Ron Lam lamenta “reacção exagerada” de Raimundo em relação às críticas ao Metro Ligeiro

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FOTOGRAFIA GONÇALO LOBO PINHEIRO

 

Após o repúdio por parte do Gabinete de Raimundo do Rosário quanto às críticas à construção do Metro Ligeiro, o deputado Ron Lam disse que lamenta a “reacção exagerada” e o “desrespeito à fiscalização dos deputados e da Assembleia Legislativa” das autoridades.

“[O artigo que repudia] foi uma entrevista aos meios de comunicação social em relação ao relatório do Comissariado de Auditoria, e não um comentário escrito por mim. A palavra ‘eliminação’ nunca apareceu no texto, já as ‘irregularidades na realização de tarefas ou no uso de materiais’ foi um resumo simples do jornalista quando relatou os problemas revelados pelo relatório”, sublinhou o deputado numa nota remetidas à redacção.

A história teve início num relatório publicado pelo Comissariado de Auditoria, há mais de uma semana, acerca da causa da falha no cabo eléctrico da Linha da Taipa do Metro Ligeiro, onde foram ainda dirigidas críticas às autoridades competentes por problemas na supervisão e controlo do serviço.

Ron Lam pediu posteriormente, no Jornal do Cidadão, a intervenção do Comissariado Contra a Corrupção à aquisição do cabo eléctrico em questão. No seguimento, o secretário para os Transportes e Obras Públicas repudiou, na sexta-feira, as alegações que dizem que “algumas informações constantes dos documentos do Governo foram ‘eliminados’ e que houve ‘irregularidades na realização de tarefas ou no uso de materiais ’nas obras”, por “afectar gravemente” os trabalhos realizados pelo Governo.

Na opinião do deputado, o uso do termo “irregularidades na realização de tarefas ou no uso de materiais” para resumir os problemas “é puramente uma questão do ponto de vista”, sendo que a reacção das autoridades “é obviamente exagerada”.

“No entanto, as autoridades não estão familiarizadas com o funcionamento profissional da imprensa e não procuraram qualquer verificação. Tal como a resposta oficial falava da ‘especulação meramente intuitiva e sem qualquer fundamento’, as autoridades especularam assim que a notícia foi eu que escrevi e divulguei através dos meios de comunicação social. Lamento profundamente a falsa acusação”, disse.

Além disso, Ron Lam opõe-se ainda à afirmação do gabinete de Raimundo do Rosário que não há “recuperação” de informações pelos serviços públicos, apontando que o próprio relatório da Auditoria abordou a “recuperação”. “Prova que a Administração nunca estudou nem respeitou verdadeiramente as questões levantadas no relatório”, criticou.

O deputado recordou ainda que solicitou por duas vezes, através da Assembleia Legislativa, o relatório de investigação sobre a suspensão da operação do Metro Ligeiro, mas sem sucesso. “Tal desrespeito pelo poder de fiscalização da Assembleia Legislativa e dos deputados não poderia ser melhor descrito por mim do que ser evasivo e defender as suas falhas”, concluiu.