Desmantelada rede de apostas ilegais para jogos desportivos com 50 detidos em Macau

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A Polícia Judiciária, em cooperação com as autoridades do Continente e de Hong Kong, desmantelou uma rede de jogo ilegal que operava de forma transfronteiriça desde 2016. A operação levou à detenção de 93 pessoas, dos quais 50 foram apanhados em Macau, incluindo um agente alfandegário. A rede aceitava apostas desportivas de futebol e basquetebol, cujo montante envolvido acumulou pelo menos mil milhões de patacas. Os Serviços de Alfândega afirmaram estar “chocados e incrédulos” com a situação e aplicaram a suspensão preventiva de funções desse funcionário.

 

Um grupo criminoso de jogo ilegal transfronteiriço foi desmantelado pelas autoridades policiais de Macau, Hong Kong e do interior da China. Foram detidas 93 pessoas, incluindo 44 homens e seis mulheres em Macau, onde constam dois alegados cabecilhas e os principais membros da rede, bem como um agente alfandegário de Macau.

A Polícia Judiciária (PJ), citada pelo Jornal Ou Mun, disse ter apurado que o sindicato utilizava servidores no estrangeiro para criar vários sites online que aceitavam apostas ilegais de futebol e basquetebol, atraindo clientes com probabilidades mais elevadas do que as permitidas por lei, contratando pessoal para encontrar clientes e prestação de serviços de atendimento online 24 horas por dia.

De acordo com a investigação da polícia, o grupo recebeu todas as semanas mais de 72 milhões de patacas em apostas durante o período do Campeonato da Europa de Futebol da UEFA. Estima-se que o sindicato tenha recebido, pelo menos, mil milhões de patacas em apostas desde o início do seu funcionamento em 2016.

A PJ instaurou o actual processo de investigação em seguimento de um caso de branqueamento de captais detectado em 2022, em que quatro condenados deste caso estavam envolvidos ainda em actividades de jogo ilegal, descobrindo assim que a rede “operava apostas online há muito tempo”.

Nesse sentido, as autoridades do Continente e das RAEs realizaram uma operação policial conjunta no passado sábado. A PJ mobilizou mais de 200 agentes, tendo sido detidas 50 pessoas em várias fracções residenciais. Nas buscas foram apreendidos dinheiro em numerário correspondente a mais de oito milhões de patacas, 103 telemóveis e 26 computadores, que terão sido usados para gerir as apostas.

A polícia do Continente prendeu 42 pessoas e apreendeu 80 milhões de renminbis, tendo ainda detectado mais de 90 contas bancárias suspeitas envolvendo 20 milhões de renminbis. Já a polícia de Hong Kong interceptou um homem em Tuen Mun por ter ajudado o grupo a receber mais de oito milhões de dólares de Hong Kong de apostas durante quase um ano.

Na conferência de imprensa realizada ontem, questionado sobre se o agente da alfândega tinha revelado informações das forças de segurança à rede, o subdirector da PJ, Sou Sio Keong, adiantou que “não há provas de que as funções do agente estivessem relacionadas com o funcionamento do sindicato”. O responsável assegurou que o organismo vai ainda realizar uma investigação mais aprofundada dado o grande número de suspeitos e provas, bem como a complexidade da cadeia financeira.

 

“CHOCADOS E INCRÉDULOS”

 

Os Serviços de Alfândega (SA), em resposta à detenção de um agente alfandegário, salientaram que ficam “profundamente chocados e incrédulos” com o facto de o agente “ser suspeito de prática de um crime grave”. Em comunicado, os SA avançam ter instaurado de imediato um procedimento de investigação disciplinar interno, bem como tomaram medidas de suspensão preventiva de funções contra o indivíduo.

“Os SA sublinham que nunca tolerarão quaisquer violações da lei e disciplina, vão aplicar com todo o rigor de forma inflexível e sem tolerância as respectivas responsabilidades legais”, assegurou o organismo, frisando que vai colaborar plenamente com a respectiva investigação.

O organismo da tutela da Segurança afirmou estar atento à disciplina e ao comportamento do seu pessoal e que está a reforçar a supervisão e administração interna, intensificando o trabalho educativo de integridade e do comportamento moral do pessoal.