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      InícioCulturaCongresso em Macau assinala os 500 anos de Camões

      Congresso em Macau assinala os 500 anos de Camões

      Realiza-se este fim-de-semana o Congresso Internacional do Meio Milénio de Camões, em Macau. A iniciativa partiu da Rede Camões na Ásia & África e conta com a participação de 17 congressistas de oito países. Felipe de Saavedra, coordenador da rede, afirmou ao PONTO FINAL que a relevância de Camões hoje em dia é “maior do que nunca”.

       

      Vai realizar-se este fim-de-semana, o Congresso Internacional do Meio Milénio de Camões, em Macau. No sábado, as sessões decorrem na Fundação Rui Cunha e no domingo o evento é totalmente ‘online’. Organizado pela Rede Camões na Ásia & África, cujo coordenador é Felipe de Saavedra, a iniciativa vai reunir 17 congressistas de oito países.

      O congresso começa às 9h de sábado, com uma alocução de boas-vindas de Rafael Custódio Marques, cônsul-geral de Moçambique, e depois Felipe de Saavedra vai falar sobre Camões hoje, e em Macau. De seguida, há um painel sobre a presença do poeta em África, que vai incluir Lourenço do Rosário, da Universidade Politécnica de Moçambique, Rui Pereira e Lurdes Rodrigues da Silva, da Universidade Eduardo Mondlane. Mais tarde, falar-se-á sobre Camões na Ásia, num painel que vai reunir Danny Susanto e José Carlos Canoa, ambos da Rede Camões na Ásia & África.

      Sábado à tarde, as odes de Camões estarão em destaque, num painel que vai contar com a participação de Zhang Weimin, Spencer Low e Felipe de Saavedra. O dia termina com um momento “musical camoniano” da autoria da compositora e cantora Scarlett Ma.

      No domingo, as sessões começam a partir das 16h, com Telmo Verdelho, da Universidade de Aveiro, a falar sobre a perspectiva diacrónica da língua portuguesa na obra do poeta. Depois, Luíza Nóbrega, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, no Brasil, e José Carlos Seabra Pereira, do Centro Interuniversitário de Estudos Camonianos, em Portugal, irão abordar a sua poética.

      Mais tarde, o tema principal será o papel de Camões na Índia. Este painel vai incluir Chalakkal Joseph Davees, da Rede Camões na Ásia & África, Loraine Alberto, da mesma organização, e Irene Silveira, da Universidade de Goa, na Índia. Por fim, o congresso termina com Eduardo Ribeiro a falar sobre a tradição e a historicidade da presença de Camões em Macau.

      Em 2022, a Rede Camões na Ásia & África já tinha organizado, em Jakarta, na Indonésia, o Congresso Internacional dos 450 Anos de Os Lusíadas. Este congresso “foi a primeira e a mais ampla celebração da efeméride camoniana alusiva aos quatro séculos e meio da publicação em Lisboa de Os Lusíadas”, diz a organização.

       

      CAMÕES MAIS RELEVANTE QUE NUNCA

       

      “A relevância [de Camões] é hoje maior do que nunca”, afirmou Felipe de Saavedra ao PONTO FINAL, completando: “Admira-se nele o homem que foi capaz de fazer a ponte entre o passado clássico, os diversos mundos medievais, os prodígios das Descobertas e até o futuro. E que simbolizará de forma perene a união entre a China e Portugal, entre o Oriente e o Ocidente, a sabedoria e a acção, a aventura e a meditação”.

      Questionado sobre se a presença do poeta em Macau está a ser bem preservada, o organizador da iniciativa responde que “está condignamente recordada, de acordo com o respeito pelo passado e com os seus símbolos que aqui habitualmente encontramos”. Porém, admite que “algo mais há a fazer” e, por isso, neste congresso serão enunciadas as “tarefas mais relevantes para os próximos tempos”, neste aspecto.

      Além disso, comentou que “este encontro no Congresso do Meio Milénio de Camões em Macau será um poderoso factor de motivação que irá com certeza suscitar novos projectos”.

      A Rede Camões na Ásia & África tem como objectivo apoiar os tradutores orientais da obra de Luís de Camões que antes trabalhavam isolados, colocando-os em rede com outros especialistas na obra do poeta que vivem nestas regiões. Esta rede dedica-se aos projectos editoriais de uns e de outros, “para que não se perca o impulso e o empenho de espíritos corajosos, capazes de enfrentar uma obra com a extensão e a complexidade de Os Lusíadas”. Os 500 anos de Camões é, então, uma “efeméride incontornável” para a organização, salienta Felipe de Saavedra.