Pátio da Claridade: proprietário quer local como ponto turístico com hotel e restaurantes

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FOTOGRAFIA ANDRÉ VINAGRE

O proprietário do Pátio da Claridade pretende avançar com a sua revitalização e torná-lo num local que combine turismo, alojamento e gastronomia. Numa opinião remetida ao Conselho do Planeamento Urbanístico, o proprietário defende que a revitalização da zona não deve estar sujeita a “condições restritivas” como do património cultural, uma vez que não são bens imóveis classificados. No entanto, surgiram críticas e preocupações sobre a carência de preservação cultural e arquitectura.

Uma atracção turística com hotel boutique económico e rua de gastronomia. É esta a proposta apresentada para a eventual revitalização do Pátio da Claridade, o maior pátio remanescente em Macau, localizado na zona do Patane.

O projecto de Planta de Condições Urbanísticas do Pátio da Claridade foi novamente submetido à apreciação do Conselho do Planeamento Urbanístico (CPU), numa reunião plenária realizada ontem. Um projecto deste local já tinha sido apresentado em 2022, mas foi devolvido pelo CPU para a análise do Instituto Cultural (IC) por questões de conservação dos edifícios centenários ali localizados.

Das opiniões recolhidas pelo CPU, o proprietário do Pátio da Claridade defende a criação de um “novo marco de bairro antigo” para trazer os turistas ao Centro Histórico de Macau. O proprietário, uma empresa local denominada por Grupo Lek Hang, adiantou o plano de construir um complexo ao longo do pátio, com rés-do-chão e primeiro andar equipados com mais de 40 restaurantes de cozinhas de diferentes países. Já no restante complexo será construído um hotel, “com uma aparência esteticamente agradável que atrai turistas para tirarem fotografias”.

O grupo salientou a futura contribuição ao desenvolvimento económico do projecto de revitalização. Revelou também que iria instalar uma zona de exposição sobre a história do Pátio da Claridade, do Patane e do Porto Interior, bem como organizar workshops sobre cultura e gastronomia.

Justificou na sua opinião que o plano favorece e impulsiona o comércio na zona circundante e “reforçar o papel de Macau enquanto Centro Mundial de Turismo e Lazer e Cidade Criativa de Gastronomia”.

No que diz respeito à controvérsia de conservação da cultura dos bairros antigos, o proprietário argumenta que a “verdadeira preservação não consiste em deixar os edifícios históricos desaparecerem na solidão, mas sim em conferir-lhes uma nova vitalidade”.

Apontou que o Pátio da Claridade se encontra fora da zona tampão e de protecção do património, pelo que a revitalização deve ser tratada como se fossem “edifícios comuns”, em vez das “restrições exigentes” do património cultural. “No passado, a restrição excessiva do espaço de desenvolvimento levou ao abandono prolongado do terreno, prejudicando as oportunidades de renovação urbana”, disse.

O proprietário deixou ainda a garantia de seguir rigorosamente a preservação das fachadas dos edifícios existentes, assegurar a coordenação visual da construção, acrescentando que vai apresentar um plano de conservação específico ao IC.

Recorde-se que o conjunto do Pátio da Claridade é composto por 48 edifícios residenciais de dois andares em tijolo de estilo arquitectónico chinês e também português e do sul da Europa. É rodeado pela Rua do Almirante Sérgio, Rua da Praia do Manduco, Travessa da Assunção e Pátio de Hong Fat. Contando com uma história de mais de um século, a zona foi um lugar próspero de distribuição das capturas dos pescadores, onde os apartamentos também foram arrendados pela Sociedade de Turismo e Diversões de Macau (STDM) a idosos.

CRÍTICAS AO AUMENTO DE ALTURA DAS CONSTRUÇÕES

Segundo divulgou o CPU, o mais recente projecto da Planta de Condições Urbanísticas do Pátio da Claridade alterou a regra de 2022 que proibia o aumento da altura das construções, passando a estabelecer uma altura máxima permitida de 20,5 metros para os edifícios e a permitir o aumento da altura.

Algumas opiniões submetidas ao CPU opõem-se a aumentar a altura máxima permitida do edifício, para além de afectar a estética da fachada original e resultar numa forma estranha, também conferindo uma sensação de opressão a toda a rua e até à zona em geral, destruindo o património cultural e afectando a iluminação natural e a linha do horizonte.

“O conjunto do Pátio da Claridade constitui o último, maior e mais completo espaço arquitectónico de ruas em pátios de Macau, cujo significado histórico, cultural, comunitário e técnico, bem como a sua singularidade e representatividade, já foram amplamente comprovados”, defendeu uma opinião.

Há também críticas sobre a falta de obrigatoriedade estabelecida de preservar os telhados existentes, sendo o telhado inclinado uma característica arquitetónica tradicional da arquitectura de pátios, segundo uma outra opinião mencionada, com receio de o valor e a integridade do Pátio da Claridade serem ainda mais enfraquecidos.

DSSCU DIZ QUE HÁ CONSERVAÇÃO SUFICIENTE

 

Na reunião de ontem do CPU, a Direcção dos Serviços de Solos e Construção Urbana (DSSCU) afirmou que o projecto de Planta de Condições Urbanísticas mais recente do Pátio da Claridade “consegue equilibrar o desenvolvimento e a conservação”.

Segundo noticiou a Rádio Macau em língua chinesa, muitos membros do CPU manifestaram preocupações quanto ao equilíbrio entre a revitalização e as necessidades de desenvolvimento.

O IC, por sua vez, salientou que o anterior projecto de Planta de Condições Urbanísticas, em 2022, era “mais rigoroso” e, após ter ouvido as opiniões do CPU, o projecto actual acabou por ajustar o limite máximo de altura dos edifícios.

Contudo, o organismo destaca ter exigido que a concepção arquitectónica da parte acrescida deva estar em harmonia com a aparência das respectivas construções originais, na esperança de preservar a flexibilidade do projecto de toda a zona. Neste caso, o projecto de concepção subsequente será analisado em conjunto pelo IC e pela DSSCU.