A Polícia Judiciária instaurou 5.907 processos criminais até Maio deste ano, um acréscimo de 28,8% face ao mesmo período do ano passado. Não houve crimes graves, mas a criminalidade ligada aos sectores do jogo e às burlas registou uma subida. Foram ainda interceptados, até Maio, 1.924 burlões que faziam troca de dinheiro, aos quais foram aplicadas medidas de interdição de entrada na RAEM. Segundo a polícia, as autoridades do Continente têm vindo a colaborar com Macau no combate aos burlões de câmbio ilegal, cujos trabalhos “obtiveram resultados notáveis”.
As autoridades alertam para o aumento da criminalidade ligada aos sectores do jogo e do turismo, que foi registado nos primeiros cinco meses deste ano. A Polícia Judiciária (PJ) instaurou 579 processos de crimes relacionados com o jogo até Maio, um número que corresponde a uma subida de 75,5% em relação a igual período do ano passado. Registou-se ainda um crescimento, em termos anuais, de 66,7% nas burlas relacionadas com o jogo, que têm uma “ligação muito forte” com burlões de troca de dinheiro, revelou o organismo.
O director da PJ, Sit Chong Meng, assegurou neste caso a colaboração contínua com os serviços competentes e os vários sectores para “combater rigorosamente os burlões da troca de dinheiro”, através de diversos recursos e medidas e todos os instrumentos jurídicos viáveis.
Por ocasião da Cerimónia de Entrega de Prémios do “Dia da Polícia Judiciária 2024” que teve lugar na passada sexta-feira, Sit Chong Meng fez um balanço sobre a criminalidade de Janeiro a Maio deste ano. Segundo o responsável, a PJ, juntamente com o Corpo de Polícia de Segurança Pública, interceptou 1.924 burlões de câmbio ilegal, ao quais foram aplicadas medidas de interdição de entrada em Macau.
Foi comunicada junto à Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos a integração de 927 pessoas na lista da interdição de entrada nos casinos, e foram ainda discutidas com a Autoridade Monetária de Macau a sistematização dos procedimentos, tendo sido comunicados 30 casos de residentes que tinham praticado troca ilegal de dinheiro para efectuar o procedimento sancionatório administrativo.
“O Ministério de Segurança Pública da RPC colabora amplamente com Macau no contexto do combate à perigosidade dos burlões da troca de dinheiro, os órgãos de segurança pública de várias regiões da China continental perseguem toda a cadeia ligada a estes crimes, e obtiveram-se assim resultados notáveis”, afirmou o responsável, acrescentando que as actividades ilegais que envolvem burlões de troca de dinheiro “têm vindo a decrescer” nos últimos meses.
Sit Chong Meng assumiu que a PJ vai trabalhar activamente com órgãos de segurança pública da China continental em operações específicas, no sentido de combater, a partir da fonte, as actividades ilegais praticadas por esses burlões.
Além disso, foram registados 104 casos de agiotagem relacionada com o jogo e 17 sequestros, o que corresponde a um aumento de 86 e 14 casos, respectivamente. O aumento deveu-se a “uma maior proactividade na investigação” e ao “reforço no combate aos crimes de agiotagem ocorridos actualmente”, explicou a PJ.
CRIMINALIDADE ESTÁ “SOB CONTROLO”
De acordo com a PJ, até Maio deste ano foram instaurados 5.907 processos criminais, um aumento de 28,8% em relação ao período homólogo de 2023. Entre estes, 3.214 são processos de inquérito e denúncia, com uma subida de 28,3%. O número total dos processos concluídos foi de 5.100, aumentando 23,3% em termos anuais. Foram ainda encaminhados para os órgãos judiciais 1.396 indivíduos, sendo um acréscimo de 57%.
O Executivo disse que a tendência de crimes graves continua a manter-se baixa em Macau e a situação da criminalidade está “sob controlo”. No entanto, as burlas e o crime informático mantiveram uma tendência ao aumento.
“Nos últimos anos, a situação das burlas em telecomunicações e cibernéticas revelou-se muito grave. Isto não causa apenas perdas patrimoniais, pois uma parte das vítimas dessas burlas, a nível de segurança pessoal e do estado mental, são gravemente afectadas”, salientou Sit Chong Meng, indicando que instaurou um total de 1.035 casos de burlas até Maio, um aumento de 43% face ao período homólogo do ano passado. Entre estes, 166 casos são de burlas telefónicas, 321 casos de burlas cibernéticas e 221 casos de burlas informáticas com uso de cartões de crédito furtados.
A PJ também comunicou com o sector bancário e a polícia do exterior para a recuperação dos prejuízos resultantes das burlas. Foi impedida a ocorrência de 131 casos de burlas que envolviam mais de 25 milhões de patacas no primeiro trimestre deste ano, tendo a PJ informado o sector bancário sobre 249 contas suspeitas para este adoptar medidas de congelamento e alerta durante os primeiros cinco meses.
Além disso, face à gravidade da situação dos estudantes que estão a ser burlados, a PJ tem vindo a cooperar com as autoridades educativas para integrar, pela primeira vez, as informações antiburla no conteúdo curricular.
REVISÃO AO CONSUMO DAS DROGAS NOVAS
As autoridades policiais instauraram ainda 20 processos de tráfico e 5 de consumo de droga entre Janeiro e Maio, sendo que a taxa de incidência dos crimes relacionados com a droga manteve um nível “bastante baixo”. Com a intensificação do combate ao narcotráfico nas fronteiras, a PJ indicou existir uma “diminuição notória” dos casos de narcotráfico no aeroporto e acredita-se que se conseguiu reprimir as tentativas das redes internacionais de tráfico de droga de usarem Macau para, em pouco tempo, efectuar um trânsito intensivo de droga.
A PJ revelou ao mesmo tempo que está a impulsionar a revisão da lei por forma a controlar as drogas novas ainda este ano, como a “Etomidate”, uma substância cada vez mais popular na China continental.
Por outro lado, o organismo destacou ter realizado um trabalho global de execução da lei relativo à segurança do Estado, “intensificou o combate às actividades de espionagem, preveniu e impediu a interferência externa, resolveu proactivamente os riscos de segurança”, de forma a defender a segurança do País e da RAEM.
Segundo a polícia, em relação à cibersegurança, o Centro de Alerta e Resposta a Incidentes de Cibersegurança, até Maio, lançou 110 mensagens de alerta aos operadores das infra-estruturas críticas de diversos sectores, um aumento de 31%, face ao período homólogo do ano anterior, e recebeu 6 comunicações de ataques cibernéticos no mesmo período, o que representa uma descida de 2 casos em termos comparativos.











