de Macau, enquanto apenas 5,76% tiveram críticas negativas. Conduzido por investigadores da Faculdade de Humanidades e Artes da Universidade de Ciência e Tecnologia (MUST) em colaboração com um investigador do Colégio de Paisagismo, da Universidade A&F de Zhejiang, o estudo também identificou os pontos negativos que podem ser melhorados para desenvolver um turismo mais sustentável e com mais experiências para os visitantes.
A análise do estudo permitiu identificar quatro dimensões primárias que compõem a imagem do Centro Histórico de Macau como destino turístico, divididos na dimensão cultural, paisagística, emocional e local. Os turistas percebem o local como um misto de “dinamismo e tranquilidade, tradição e modernidade”, referem os investigadores.
A pesquisa, intitulada “Análise Visual de Dados de Social Media sobre Experiências em um Destino Turístico Mundial: Centro Histórico de Macau”, analisou a frequência das palavras utilizadas pelos internautas para descrever as suas experiências em Macau. Utilizando uma abordagem mista, que combina análises de campo qualitativas com análise textual utilizando o software ROST CM6.0, o estudo apresenta vários pontos-chave, incluindo o predominante sentimento positivo dos turistas em relação ao bairro histórico de Macau, com sentimentos negativos limitados a preocupações com a superlotação, preços inflacionados, falta de experiências interactivas em atracções, excessiva comercialização e escassez de espaços recreacionais públicos para descanso.
O estudo sugere que essas críticas podem ser utilizadas para melhorar o planeamento e o desenvolvimento do turismo em Macau, uma cidade reconhecida pelo seu status de Património Mundial. Para isso, é fundamental entender as necessidades e expectativas dos turistas e investir em infraestruturas e serviços que atendam às suas necessidades. O estudo identifica também a autenticidade, romantismo e comercialização como imagens temáticas primárias associadas ao bairro histórico de Macau para os turistas, áreas que podem receber mais investimento.
A recolha de dados do estudo foi feita através do software Python 3.12.3, que registou informações das principais plataformas de viagens online, incluindo Ctrip e Mafengwo. Os dados foram recolhidos entre Janeiro de 2020 e Junho de 2023.
Para os investigadores, o Centro Histórico de Macau representa uma atracção turística que oferece uma experiência única e diversa para os visitantes. No entanto, apontam para uma necessidade em melhorar as condições para os turistas, incluindo a redução da superlotação e a implementação de políticas mais eficazes para garantir a satisfação dos visitantes.
Algumas propostas do estudo sugeriam medidas para controlar a multidão, com base na capacidade real do local para lidar com o fluxo de visitantes; controlo razoável sobre preços em lojas de recordações, lojas de presentes e restaurantes a operar na área; cultivar uma integração mais profunda entre atracções e comunidades locais, por exemplo, criando museus abertos e envolvendo moradores para preservação e promoção do património, algo que poderia ajudar a consolidar a conexão entre turistas e locais.
Essa objectividade pode ser avançada pela diversificação de formatos de exposição, emprego de tecnologia moderna para facilitar experiências educativas históricas interactivas, aumento da acessibilidade de turmas guiadas gratuitas e instalações interativas, além de oferecer palestras regulares e performances artísticas no local para melhorar a interacção dos visitantes. Estas são apenas algumas das possíveis opções reveladas pelo estudo para melhorar a experiência das comunidades no centro histórico de Macau
Embora o estudo tenha apresentado algumas limitações metodológicas, como a falta de inclusão de outras plataformas de viagens online e a impossibilidade de incorporar conteúdo multimédia como vídeos e imagens, os resultados oferecem “valiosas lições” para melhorar a experiência dos turistas em Macau, consideram os autores.











