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      InícioSociedadeFaltam medicamentos antigripais e não há data de reabastecimento, dizem farmácias locais

      Faltam medicamentos antigripais e não há data de reabastecimento, dizem farmácias locais

      Mesmo que tenha passado o pico de infecções pandémicas, Macau está ainda a enfrentar uma escassez de medicamentos nas farmácias, com uma elevada procura de fármacos para o tratamento sintomático da Covid-19, particularmente após a abertura da cidade aos turistas. Ouvidos pelo PONTO FINAL, vários farmacêuticos apontaram que há carência de medicamentos analgésicos e antitérmicos, bem como antitússicos, sobretudo das marcas mais populares. Sem saber quando o fornecimento será reabastecido, o que tem a ver com os fornecedores de Hong Kong, os funcionários das farmácias afirmaram, entretanto, que a situação de escassez de medicamentos melhorou um pouco em comparação com o mês passado.

      A procura de medicamentos antigripais em Macau continua a ser elevada, e o problema da escassez de medicação para o alívio de sintomas da Covid-19 permanece por resolver nas farmácias locais, onde há falta de stock de medicamentos para a febre, dor de garganta e tosse, bem como vitamina C e até medicamentos gastrointestinais.

      Embora tenha passado o período de pico da contaminação e infecção no território entre os residentes de Macau, a corrida para a compra de medicamentos na comunidade não desapareceu.

      O PONTO FINAL percorreu várias farmácias na zona central da cidade e falou com farmacêuticos e funcionários para perceber a situação de fornecimento de medicamentos. Todos apontaram que ainda se verifica uma carência de medicação, particularmente para algumas marcas mais preferidas pelos cidadãos e turistas do interior da China. Contudo, a situação geral “já não é tão má como antes”, com a disponibilização de produtos de outras marcas menos vendidas no passado.

      “Já não há muitas escolhas para medicamentos antipiréticos e analgésicos. Não temos Panadol, isso encontra-se esgotado há mais de um mês”, referiu ao PONTO FINAL um funcionário da Farmácia Popular, no Largo do Senado. O trabalhador revelou ainda que não vai haver reabastecimento de produtos dessa marca na farmácia antes do Ano Novo Chinês. “Agora temos de esperar por Hong Kong, estamos a manter o contacto com os fornecedores de Hong Kong para acompanhar a situação, mas não há nenhuma novidade sobre a chegada de medicamentos”.

      Relativamente aos fármacos para a tosse e garganta inflamada, o funcionário lamentou a escassez, frisando que estão disponibilizados apenas produtos para alívio da irritação na garganta, como pastilhas para tosse, mas com baixo teor de medicação. No entanto, a farmácia já tem artigos antiepidémicos reabastecidos, como máscaras, kits de teste rápido de antigénio e produtos de desinfecção.

      A zona central da cidade, apesar da chuva que se prolongou durante o dia todo de ontem, esteve cheia de pessoas, particularmente visitantes provenientes da China Continental com malas de bagagem para viagem, a visitarem as farmácias e lojas de cuidados pessoais.

      Na Farmácia Alpha, situada na Rua de São Paulo, também há falta de medicamentos antigripais. Ao ser questionado se há stock dessa medicação, a farmacêutica do estabelecimento começou por sorrir, afirmando: “Obviamente não temos esses medicamentos”. “Não existe em nenhum lado. Se quiser da marca Panadol ou Fortune, vai andar à procura por Macau toda. Vai procurar, mas não vai conseguir encontrar uma caixa!”, disse.

      A farmacêutica indicou que os medicamentos antipiréticos e analgésicos já estão esgotados “há muito tempo”. Adiantou que já não tem stock há mais de um mês, dado que algumas pessoas já começaram a comprar e preparar os medicamentos em casa naquela altura, ainda antes do anúncio das autoridades sobre a abertura da cidade.

       

      DIRECTRIZES PARA AQUISIÇÃO DE PRODUTOS

      O Instituto para a Supervisão e Administração Farmacêutica emitiu directrizes para as farmácias adoptarem restrições à aquisição de produtos, incluindo reagentes de teste rápido de antigénio e comprimidos de paracetamol. Além disso, na semana passada, antes do anúncio da passagem fronteiriça com isenção de teste com o Continente no domingo, o Chefe do Executivo proferiu um despacho para proibir o transporte de medicamentos e artigos antiepidémicos com quantidades excessivas para fora da RAEM, limitando a saída de medicamentos analgésicos e antitérmicos, de antigripais compostos, expectorantes e antitússicos e testes rápidos.

      Numa outra farmácia perto das Ruínas de São Paulo, onde estavam filas de turistas a perguntarem por Panadol, o responsável salientou também que desconhecia quando voltariam a ter stock dos medicamentos. “Não sei como funcionam os outros meios de venda, mas para nós, as farmácias, fazemos a importação de medicamentos de Hong Kong, e lá também estão agora sem medicamentos, por isso, Macau com certeza que não vai ter reabastecimento a curto prazo”, confessou.

      A situação da venda é a mesma numa outra farmácia da cadeia na mesma rua. O farmacêutico disse ao nosso jornal que quase todos os medicamentos para a febre foram vendidos no último surto em Dezembro, e o Strepsils, indicado para a tosse, também.

      “De momento apenas temos medicação e suplementos nutricionais de vitamina C das marcas menos procuradas no passado. É difícil comprar medicamentos agora, seja qual for a marca, as pessoas não devem, e não podem, ser tão exigentes na escolha de marca. Se houver stock, é melhor comprarem”, asseverou.

      O responsável avançou que não estabeleceu um limite para os clientes na compra de medicamentos antigripais, mas recorda que o Governo está a controlar a quantidade de medicamentos transportados na saída de Macau.

      Paralelamente, medicamentos gastrointestinais estão actualmente a ser muito procurados por ter surgido anteriormente informação de que uma nova estirpe da Covid-19 causará diarreia.

      Uma farmácia que disponibiliza o referido medicamento sublinhou que não tem muito stock e, portanto, está a limitar uma caixa por pessoa nas vendas. Junto à entrada dessa farmácia, alguns turistas chineses acabaram por decidir não comprar as cápsulas LianHua Qingwen, medicina chinesa indicada para a Covid-19 e comercializada no estabelecimento, lamentando não terem conseguido encontrar medicação antipirética durante a sua visita a Macau.

      Recorde-se que desde o surgimento dos casos infectados de Covid-19 e contaminação no território, em Fevereiro de 2020, Macau seguiu a política de zero caso promovida pelo Governo Central, com a cidade fechada ao exterior durante três anos. A China decidiu, entretanto, a implementação de novas medidas antiepidémicas a 7 de Dezembro do ano passado, e o Governo da RAEM anunciou a entrada no período de transição, deixando o contágio de vírus na comunidade, bem como cancelando a testagem em massa e o isolamento para os infectados.

      A menos que as autoridades antecipassem a distribuição de kits de apoio ao combate à epidemia, muitos residentes, ao se prepararem para o isolamento domiciliário, recorreram às farmácias para adquirir medicamentos, o que levou a uma escassez de medicação na sociedade. Os suplementos de vitamina C, bebidas desportivas, adesivo refrescante de alívio para febre, álcool para desinfecção e até limões encontravam-se, na altura do pico da infecção, escassos na região.