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      Grupos ambientalistas acusam Governo de ocultar informação sobre áreas de actividades de golfinhos

      Vários grupos ambientalistas defendem que a construção da Ilha Ecológica vai afectar as actividades dos golfinhos cor-de-rosa, manifestando oposição à atitude do Governo de avançar com o projecto. Os grupos consideram que o Governo tem escondido informações sobre golfinhos no estudo de impacto ambiental, com textos e gráficos censurados. Os entusiastas da ecologia de Macau dizem ainda que, entre os últimos dois meses, registaram-se 28 avistamentos de grupos de golfinhos cor-de-rosa na área da futura ilha ecológica.

       

      Dois grupos de protecção ambiental exortam o Governo da RAEM a tornar transparentes todas as informações sobre as zonas de actividades e de distribuição dos golfinhos cor-de-rosa à volta de Macau. Os grupos Wildlife Diary of Macau e Hong Kong Dolphin Conservation Society denunciaram o encobrimento de parte das respectivas informações por parte do Governo, que “divulgou apenas informações a favor da Administração”, e aquelas “sobre a distribuição dos golfinhos cor-de-rosa em torno da Ilha Ecológica permanecem escondidas”.

      O pedido surgiu na sequência da posição tomada pela Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA), que rejeitou que o projecto da Ilha Ecológico prejudique o habitat desses golfinhos, por não ser um sítio que estes animais frequentemente visitem. O director Raymond Tam citou um estudo de avaliação ambiental para afirmar que a espécie concentra as suas actividades na extremidade sul da pista do aeroporto.

      Segundo as declarações publicadas no domingo pelo Wildlife Diary of Macau, até ao momento, o estudo relativo a golfinhos cor-de-rosa é muito limitado, sendo que as informações só constam no Relatório de Avaliação de Impacto Ambiental sobre a Expansão do Aeroporto Internacional de Macau, que foi publicado em 2022.

      “Para além dos dados sobre os golfinhos cor-de-rosa nas imediações do aeroporto, há também provas de actividades dos golfinhos no local da ilha ecológica”, sublinhou o grupo, revelando, no entanto, que “os textos e os diagramas e mapas foram deliberadamente escurecidos e escondidos”.

      A Hong Kong Dolphin Conservation Society diz que a Direcção dos Serviços de Assuntos Marítimos e de Água (DSAMA) de Macau ignorou a conservação dos animais marítimos no documento de consulta do “Zoneamento Marítimo Funcional” e do “Plano das Áreas Marítimas”.

      O grupo Wildlife Diary of Macau, além disso, argumentou que as áreas de actividade dos golfinhos cor-de-rosa “sobrepõem-se altamente” ao local escolhido para a ilha ecológica. “A nossa equipa realizou uma investigação independente nas águas da ilha ecológica e observou 28 grupos de golfinhos cor-de-rosa [em dez observações], o que é um facto inquestionável, com registos e fotografias”, disse. Segundo o mesmo, as observações foram realizadas desde 19 de Dezembro de 2019 até segunda-feira da semana passada, no Sul e no sudeste do trilho de Long Chao Kok de Hac Sá, onde ficará a ilha ecológica.

      Por outro lado, o grupo ambientalista questionou igualmente a razão pela qual foi aprovado o projecto da expansão do aeroporto, “caso o sul da pista do aeroporto seja a zona concertada de actividades dos golfinhos cor-de-rosa, como diz o Governo”. Citando o exemplo de Hong Kong, onde foi construída a ilha artificial para a Ponte do Delta com área ainda mais pequena do que a ilha ecológica, o Wildlife Diary of Macau realçou que a zona tem registo de comportamentos sociais e de procura de alimentos dos golfinhos, mas, após a conclusão da construção da ilha, a utilização da zona marítima por parte dos golfinhos “caiu para zero”.  “Mesmo que a cidade vizinha tenha criado mais tarde uma zona de conservação, não vai mudar o facto de o ecossistema marinho estar a ser destruído. Os golfinhos cor-de-rosa perderam um habitat importante, pelo que Macau deve aprender a lição e evitar a repetição da mesma tragédia”, alertou o grupo.