A Livraria Portuguesa recebe este fim-de-semana a escritora e poetisa Sonia Leung, que apresenta o seu livro “The Girl Who Dreamed – A Hong Kong Memoir of Triumph Against the Odds” e a aventura corajosa que foi o processo de publicação da obra. O evento leva o nome “Corageous Confessions” e é dividido em dois episódios, numa primeira parte de conversas com a professora Julia Ying Zhu e num outro dia de exercícios de escrita guiados pela autora. Um convite aberto ao público que dá início às 17h este sábado, dia 4 de Maio.
Este fim-de-semana na Livraria Portuguesa os leitores e futuros escritores poderão participar em dois dias de conversas e exercícios de escrita apresentados pela poetisa e escritora Sonia Leung, que, em conjunto com a professa Julia Ying Zhu da Universidade Politécnica de Macau, abre uma mesa de diálogo sobre as aventuras e adversidades que sucederam durante o processo de criação e publicação da sua mais recente autobiografia “The Girl Who Dreamed – A Hong Kong Memoir of Triumph Against the Odds”, uma saga emocional de triunfo sobre as dificuldades da vida de uma autora mulher, fora dos círculos de domínio da língua inglesa.
O evento, que é aberto ao público e será apresentado em inglês, é dividido em duas partes, com o primeiro “Corageous Confessions – Part 1” a servir de introdução à vida da autora e o percurso que a levou a destacar-se na literatura escrita na língua inglesa, principalmente ao introduzir-se na comunidade literária anglo-saxónica sendo uma autora de origem chinesa.
Sonia Leung reside em Hong Kong, mas cresceu no interior da China e a língua inglesa não é a sua primeira língua. Independentemente disso, desenvolveu um corpo de trabalho que a levou a receber diversos prémios, incluindo o “Wordview 2023”, concurso anual de poesia no Reino Unido, com o poema “A Late Summer Night’s Dream”. Impulsionou a carreira literária com a sua primeira publicação, onde reuniu uma série de poemas com o título “Don’t Cry Phoenix”, escrita em inglês e chinês. Lançada em 2020, a obra era acompanhada de 10 músicas originais.
A autora, em declarações ao PONTO FINAL, diz que é exactamente esta perseverança de autores estrangeiros e a dificuldade que têm em publicar os seus trabalhos no âmbito da literatura inglesa, não sendo falantes nativos da língua, que pretende abordar com o público nesta primeira parte do seu encontro.
Faz uso do seu segundo livro publicado, “The Girl Who Dreamed”, como exemplo das desventuras e dificuldades que sofreu na luta contra a presente discriminação que as autoras mulheres precisam constantemente de ultrapassar e o longo processo de publicação, enquanto colaborava com a editora Blacksmith Books baseada em Hong Kong. A obra é uma colectânea das suas memórias no decorrer do processo “épico” que foram os dez anos de criação da obra, desde a ideia ao livro físico.
É assim que, em conjunto com Julia Ying Zhu, deseja incentivar novos autores e autoras a explorarem a sua criatividade independentemente das barreiras linguísticas, e que as histórias que se pretendem contar ultrapassam qualquer limite imposto por sistemas já estabelecidos nos círculos convencionais editoriais, e que haverá sempre lugar para quem pretende “escrever um livro que fale de dentro, que se queira ler e a linguagem, seja qual for, não limita”, diz Leung.
A vida posta em palavras
“A língua deve ser uma ferramenta artística e qualquer uma serve para isso”, continuou a autora enquanto apresentava a segunda parte do seu encontro, “Courageous Confessions – Part 2”, um workshop que leva os participantes a explorarem, na prática, o processo criativo da escrita.
Para desmistificar o significado da palavrar “confessar”, tantas vezes aplicado a livros relacionados a memórias difíceis, muitas vezes escrito por autoras mulheres que são rotuladas como “confissões”, Leung pretende abrir o termo e criar um espaço de partilha confortável, onde se possa escrever sobre essas memórias abertamente.
Através de uma série de exercícios, a autora espera inspirar novos autores a escrever com coragem sobre os seus sentimentos e memórias, que o “confessar” deixe de ser um acto encoberto por constrangimento, mas que “seja exposto naturalmente e possa ser apresentado aos outros, para aprendermos também com os outros”.
Esta partilha de memórias da vida em palavras inicia-se com um exercício de 15 minutos onde a escrita é equiparada ao acto de comer, “porque quando comemos, convocamos todos os sentidos num acto”, diz a autora.
No exercício seguinte é apresentada a pergunta “Porque é que importa escrever sobre a vida?”, onde os participantes terão 35 minutos para discutir em grupo, enquanto revisitam memórias de infância e constroem uma história com algumas novas personagens inspiradas nessas memórias. Uma carta será então escrita pelos participantes, dirigida a alguém a quem amam ou odeiam, que lhes aflige ou que lhes traz felicidade, contudo, o destinatário deverá ser alguém a quem nunca confessaram os seus sentimentos antes.
A autora irá partilhar algumas técnicas usadas na escrita autobiográfica, bem como alguns dos caminhos possíveis na escolha de estilos e temas, enquanto conduz o workshop em direcção ao último exercício de introspecção, que envolve escrever um texto com inspiração no sentimento que se tem ao revisitar uma fotografia de infância em relação ao actual estado de espírito da pessoa.












