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      Deputado propõe parque de ecoturismo nos mangais entre Macau e Hengqin

      Em 2013, a Zona Húmida de Mangais de Macau foi seleccionada como uma das dez zonas húmidas mais atractivas da China. Para o deputado da FAOM, a oportunidade para o desenvolvimento de ofertas de ecoturismo está a ser subaproveitada pelo Governo, que está mais focado na construção de pontes e outros empreendimentos.

       

      Nas últimas décadas, Hengqin e Macau têm levado a cabo, sucessivamente, projectos de desenvolvimento urbano de grande escala, recordou o deputado Lam Lon Wai, empreendimentos que agravaram a poluição ambiental do mar interior de Macau e terão um impacto significativo no ecossistema natural local. Na sua interpelação, o membro da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) quis abordar estas questões e sobre os mangais e terras húmidas da cidade, recordando que Macau tem cerca de 30 hectares de zonas húmidas de mangais. Ao todo, 3 mil mangais foram plantados, num esforço de restauração artificial que é reconhecido nacionalmente.

      “Em 2013, a Zona Húmida de Mangais de Macau foi seleccionada como uma das dez zonas húmidas mais atractivas do país”, recordou, acrescentando que “em 2015, a Administração Oceânica do Estado salientou que as técnicas aplicadas na restauração da linha costeira dos mangais de Macau eram dignas de referência”. Mas esta mais-valia do território, diz, não está a ser valorizada de forma eficiente, já que “no documento de orientação para 2024, a cobertura das políticas de conservação relevantes é menor, tendo sido atribuídos mais recursos a outros domínios”, critica. O deputado quer ainda saber se os serviços competentes dispõem de estudos ou de programas de desenvolvimento específicos para a conservação da natureza.

      Por outro lado, há falta de visão da parte das autoridades quanto ao ecoturismo, forma de desenvolvimento que é sustentável: o investimento do Governo na conservação ecológica não deve ser visto meramente como uma “despesa”, defende, mas sim uma forma de “criar valor” através da integração e da utilização dos “pontos fortes locais”.

      “Poderão Macau e Henqqin considerar a construção de um parque nacional de mangais húmidos ou de uma zona de ecoturismo em ambas as margens do rio, em conformidade com a estratégia “1+4” de desenvolvimento adequado e diversificado?”, sugere.

      Lam Lon Wai recorreu ao exemplo de Langkawi, na Malásia, para ilustrar um exemplo de uma região rica em ecologia de zonas húmidas e mangais, que soube desenvolver de forma eficaz o ecoturismo, o turismo com base nas matérias-primas existentes, e o alojamento especializado, com “indústrias culturais e criativas conexas, impulsionadas pelos mangais”. Para si, a colaboração com Henqqin é crucial. A Zona de Cooperação Profunda de Hengqin-Guangdong-Macau aliada aos conceitos de “Eixo de Turismo Histórico da Orla Marítima” e o “Eixo de Cooperação de Um Rio e Duas Margens”, tem tudo para que se consiga desenvolver eficazmente pontos de interesse turístico ecológico. Para si, os recursos terrestres existentes permitem que se criem ainda percursos ecológicos valorizando as “características especiais de Macau”.

      Os mangais possuem a capacidade de filtrar poluentes como os metais pesados, e como tal ajudam a melhorar a qualidade das águas costeiras. Juntamente com as ervas marinhas e os sapais, os mangais estão também a receber mais atenção a nível mundial devido ao seu papel na mitigação e adaptação às alterações climáticas. Numa cidade costeira como Macau, vulnerável aos impactos das tempestades, os mangais podem ajudar a proteger fisicamente a linha costeira, actuando como uma “parede verde”, amortecendo o impacto das ondas fortes.