Académica de Hong Kong impedida de entrar em Macau

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FOTOGRAFIA GONÇALO LOBO PINHEIRO

A professora da Universidade Chinesa de Hong Kong (CUHK na sigla em inglês) e ex-jornalista, Vivian Tam, foi impedida pelas autoridades de Macau de entrar na região, com a justificação de “exercer actividades que prejudicam a segurança pública ou a ordem pública”, segundo uma declaração da Associação dos Jornalistas de Macau.

Vivian Tam foi convidada pela Associação dos Jornalistas de Macau para uma sessão de workshop sobre escrita de entrevista de personagens, agendada para o sábado pelas 14h. De acordo com a Associação, a académica da Escola de Jornalismo e Comunicação da CUHK foi interceptada por agentes da polícia e interrogada num quarto durante meia hora após a sua chegada ao Terminal Marítimo do Porto Exterior, por volta das 11h40.

“Tendo-lhe sido recusada a entrada na região por razões de ‘segurança pública’ pelo Serviço de Migração do Corpo de Polícia de Segurança Pública”, denunciou a Associação, referindo que a professora apanhou, assim, o barco de regresso a Hong Kong às 13h30.

Na nota, a Associação dos Jornalistas de Macau “lamenta profundamente e protesta veementemente contra a recusa injustificada da entrada” de Vivian Tam, reiterando que a académica tinha entrado em Macau sem problemas no ano passado e o objectivo desta viagem a Macau era apenas a participação num programa de formação do sector de comunicação social.

“As autoridades, contudo, recusaram a sua entrada com a justificação de que havia fortes indícios de que a interessada estava envolvida em actividades que punham em perigo a segurança pública ou a ordem pública,

A entidade aponta que a justificação da recusa da entrada, que diz haver “fortes indícios” de que a académica estava envolvida em actividades que punham em perigo a segurança pública, “constitui um argumento ridículo, um abuso de poder por parte das autoridades com base em especulações unilaterais e um padrão inimaginável de aplicação da lei, tendo afectado seriamente os intercâmbios profissionais normais na comunidade”. Instou assim ao Executivo a fornecer uma explicação sobre os fundamentos jurídicos de tal decisão.

Realçando que as informações do referido workshop foram divulgadas nas redes sociais, a Associação dos Jornalistas diz que a prática das autoridades deixou os residentes preocupados com o facto de as suas liberdades e direitos básicos estarem a ser ainda mais enfraquecidos.

O Corpo de Polícia de Segurança Pública, em resposta a um pedido de esclarecimentos do All About Macau, recusou comentar casos individuais, mas afirma que “cumpre sempre rigorosamente a lei e os procedimentos” para tomar decisões sobre a aprovação ou recusa de entradas em Macau.