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      Exposição fotográfica da “Somos!” reflecte sobre a solidão vivida na pandemia em países lusófonos

      Fotografias tiradas em países de língua portuguesa durante o flagelo da Covid-19 vão estar em destaque na Casa Garden durante o mês de Janeiro. A “Somos! – Associação de Comunicação em Língua Portuguesa” dá assim a conhecer os premiados e recipientes de menções honrosas do concurso que lançou em Julho de 2023, que tinha como mote a “Solidão dos Dias”.

       

      A “Somos! – Associação de Comunicação em Língua Portuguesa” (Somos – ACLP) inaugura na Casa Garden a 12 de Janeiro, sexta-feira, a exposição “Somos Imagens da Lusofonia 2022 – Na Solidão dos Dias”, com curadoria do arquitecto Francisco Ricarte. Na mostra fotográfica estarão patentes as fotografias vencedoras do concurso lançado em Julho de 2023, assim como as menções honrosas e outras imagens que o júri considerou relevantes por promoverem a comunicação em língua portuguesa e a disseminação das tradições e características lusófonas.

      Na mesma nota, os organizadores partilharam que a quarta edição do concurso de fotografia, que é organizado anualmente pela “Somos!”, teve como mote “a solidão vivida naqueles dias de restrições impostas globalmente pelas autoridades sanitárias, medidas que causaram medo, solidão, e deixaram-nos órfãos de afectos”.

      O concurso fotográfico foi aberto a todos os cidadãos dos países e regiões da Lusofonia e residentes de Macau, com fotografias tiradas em qualquer um destes locais: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Macau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste ou Goa, Damão e Diu. O painel de jurados foi composto por um grupo de fotojornalistas de Macau, Brasil e Portugal, designadamente Gonçalo Lobo Pinheiro (presidente do júri e representante da Somos – ACLP), Rui Miguel Pedrosa, Francisco Ricarte, Marcio Pimenta e Henry Milleo.

      O brasileiro Raphael Alves foi o vencedor do concurso “Somos Imagens da Lusofonia”, com a fotografia intitulada “Insulae”, arrecadando o primeiro prémio de 10 mil patacas. O autor da fotografia captada num cemitério em Manaus, no Brasil, refere que esta retrata as desigualdades socioeconómicas e a “falta de políticas para a região mostrar a fragilidade do maior estado brasileiro, o Amazonas”, partilhou. “Durante a pandemia de Covid-19, apenas três familiares de cada vítima podiam comparecer aos enterros nos cemitérios de Manaus. Uma morte isolada”.

      O júri decidiu atribuir o segundo prémio, de 5 mil patacas, a uma fotografia do português Jorge Meira, intitulada “Safe Distance”, tirada em Julho de 2020, em Vila Praia de Âncora, depois do plano de desconfinamento do Governo português que previa um distanciamento de 1,5 metros entre veraneantes. “Alguns fizeram marcações na areia para garantirem o cumprimento das medidas governamentais”. Por sua vez, Dário Paraíso arrecadou o terceiro prémio, de 3.500 patacas, com uma imagem de São Tomé, captada no Mercado de Bobo Forro em 2020. A “Espera” descreve a paragem no tempo há muito conhecida de São-Tomé e Príncipe: “após a sua independência, as estruturas físicas e matérias pararam no tempo de mãos dadas com as estruturas imateriais (…) Aqui já se sabia o seu significado. Isolamento. Insularidade. Distâncias. Separação”.

      Na exposição patente no espaço da Fundação Oriente até 28 de Janeiro também é possível ver os três trabalhos que receberam menções honrosas. Um dos premiados foi Bruno Taveira com a fotografia “Em busca do essencial”, que retrata uma fila de pessoas na busca incessante de bens alimentares, de primeira necessidade, aos supermercados no Concelho de Cascais, logo após o Governo Português decretar o estado de emergência. Outra é da autoria de Rodrigo Cabrita, em “Solidão Colectiva”, onde mostra o dia a dia da sua própria família, em que cada membro está isolado e focado no seu aparelho tecnológico. O terceiro trabalho é do moçambicano Marcos Júnior, com a fotografia “distância”. O autor confessou nunca ter imaginado que uma doença pudesse impedir os afectos, sobretudo de alguém que saiu do seu ventre.

      Durante o evento de inauguração da exposição “Somos Imagens da Lusofonia 2022 – Na Solidão dos Dias”, que irá decorrer pelas 18h30 na Galeria de Exposições da Casa Garden, haverá um cocktail e animação com o grupo Dança Brasil e o DJ Cuco, referiu ainda a associação.