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      Inaugurada a exposição “O Vento Sopra na Pradaria”, o evento prelúdio do Festival Literário de Macau

      A mais recente exposição de fotografia da Galeria do Tap Seac apresenta as paisagens e tradições da Mongólia Interior através da objectiva do fotógrafo chinês Wang Zhengping.

       

      Guiomar Salema

       

      A Galeria do Tap Seac inaugurou ontem, pelas 18h30, a exposição “O Vento Sopra na Pradaria”. A exposição estará patente até ao dia 28 de Abril e apresenta o trabalho do fotógrafo chinês Wang Zhengping, servindo de evento de pré-abertura da décima quarta edição do Festival Literário de Macau.

      “Wang Zhengping é muito famoso na China”, disse Na Risong, curador da exposição, em declarações ao PONTO FINAL. A exposição centra-se na fotografia equestre, ao mesmo tempo que oferece uma perspectiva etnográfica sobre a cultura e as tradições da Mongólia Interior. “Wang tem um estilo muito especial”, afirmou Risong, “Consegue captar as emoções dos cavalos como se fossem pessoas”.

      As composições de Wang retratam as paisagens e os animais da região, reflectindo o seu envolvimento de longa data com o tema. “Gosto de pensar que Wang Zhengping compreende a linguagem dos cavalos da Mongólia”, observou Risong. “A sua paixão pela região é evidente nas suas fotografias”, prosseguiu.

      O co-curador da exposição, João Miguel Barros, salientou também os desafios técnicos e ambientais envolvidos na fotografia na Mongólia. “É uma honra ter esta exposição aqui em Macau. O facto de o Wang Zhengping ter conseguido transformar este inferno na terra, que o é muitas vezes, nestas fotografias fantásticas é prova de que ele realmente é um artista excepcional”, referiu.

      Fotografar na Mongólia requer uma resistência física significativa devido às condições climatéricas duras, que vão desde Verões escaldantes a Invernos gelados. As paisagens vastas e abertas apresentam dificuldades logísticas adicionais, tornando o acesso a certas regiões um desafio. Os movimentos imprevisíveis dos cavalos acrescentam ainda outra camada de complexidade, exigindo paciência e perícia técnica para captar a fotografia ideal.

      O trabalho de Wang Zhengping tem sido reconhecido internacionalmente desde 2015. A sua fotografia foi classificada entre os dez melhores pioneiros da fotografia asiática pela revista Pixel, e a sua documentação contínua das paisagens da Mongólia continua a receber atenção. As suas imagens servem como composições artísticas e registos históricos de um modo de vida que persiste há séculos.

      Embora a exposição se centre principalmente na fotografia equestre, também destaca o contexto cultural mais alargado da Mongólia Interior. A ligação tradicional entre os nómadas da Mongólia e os seus cavalos está profundamente enraizada na sua herança, moldando os seus costumes, a sua economia e as suas rotinas diárias.

      A exposição na Galeria do Tap Seac alinha-se com os temas da edição de 2025 do Festival Literário de Macau, integrando a narração visual de histórias com discussões literárias e apresentações artísticas. Ao trazer estas imagens para Macau, a exposição proporciona uma visão de um ambiente que continua a ser pouco familiar para muitos espectadores e oferece uma oportunidade para reflectir sobre o contraste entre a vida urbana e as tradições nómadas e para considerar o papel da fotografia na preservação do património cultural.