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      Associação alerta para aumento de problemas de saúde mental dos funcionários de jogo

      O número de pedidos de ajuda sobre problemas emocionais entre trabalhadores do sector do jogo está a aumentar, segundo os dados da Casa dos Trabalhadores da Indústria de Jogo, referindo que os casos relevantes subiram quase oito pontos percentuais no ano passado. A entidade disse que alguns deles estavam relacionados com a pressão de trabalho devido à exigência mais elevada do serviço imposta pelos casinos aos funcionários.

       

      A Casa dos Trabalhadores da Indústria de Jogo de Macau recebeu 172 novos casos de pedidos de ajuda no ano passado, dos quais 30 disseram respeito a problemas psicológicos e emocionais dos funcionários de casinos, e três casos envolveram perturbações mentais graves. Os 30 casos constituíram 17,44% do total dos novos pedidos, que viram um aumento de quase oito pontos percentuais face ao número de 2022.

      Pak Kin Pong, chefe da Casa dos Trabalhadores da Indústria de Jogo, apontou que os factores que originam procura de ajuda psicológica por parte dos funcionários do sector de jogo são diversos. Além do emprego, “pode ser relacionado com o próprio estado emocional, a relação com o cônjuge ou a educação de crianças”, indicou.

      Além disso, admitiu que a pressão oriunda do trabalho foi também uma razão prominente que os levou a recorrer à ajuda. O responsável destacou que os casinos têm agora exigências mais rigorosas em relação ao desempenho de funcionários, sobretudo requerendo serviços de atendimento de qualidade mais elevada, tendo também menos tolerância a erros no trabalho.

      Esta situação começou entre 2020 e 2021 durante a pandemia, quando houve menos negócio nos casinos, segundo Pak Kin Pong, “e os funcionários poderão não ter conseguido suportar em termos psicológicos”. “Actualmente, a fonte de pressão dos trabalhadores do sector existe, quando o negócio de casinos está a recuperar, e os recursos humanos ainda estão carentes e o volume de trabalho aumenta, e as empresas optam por continuar a impor uma exigência elevada. Isso cria pressão a certos funcionários que têm menos resiliência mental”, observou.

      Perante a pressão psicológica dos trabalhadores do sector de jogo, Leong Sun Iok, presidente da associação, enfatizou que a prevenção é sempre melhor que o trabalho, pelo que este ano vai dar início a mais trabalhos de sensibilização e prevenção. “Apelamos às concessionárias para lançar mais políticas amigas para os seus funcionários liderarem melhor com o trabalho e a vida quotidiana. No futuro, quando o turismo continuar a aumentar, vão chegar mais jogadores, e esperamos que as operadoras de jogo organizem cursos para aumentar a competência dos funcionários para enfrentar esse desenvolvimento”, disse.

      Leong Sun Iok avançou que o organismo vai realizar um inquérito sobre o estado psicológico dos funcionários do sector em Maio deste ano, devido ao aumento de pedidos de ajuda, na esperança de que as empresas de jogo formulem medidas e serviços para manter a saúde mental dos seus trabalhadores.

       

      MENOS JOGO PROBLEMÁTICO

       

      Na ocasião da divulgação do balanço de trabalho, a entidade adiantou que acompanhou 235 casos no ano transacto, sendo 172 novos, cujos 72% dos solicitantes eram mulheres. A maioria das pessoas (65%) que recorreram ao serviço tem idade compreendida entre 36 e 55 anos. Mais de 46% dos casos estavam relacionados ao trabalho e à procura de emprego, enquanto houve, respectivamente, 20 casos sobre o distúrbio do vício do jogo, problemas familiares e pedido de assistência social.

      Pak Kin Pong sublinhou que sete dos 20 pedidos de ajuda relativos ao jogo problemático foram apresentados por iniciativa de necessitados, dos quais três são ‘croupiers’. “Cada vez menos funcionários do sector sofrem do distúrbio do vício do jogo”, frisou Pak, realçando que no passado houve o preconceito de que os ‘croupiers’ jogassem frequentemente.

      O chefe do centro ligado à Federação das Associações dos Operários acrescentou que a recuperação económica ajudou a resolver a maior parte dos problemas relacionados com o emprego dos solicitantes de ajuda, dado que as concessionárias e outras empresas voltaram a recrutar pessoas. Segundo o mesmo, 60% das pessoas que recorreram a ajuda conseguiram encontrar trabalho ou mudar de emprego no ano passado.