Edição do dia

Quinta-feira, 29 de Fevereiro, 2024
Cidade do Santo Nome de Deus de Macau
nuvens dispersas
16.9 ° C
16.9 °
16.9 °
77 %
3.6kmh
40 %
Qua
19 °
Qui
21 °
Sex
17 °
Sáb
16 °
Dom
20 °

Suplementos

PUB
PUB
Mais
    More
      Início Sociedade Auditoria aponta falhas na supervisão e controlo do serviço do Metro Ligeiro

      Auditoria aponta falhas na supervisão e controlo do serviço do Metro Ligeiro

      O Comissariado da Auditoria (CA) divulgou ontem o relatório sobre a falha no cabo eléctrico do Metro Ligeiro que obrigou à suspensão do serviço em Outubro de 2021. O problema teve a ver com falhas de origem no material, segundo a auditoria. A auditoria criticou o Gabinete para as Infra-Estruturas de Transportes (GIT) – organismo entretanto extinto – por problemas na supervisão e controlo do serviço.

       

      Foi revelado ontem pelo Comissariado da Auditoria (CA) o relatório de resultados sobre a falha no cabo eléctrico do Metro Ligeiro que obrigou a que o serviço fosse suspenso em Outubro de 2021. A auditoria deixa críticas à actuação do Gabinete para as Infra-Estruturas (GIT), organismo que foi entretanto extinto.

      O CA começa por contextualizar, dizendo que a Linha da Taipa do Metro Ligeiro, que custou 11 mil milhões de patacas, entrou em funcionamento em 10 de Dezembro de 2019, sendo que a primeira falha no cabo ocorreu em 13 de Janeiro de 2020 e, desde então, em menos de dois anos, ocorreram 18 falhas, tendo provocado interrupções no serviço, chegando a haver casos de evacuação de passageiros. Em 20 de Outubro de 2021, decidiu-se suspender o serviço por mais de cinco meses para proceder à substituição do cabo eléctrico. “O incidente não só chamou a atenção do público, como também merece, sobretudo, a atenção séria do serviço público em causa (ou do que o suceder) no que diz respeito à análise de deficiências, apuramento de responsabilidades e acompanhamento rigoroso das questões”, lê-se no relatório do CA.

      O relatório de auditoria diz que, com base nos relatórios de investigação e análise, se constata que a causa directa da falha no cabo se deveu a um enrugamento na blindagem de fita de cobre, defeito este que vem de origem, levando à danificação da blindagem ao fim de um certo tempo, originando a ruptura da camada de isolamento e, consequentemente, falhas no cabo eléctrico. Por outro lado, as especificações técnicas da camada de blindagem da fita de cobre “foram pouco exigentes, fazendo com que esta camada não fosse capaz de resistir ou reduzir o problema dos danos causados pelo seu enrugamento que, consequentemente, levou à ruptura da camada de isolamento”, diz o CA.

      Assim, o CA diz que “a realização das obras públicas em Macau não depende apenas da sua adjudicação, ela depende também da contratação de entidades externas ou peritos capazes de fornecer serviços de concepção, supervisão e gestão de projectos de qualidade”.

      A auditoria diz que “não basta apenas contratar entidades externas, é necessário que o serviço público seja capaz de estabelecer medidas razoáveis de supervisão e controlo para garantir que os serviços adjudicados sejam executados devidamente”, acrescentando que “o serviço público competente tinha alguns problemas na gestão dos projectos de construção, incluindo a gestão e controlo na contratação de entidades externas”.

      “Mesmo que o trabalho tenha sido adjudicado ou que tenha sido contratado uma entidade externa para levar a cabo os competentes trabalhos de fiscalização, tal não quer dizer que a responsabilidade do serviço público tenha terminado. Pelo contrário, enquanto dono da obra de projectos públicos de construção, o serviço público é responsável pela salvaguarda dos interesses da RAEM, devendo, por isso, tomar as devidas medidas de correcção e regulação”, sublinha o relatório do CA.

       

       

      DSOP pediu a entidade independente para proceder a ensaios por amostragem

       

      Em reacção ao relatório do Comissariado da Auditoria (CA) sobre as falhas na operação do Metro Ligeiro, a Direcção dos Serviços de Obras Públicas (DSOP) – a quem coube a apresentação de documentos para esta auditoria dado que o Gabinete para as Infra-Estruturas foi extinto – afirmou que “respeita na íntegra” as conclusões do CA. A DSOP explica também que o sistema do Metro Ligeiro foi objecto do concurso público em 2009 e que os padrões seguidos na altura eram comuns. No entanto, com a elevação dos respectivos padrões e tecnologia relevantes, as exigências técnicas dos cabos foram igualmente aumentadas. As autoridades ressalvam que, actualmente, nas obras de extensões das linhas da Barra, de Seac Pai Van e de Hengqin, adoptam cabos com padrões mais elevados. Por outro lado, a DSOP diz também que, em relação a ensaios dos cabos de padrão novo, para além de ensaio geral da fábrica, foi pedido a uma entidade terceira independente para proceder a uma série de ensaios por amostragem. Para a Linha Leste do Metro Ligeiro, será igualmente aumentado o número de sessões de ensaio, adoptando as medidas de optimização de forma activa, por forma a evitar a ocorrência de casos de natureza semelhante.

       

       

       

      Investimento no Metro Ligeiro ascende a mais de 45 milhões de patacas

       

      Segundo o relatório do Comissariado da Auditoria (CA), o valor estimado do investimento do Governo no Metro Ligeiro poderá ascender a 45,1 mil milhões de patacas. Em 2017, outra auditoria estimava que o investimento fosse de 43,2 mil milhões de patacas. Segundo os dados da última auditoria, só o investimento na Linha Leste é na ordem das 21,7 mil milhões de patacas.