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      InícioSociedadeProfessores da EPM dispensados "em choque" com decisão

      Professores da EPM dispensados “em choque” com decisão

      Professores da Escola Portuguesa de Macau (EPM) manifestaram à Lusa surpresa e indignação pela não renovação dos contratos laborais pela instituição de ensino, que rejeita, por sua vez, um “processo de reestruturação” e aponta para razões de gestão.

       

      No início da semana, um comunicado afixado na sala de professores da Escola Portuguesa de Macau apelava a todos os docentes que procedessem a um agendamento na segunda e terça-feira para “um contacto pessoal” com a direcção. O motivo era conhecido de todos, já que duas semanas antes tinham sido informados que seriam chamados para lhes ser comunicado se o vínculo laboral à escola seria renovado.

      No departamento de Português, três professores viram esse elo terminado por decisão da escola. São todos detentores de bilhete de residente permanente e encontram-se no território ao abrigo de uma licença especial de Portugal para Macau. “A escola está num processo de reestruturação a nível de departamentos, de cargos. A ideia é valorizar a componente lectiva, segundo aquilo que me foi explicado como razão”, refere uma das professoras visadas, Alexandra Domingues. A leccionar no território há 33 anos e ligada praticamente desde o início à EPM, a docente diz estar “em choque”: “Nada me levou a crer da parte da direcção da escola que no nosso departamento houvesse necessidade de alguém sair”. “Não consigo explicar a reestruturação que o senhor director está a fazer no momento. Acredito que é para bem da escola, para rentabilizar recursos, sabemos que não abundam, tanto financeiros como humanos”, nota.Enquanto representante dos professores junto do Conselho de Administração, Alexandra Domingues diz ter abordado temas sempre “com o maior civismo”, no sentido “de apurar, saber, tentar compreender as mudanças ou qualquer outro problema”. “Não me passa pela cabeça que esteja dircetamente ligado [às funções]. Recuso-me a dizer isso”, acrescenta.

      À Lusa, um outro professor da instituição, que pediu para não ser identificado, admite haver “uma incompreensão muito grande” com o corte do vínculo laboral: “Pede-se que o corpo discente aumente, portanto, o corpo docente devia acompanhar”, defende, lembrando que esta direcção “já tinha dito que dos 700 alunos que a escola tem, iria subir para cerca de mil”. “Não conseguimos entender que alguns dos professores que venham a ser dispensados sejam professores de língua portuguesa e sobretudo aqueles que já estão mais bem preparados e que conhecem perfeitamente as necessidades, sobretudo dos alunos falantes de chinês”, refere. A Lusa confirmou que pelo menos seis profissionais estão nesta situação, cinco com licença especial e um contrato local.

      Contactado pela Lusa, o director Acácio de Brito, no cargo desde Dezembro de 2023, recusou estar em curso qualquer “processo de reestruturação”, lembrando que “apenas ocorreu” uma mudança na liderança da Fundação Escola Portuguesa e da direcção da instituição educativa. Explica, por ‘email’, que todos os anos “ocorrem situações de saídas e entradas de novos docentes” e que muitos professores integram o quadro de escolas do Ministério da Educação (ME) português, “encontrando-se através da concessão de uma licença especial atribuída por um ano letivo, mantendo o vínculo e lugar na escola de origem”. “Reforço que as licenças especiais são suscitadas pela direção da escola e pedidas em plataforma do ME. Processo normal, que em casos, por vontade do docente, não pretende a renovação da licença especial, em outros, por razões gestionárias, a escola decide não suscitar essa renovação”, escreve, negando “qualquer despedimento”.

      O presidente da Associação de Pais da Escola Portuguesa de Macau disse à Lusa que, até ao momento, não foi feita “nenhuma comunicação oficial da escola” e que não entende “a agitação toda”. “A mim interessa-me que a escola funcione bem, que os meus filhos aprendam (..). Para o ano, se os professores que vêm forem maus, se os resultados foram maus, cá estarei para pôr em cheque este trabalho”, garante Filipe Regêncio Figueiredo, também representante dos pais e dos encarregados de Educação junto do Conselho de Administração.

      Ponto Final
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      Redacção do Ponto Final Macau