José Pereira Coutinho remeteu ontem uma interpelação escrita ao Governo sobre o Dia Internacional da Juventude, que se comemorou na semana passada. O deputado defende que Macau tem um “dever especial de liderança e compromisso com a agenda global da juventude”.
O Dia Internacional da Juventude, que se comemorou no passado dia 12 de Agosto, no Quénia, foi o foco de uma interpelação escrita apresentada ontem por Pereira Coutinho. O deputado defende que “a singularidade histórica desta data – cuja origem remonta à Conferência Mundial de Ministros Responsáveis pela Juventude, realizada em Lisboa, Portugal, em 1998 – confere a Macau um dever especial de liderança e compromisso com a agenda global da juventude”.
As celebrações deste ano reuniram lideranças juvenis internacionais, autoridades locais, responsáveis pela formulação de políticas educativas, delegados da ONU e especialistas em desenvolvimento juvenil. Este encontro em Nairobi visou “fomentar a troca de soluções inovadoras e boas práticas para reforçar a cooperação internacional no âmbito do desenvolvimento local sustentável, capacitando os jovens como arquitetos do seu próprio futuro”, indicou Coutinho.
“Considerando a responsabilidade acrescida que recai sobre Macau enquanto território vinculado à origem portuguesa desta efeméride, impõe-se aferir o compromisso concreto da RAEM” neste âmbito, afirmou o presidente da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM).
Coutinho dá conta de um estudo publicado em 2024 pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), que demonstrou que cerca de 70% dos jovens inquiridos, a nível global, reclamam maior acesso a cursos de formação em sustentabilidade, oportunidades de emprego de qualidade, educação inclusiva e saúde acessível, e mecanismos robustos de protecção social. Assim, o deputado pergunta ao Governo quais as conclusões operacionais extraídas pelo Governo da RAEM face a este diagnóstico internacional e o poderá ser implementado na RAEM a curto e médio prazo. “Que medidas específicas e calendarizadas serão implementadas, no curto e médio prazo, para responder a estas aspirações da juventude macaense, alinhando Macau com os padrões globais de excelência em políticas juvenis?”, interroga.
Reconhecendo o “papel central das comemorações locais na sensibilização e mobilização dos jovens macaenses”, Pereira Coutinho pergunta também quais as “iniciativas estruturantes” que estão a ser planeadas pelo Governo da RAEM, em parceria com a sociedade civil, para assinalar o Dia Internacional da Juventude a nível local.
Coutinho sugere que a data seja assinalada em Macau através de “debates públicos e campanhas de sensibilização sobre igualdade de género, saúde mental, justiça climática e outros temas críticos para a juventude, actividades em escolas secundárias e instituições de ensino superior” ou “eventos desportivos abertos à comunidade” e “manifestações culturais”.











