Mais de 1.200 trabalhadores sofreram acidentes laborais no primeiro trimestre

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CREDITOS RODRIGO DE MATOS

Os dados dos Serviços para os Assuntos Laborais indicam que 1.216 pessoas foram vítimas de acidentes de trabalho no primeiro trimestre deste ano, incluindo três mortes. As quedas continuam a ser a principal causa dos acidentes, representando quase um terço dos casos registados. Trabalhadores não qualificados, empregados administrativos e pessoal dos serviços e vendas foram os mais afectados por acidentes laborais.

 

O número de vítimas de acidentes de trabalho acumulou 1.216 pessoas nos primeiros três meses do ano corrente, registando uma subida ligeira de 9% face à época homóloga do ano passado, com 1.114 casos. Do total, 1.213 ficaram com incapacidade temporária do trabalho, dos quais apenas 104 puderam voltar ao serviço no mesmo dia da ocorrência do acidente. Verificaram-se ainda três mortes devido a acidente laboral, contudo, não foram detectadas nesses casos fatais infracções às normas de segurança e saúde ocupacional.

Os dados estatísticos foram avançados pela Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), segundo os quais as quedas têm vindo a ser a causa principal dos acidentes ocupacionais no território, com 380 incidências no primeiro trimestre deste ano. Houve 67 acidentes que estavam relacionados com a queda de objectos.

Um total de 237 trabalhadores sofreram de “entalamento num ou entre objectos” no ano transacto, 195 ficaram feridos por causa de “esforços excessivos ou movimentos falsos” e 167 por “marcha sobre ou choque com objectos”. Nessas causas de acidentes registaram-se “ferimentos causados por meios de transporte”, com 85 casos, dos quais 71 tiveram lugar durante a execução da actividade laboral e 14 aconteceram durante a utilização de meio de transporte fornecido pelo empregador na ida para o local de trabalho ou no regresso deste.

A “exposição ou contacto com temperaturas extremas” totalizaram 52 casos, enquanto a “exposição ou contacto com substâncias nocivas ou radiações” registaram 24 casos. Dez pessoas tiveram ferimentos causados por animais durante o trabalho e dois foram lesados por exposição ou contacto com a corrente eléctrica. Houve ainda 64 casos que foram provocados por motivos diversos.

No que diz respeito ao género das vítimas de acidentes de trabalho, mais mulheres (625) ficaram feridas do que homens (591), sendo que metade dos lesados tinham idades compreendidas entre 25 e 44 anos.

No período referente aos primeiros três meses do ano, 463 pessoas da faixa etária dos 45 aos 64 anos envolveram-se em acidentes laborais. No grupo dos 16 aos 24 anos e no grupo de 65 anos ou superior, os acidentes resultaram em 52 e 55 feridos, respectivamente.

As estatísticas da DSAL analisaram também o perfil das vítimas de acordo com a profissão e o ramo de actividade. Quanto à profissão, segundo os dados, os trabalhadores não qualificados (285 pessoas) são os mais afectados pelas referidas eventualidades, seguidos por empregados administrativos (276) e pessoal dos serviços, vendedores e trabalhadores similares (271). Foram 95 técnicos e profissionais de nível intermédio e 93 trabalhadores da produção industrial e artesãos que experienciaram acidentes ocupacionais até Março deste ano.

Além disso, entre as vítimas contaram-se ainda operadores de instalações e máquinas, condutores e montadores (35), especialistas das profissões intelectuais e científicas (22) e membros dos órgãos legislativos, quadros superiores da administração pública e de associações, directores e quadros dirigentes (21).

Em relação a ramos de actividades económicas, um terço dos lesados veio do sector de actividades culturais e recreativas, lotarias e outros serviços, envolvendo 370 trabalhadores lesados, enquanto 297 foram provenientes do sector de hotéis e restaurantes. Os profissionais alvo de acidentes de trabalho foram sobretudo afectados nas mãos, nos pés e no tronco.

Recorde-se que foram registadas 5.293 vítimas de acidentes laborais ao longo do ano passado, um aumento de 27% em comparação com o ano anterior. Nesse sentido, o rácio de ocorrência de acidentes de trabalho a cada mil trabalhadores atingiu 14,5, o mais elevado desde 2019. Foram aplicadas multas, em 2023, pela DSAL, a sete pessoas, por irregularidades no ambiente de trabalho que constituíram infracções à legislação sobre segurança e saúde ocupacional, que envolveram sete vítimas e no valor total de 47.500 patacas. A DSAL multou ainda 26 pessoas por infracções na indemnização dos trabalhadores por danos causados por acidentes de trabalho, envolvendo 384 trabalhadores e no valor total de 393 mil patacas.