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      InícioSociedadeHotéis de Macau preparam-se para regresso em peso de visitantes

      Hotéis de Macau preparam-se para regresso em peso de visitantes

      O fim das restrições pandémicas na China significa que os turistas do continente vão começar a regressar em peso a Macau. Para Rutger Verschuren, vice-presidente da Associação de Hotéis de Macau, é como se tivesse saído o 'jackpot' aos hotéis do território. Ao PONTO FINAL, Verschuren alerta também que o regresso dos visitantes será um desafio para os hotéis que não têm recursos humanos suficientes. Glenn McCartney, académico especialista na área, mostra-se menos optimista e diz que o grande aumento de casos de Covid-19 no continente pode ter impactos.

      É com grande expectativa que a indústria hoteleira de Macau está a olhar para o fim das restrições pandémicas na China. Recorde-se que as autoridades de Pequim anunciaram que, a partir de 8 de Janeiro, os visitantes que chegam ao país não precisam de fazer quarentena e, além disso, as autoridades chinesas anunciaram também que irá ser retomada a emissão de passaportes para turismo.

      Uma visita a Macau será prioritária para os residentes da China continental, defende Rutger Verschuren. Ao PONTO FINAL, o vice-presidente da Associação de Hotéis de Macau diz que é esperado um grande aumento do número de visitantes na região. Até porque, para já, os cidadãos do interior da China terão dificuldades em sair do país: “As pessoas da China continental não têm muitos outros sítios para onde ir. Como sabemos, outros países [Japão, Itália, Estados Unidos, por exemplo] estão a colocar restrições aos visitantes da China devido ao medo das novas variantes de Covid-19 que possam trazer”.

      Por outro lado, “muitos continentais têm os passaportes expirados ou não têm passaporte de todo e levará tempo até que tenham passaportes novos”. Isso fará com que dêem prioridade a Macau e Hong Kong. “É o ‘jackpot’ para Macau e Hong Kong”, afirma Rutger Verschuren.

      Ainda assim, o escrutínio das autoridades do continente face ao jogo VIP é um factor que poderá afastar alguns visitantes. Outro factor que pode prejudicar a chegada de visitantes a Macau a curto prazo é o grande número de infecções por Covid-19 no continente, alerta o responsável.

      Apesar do optimismo, Rutger Verschuren nota que ainda levará algum tempo até que se atinjam os números pré-pandemia. Recorde-se de que, em 2019, Macau chegou a receber quase 40 milhões de visitantes.

      Segundo o prognóstico do representante do sector, na segunda metade do próximo ano os turistas do continente vão começar a preferir visitar outros destinos no exterior. No entanto, isso poderá ser compensado com o  regresso a Macau de alguns dos visitantes estrangeiros. Na opinião de Rutger Verschuren, Macau só voltará a chegar perto do nível de visitantes pré-pandemia na segunda metade de 2024 ou no início de 2025.

      O Ano Novo Chinês, que se celebra no final de Janeiro, será a primeira prova do sector. Rutger Verschuren prevê que nessa altura o negócio para os hotéis seja “muito bom” e acredita que “definitivamente vamos ver muitos mais visitantes do continente e de Hong Kong”.

      Esta é também uma altura de grandes desafios para a indústria hoteleira. Rutger Verschuren, que também é vice-presidente de operações do Artyzen Hospitality Group, lembra que os hotéis tiveram de reduzir os recursos humanos nos últimos três anos para fazer face à crise provocada pela pandemia, tendo saído muitos dos trabalhadores não-residentes. “Agora, a Direcção dos Serviços dos Assuntos Laborais (DSAL) não deverá reestabelecer as quotas de ‘blue card’ tão cedo”, lamenta, salientando: “Sabemos que temos de contratar mais locais, mas não encontramos locais que queiram desempenhar funções de empregados de mesa, limpeza de quartos ou lavar loiça. Estamos com falta de pessoal”.

      Verschuren diz que as mudanças na política antipandémica estão a ser “demasiado rápidas”. “Tem sido uma montanha russa para os hotéis e o Ano Novo Chinês é já daqui a três semanas. Vai ser um desafio, mas de certo que será um fantástico começo de 2023”, prevê o responsável.

      Glenn McCartney, professor de Gestão Integrada de Turismo e Hotelaria da Faculdade de Gestão de Empresas da Universidade de Macau (UM), considera que é preciso encarar o fim das restrições na China com cautela, já que “estamos actualmente a passar por desafios de infecções por Covid-19 no seio da comunidade e da população activa”. Ainda assim, o especialista na área concorda que é esperado um aumento dos visitantes durante o Ano Novo Chinês. McCartney avisa que a indústria do turismo deve estar atenta à evolução da situação epidémica no interior da China para perceber o que pode esperar no próximo ano.