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      A história do cônsul John Reeves e o papel do governador português na 2.ª Guerra Mundial

      Peter Rose esteve ontem no último dia do Festival Literário Rota das Letras para apresentar o seu primeiro romance, “The Good War of Consul Reeves”. Na sessão, o advogado norte-americano apresentou o cônsul britânico e ainda destacou o papel do governador de Macau à época, Gabriel Maurício Teixeira, que permitiu a entrada na região de milhares de refugiados.

       

      No último dia do Festival Literário Rota das Letras, Peter Rose passou pela Casa Garden para apresentar em Macau o seu primeiro romance, “The Good War of Consul Reeves”, que acompanha a história do então cônsul britânico em Macau e que tem como pano de fundo o período da Guerra do Pacífico em Macau e a acção do diplomata britânico.

      Peter Rose é licenciado pela Universidade George Washington e pela Faculdade de Direito de Yale. Começou a exercer advocacia em Washington DC. Foi durante uma estadia em Hong Kong, na Goldman Sachs, como director de relações públicas para a Ásia, que começou a visitar Macau, tendo ficado fascinado com a história da região.

      No livro, uma iniciativa da editora de Hong Kong Blacksmith Books, Peter Rose relata os meses antes da guerra, em 1941, quando John Reeves foi colocado como cônsul britânico em Macau. Pouco depois, os japoneses declararam guerra ao Ocidente depois dos ataques em Pearl Harbor e Hong Kong, tornando-se Macau uma “pequena ilha de neutralidade” na região.

      Reeves, descrito no livro como um “homem solitário e desajeitado”, vê-se como o único representante sénior dos Aliados num raio de milhares de quilómetros. Dirige redes de espionagem, recolhe informações, leva pessoas para a liberdade, cuida de refugiados e chega a ser mesmo ameaçado de assassinato.

      Ontem, na apresentação do livro no Festival Literário, Peter Rose deu ao governador português à data, Gabriel Maurício Teixeira, o lugar de co-protagonista do livro. “Ele tomou a espantosa decisão – espantosa porque, se olharmos para os mapas e virmos a pequena cidade que Macau era sem maneira de ser autossuficiente – de abrir as portas aos refugiados. Qualquer um que chegasse a Macau podia ficar”, contou o advogado norte-americano, assinalando que os portugueses tinham uma definição mais ampla daquilo que poderia ser um cidadão português, em comparação com o que faziam os britânicos em Hong Kong.

      Na ocasião, Rose explicou que o seu pai viveu a guerra do Pacífico e que conviveu de perto com as histórias da ocupação japonesa de Hong Kong e Singapura. Mais tarde, soube que havia sido publicado um manuscrito de John Reeves e fez questão de o ler para saber mais sobre a história do cônsul. Depois de se reformar, decidiu escrever o seu livro. Peter Rose confidenciou que levou cerca de oito anos a escrever o livro. Começou a fazer a pesquisa em Janeiro de 2016 e o livro foi publicado este ano.