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      Infecções respiratórias entre crianças até Abril já atingiram o número total do ano passado

      O número de pessoas que recorreram à pediatria devido a infecção de gripe e Covid-19 disparou recentemente. A pediatria do Centro Hospitalar Conde de São Januário revelou que as infecções respiratórias de Janeiro a Abril, por Mycoplasma Pneumoniae, já equivalem ao número total do ano passado. No mês passado, o hospital atendeu 5.570 pacientes menores. As crianças dos 2 aos 3 anos são as mais susceptíveis à doença, e as dos 6 aos 7 anos registam mais casos de pneumonia.

       

      O Centro Hospitalar Conde de São Januário (CHCSJ) alertou para o aumento das infecções respiratórias e os subsequentes casos graves em Macau nos últimos meses, nomeadamente entre as crianças.

      As infecções respiratórias estão a “atingir um nível elevado” em Macau, segundo a pediatria do hospital, e o número de infecções por Mycoplasma Pneumoniae, entre Janeiro e Abril deste ano, foi “elevado” e já coincidiu ao total de infecções em todo o ano passado.

      Mycoplasma Pneumoniae é um patógeno comum de infecções do trato respiratório, que pode ocorrer durante todo o ano, mas com maior prevalência no Verão e Outono no sul da China. A sua transmissão é feita principalmente através de gotículas de saliva ou pelo contacto com objectos contaminados pelas secreções de pessoas doentes.

      Wong Fong Ian, chefe do serviço de pediatria do CHCSJ, revelou que o número de menores que recorreram à urgência devido à gripe e à Covid-19 tem vindo a subir, tendo o hospital atendido 5.570 crianças no mês passado. A médica falou ontem no programa matutino do canal chinês da Rádio Macau.

      “As enfermarias [da pediatria] estavam cheias, e as salas de observação foram mudadas para serem também enfermarias”, indicou Wong Fong Ian, prosseguindo que “houve muitos casos graves também que necessitavam de ser apoiados por máquina de ventilação, até com encefalite, derrame pleural ou enfisema obstrutivo, que precisavam de intervenção cirúrgica”. Contudo, a responsável afirmou que, por enquanto, há uma tendência para a estabilização da situação.

      Segundo a análise da médica, as crianças de idade menor, sobretudo dos 2 aos 3 anos, são mais susceptíveis à doença, e dos 6 aos 7 anos registaram mais casos de pneumonia, uma vez que, durante a pandemia, tiveram menos contacto com as pessoas, e as aulas foram às vezes suspensas e utilizaram sempre a máscara, o que diminuiu a sua imunidade.

      Wong Fong Ian referiu que o CHCSJ discutiu a situação com outros hospitais de Hong Kong e da Grande Baía, que concluíram que os menores estiveram sem contacto com o exterior durante anos, o que criou uma “dívida da imunidade”, sendo que a imunidade do corpo está mais baixa. As crianças, que se encontram doentes nesses dias são infectadas com dois a quatro vírus ao mesmo tempo, em vez de ser só um tipo de vírus.

      “O termo da ‘dívida da imunidade’ vem do estudo das especialistas de Hong Kong. As crianças com idades compreendidas entre 1 e 3 anos nasceram durante a epidemia e o uso de máscara levou à inactivação da imunidade”, explicou a médica. A responsável realçou que, em geral, o sistema da imunidade vai activando quando os menores têm constipações ou outras doenças leves, mas disse acreditar que esta “dívida imunitária” vai ser recompensada à medida que o tempo passa com normalidade depois da pandemia.

      Esteve ainda no programa da rádio Leong Iek Hou, chefe da Divisão de Prevenção e Controlo de Doenças Transmissíveis dos Serviços de Saúde, que afirmou que as doenças infecciosas respiratórias em Macau têm estado activas, com níveis elevados de gripe, Covid-19, enterovírus e adenovírus, desde 2023.

      Em Macau registou-se um aumento das infecções pelo vírus da gripe A (H3) de Dezembro do ano passado a Janeiro deste ano, e actualmente os casos detectados são principalmente de Influenza A (H1).

      Leong Iek Hou avançou que, na semana passada, 16% dos pacientes com febre tinham gripe e 12% tinham Covid-19. “Registaram-se no mês passado 105 casos de infecções colectivas em escolas e em creches, o que representa um aumento de 75% em relação ao mesmo período do ano passado, dos quais 40% foram causados pela gripe A”, acrescentou.