Celebra-se hoje o Dia Internacional do Conselho Internacional dos Monumentos e Sítios (ICOMOS). A ocasião é vista como uma oportunidade para fazer um reenquadramento da Carta de Veneza de 1964, à luz das catástrofes e conflitos que marcam o mundo actual, indicou a arquitecta Maria José de Freitas ao PONTO FINAL.
Hoje celebra-se o Dia Internacional do Conselho Internacional dos Monumentos e Sítios (ICOMOS). Este ano, o organismo quer aproveitar a data para reenquadrar a Carta de Veneza de forma a que haja um maior foco na revitalização e reabilitação após catástrofes e conflitos. O objectivo passa também por chamar a participação das comunidades no âmbito da Carta de Veneza, através de uma abordagem mais holística.
Maria José de Freitas, arquitecta e presidente do grupo científico da área das heranças partilhadas do ICOMOS desde 2020 – reeleita no início deste ano para um novo mandato –, explicou ao PONTO FINAL a razão pelo qual foi escolhido o tema: “Hoje em dia há um cenário de destruição por todo o mundo, principalmente com as guerras que estão a decorrer. O tema deste ano é precisamente o reenquadramento da Carta de Veneza à luz dos acontecimentos que estão a acontecer por todo o mundo”.
A Carta de Veneza, publicada em 1964, foi adoptada pelo ICOMOS após o Segundo Congresso Internacional de Arquitectos e Técnicos de Monumentos Históricos, realizado em Veneza de 25 a 31 de Maio de 1964. Na Carta, que faz agora 60 anos, lê-se por exemplo que “a conservação e o restauro dos monumentos exigem a colaboração de todas as ciências e de todas as técnicas que possam contribuir para o estudo e a salvaguarda do património monumental” e ainda que “a conservação e o restauro dos monumentos exigem a colaboração de todas as ciências e de todas as técnicas que possam contribuir para o estudo e a salvaguarda do património monumental”.
As premissas da Carta funcionam como ponto de referência para técnicos, arquitectos, historiadores e académicos ligados ao património. Aliás, este documento tem sido um instrumento importante para a conservação e restauro de monumentos, sobretudo no caso do património ameaçado.
O tema toma corpo em diversas acções, dos Estados Unidos a Portugal, passando por França e Itália, criando plataformas comuns de trabalho unindo arquitectos, historiadores, arqueólogos e a população geral.
Este Dia Internacional do ICOMOS serve de “aperitivo” das comemorações do 60.º aniversário da publicação da Carta de Veneza, cuja efeméride será assinalada com seminários com a participação de académicos e peritos.
Mas o que é que se pretende com esse reenquadramento da Carta de Veneza? Maria José de Freitas diz que o objectivo é que a abordagem seja “mais holística, mais abrangente e que integre a participação mais intensa da população e das comunidades na revitalização das zonas históricas”. “Há uma visão mais abrangente integrando participantes que não são só académicos, é também a população”, completou, assinalando que, neste aspecto, a abordagem de Macau está a ser “bastante vanguardista”, devido à presença das concessionárias de jogo nos processos de revitalização das zonas históricas.











