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      Distúrbio do vício do jogo com número recorde de pedidos de apoio

       

      O registo sobre casos de distúrbio do vício do jogo fechou o ano de 2023 com 169 pedidos de ajuda, sendo o maior número desde que há registo, e o dobro do assinalado no ano anterior. A maioria dos solicitantes de ajuda tem idade entre 30 e 39 anos e está empregado. A análise refere que 77% têm dívidas e um quarto diz que o motivo do jogo deve-se a tentativa de “resolução de dificuldades financeiras”. Contudo, segundo o Instituto de Acção Social, a proporção de residentes registada no sistema diminuiu 22 pontos percentuais.

       

      O Instituto de Acção Social (IAS) contabilizou no ano passado 169 casos registados de indivíduos afectados por distúrbios do vício do jogo, o que representa um aumento de 103% em relação ao ano anterior, bem como uma subida de 54% face a 2019 antes do surgimento da epidemia. O número registado em 2023 foi também o mais elevado desde 2011, quando as autoridades começaram a trabalhar no sistema de registo central dos distúrbios do vício do jogo.

      Entre as pessoas que recorreram a ajuda devido ao jogo problemático no ano transacto, 69,2% são residentes, tendo diminuído 22,3 pontos percentuais em comparação com o ano anterior, altura em que se registou uma percentagem alta de 91,5%. O rácio de residentes nestes casos caiu, ao mesmo tempo, para o nível o mais baixo desde que há registo. “O número de casos de procura de ajuda envolvendo pessoas que possuem outros documentos para permanecer em Macau, como turistas ou trabalhadores, ultrapassou os 30%, o que constitui o valor mais elevado ao longo dos anos”, revelou o IAS.

      Recorde-se que a cidade apenas regressou à normalidade no ano passado com o levantamento total das restrições de viagens, sendo que as autoridades já tinham previsto que iria aumentar o número de pedidos sobre o vício de jogo por parte de turistas, devido à retoma das actividades turísticas.

      O relatório publicado pelo IAS referente ao ano passado indica que há mais casos de homens que procuram ajuda (78%) do que de mulheres. A faixa etária mais comum entre os solicitantes de ajuda é dos 30 aos 39 anos (24%), seguida pelo grupo de idade compreendida entre 40 e 49 anos (14%), e 2,3% têm idade inferior a 18 anos. As estatísticas do organismo avançam que a média de idade do grupo é de 40,5 anos, a pessoa com idade menor que procurou ajuda tem apenas 15 anos, e o mais velho tem 72 anos.

      No entanto, as instalações dos serviços sociais introduziram serviço telefónico e online nos últimos anos e cerca de 30% dos casos optaram por não fornecer informações sobre a sua idade.

      De acordo com o balanço do sistema de registo, quase 77% dos que pediram ajuda têm emprego, dos quais 3,3% são croupier e 5,3% trabalham na indústria de jogo. Mais de 20% dos casos registados fazem apostas há mais de 10 anos, enquanto 10% têm andado a jogar há mais de 20 anos.

      Existem simultaneamente 77% que se encontram em situação de dívida, dos quais 24,4% dizem ter dívidas entre 100.000 e 250.000 patacas, 14,5% com montante de dívidas entre 250.000 a 500.000 patacas e 3% com montante superior a dois milhões de patacas. Todavia, 19,8% declaram que não sabem o valor da dívida que contraíram.

      Analisando os motivos do jogo, por volta de 30% indicaram a tentativa de “resolução de dificuldades financeiras”, 18% apostam para “desanuviar” e 16,2% dizem que jogam por “entretenimento”. “Isto reflecte o facto de muitos dos casos que procuram ajuda acreditam erradamente que o jogo poderia resolver as suas dificuldades financeiras”, observou o organismo.

      O IAS revela ainda que o tipo de jogo mais frequentado pelas pessoas que procuraram ajuda é o Bacará (48,8%), seguindo-se Máquinas de Póquer/Mocha (8,2%), apostas no futebol/basquetebol (7,3%) e Sic Po Cussec (4,5%). Quanto à média do montante mensal gasto no jogo, “quase metade dos casos indicaram que não sabiam a quantia de dinheiro que gastavam em jogos de fortuna e azar todos os meses, o que significa que os jogadores com dependência são relativamente fracos na gestão do dinheiro”, sublinhou.

      De forma geral, as pessoas que suspeitam ter dependência do jogo, depois de terem apresentado pedido de ajuda às instituições de serviços comunitários, serão submetidas a uma avaliação com o instrumento de medição DSM-5. Os resultados da avaliação a 169 casos do ano passado mostram que 43,4% de casos pertencem ao distúrbio do vício do jogo de grau moderado, 32,7% com distúrbio do vício do jogo de grau grave e 13,5% com grau ligeiro. Quase 5% apresentam um risco de se tornarem viciados.

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      Redacção do Ponto Final Macau