Maioria dos trabalhadores continua à espera de aumentos salariais desde a pandemia

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FOTOGRAFIA Eduardo Martins arquivo

Um inquérito a 3.117 trabalhadores de vários sectores revelou que, este ano, 75% dos inquiridos não tiveram qualquer aumento nos seus salários, tendo até 20% deles visto os seus vencimentos reduzidos. A Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) quer uma maior fiscalização das contratações ilegais e acusa as autoridades de organizarem formações laborais inconsequentes.

 

A Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) e a Associação Económica de Macau apresentaram ontem os resultados de um inquérito sobre a situação laboral de trabalhadores de vários sectores do território. Os resultados mostraram que, ao longo do último ano, 75% dos inquiridos não viram qualquer aumento dos seus rendimentos em comparação com o período pré-epidémico, tendo quase 20% dos entrevistados visto até os seus salários reduzidos.

O mesmo estudo, que foi feito com base em 3.115 questionários, mostrou que mais de metade dos inquiridos estão preocupados com os seus empregos, e consideram que a questão do emprego ilegal em Macau é uma situação “grave” e que deve ser penalizada com sanções mais pesadas.

Choi Kam Fu, vice-presidente da direcção da FAOM, disse que a lei da contratação de trabalhadores não-residentes “já é aplicada há 14 anos desde promulgação em 2009”, mas que esta deveria ser reforçada para melhor responder às exigências da recuperação económica e ao aumento de trabalhadores estrangeiros, que este ano já ascendeu aos 16,5 milhões. Este defende que se aumentem as sanções contra o emprego ilegal e os trabalhadores ilegais, e que se reveja a política de importação de trabalhadores estrangeiros de modo a eliminar o trabalho transfronteiriço. O representante da FAOM também acredita que pode ser benéfico para a contratação de “talentos locais” haver uma maior transparência no processo de recrutamento de trabalhadores importados, “tornando públicos na Internet dados como a evolução do recrutamento de postos de trabalho, o número de candidatos, etc”.

O deputado Leong Sun Iok, por seu turno, também aproveitou a divulgação do mesmo inquérito para falar sobre as expectativas dos jovens trabalhadores, com 40% destes a confessarem que esperavam que houvesse mais formação no local de trabalho que lhes complementasse a falta de experiência e reduzisse as fracas expectativas que têm em relação a um mercado de trabalho que classificam como sendo de uma “concorrência feroz”. “Uma vez que muitos trabalhadores esperam melhorar o seu nível de emprego mudando para outros empregos, o Governo deve melhorar o sistema de formação profissional e reforçar as competências dos que se inscreveram nos cursos”, referiu o porta-voz da FAOM.

Neste contexto, sugeriu-se a incorporação de um sistema de formação focado nas indústrias “1+4”, em que se conjuga a “atracção e a formação de talentos ao mesmo tempo”. O deputado à Assembleia Legislativa falou ainda de programas “dispersos” de muitas instituições do território, “o que resulta numa duplicação e desperdício de recursos de formação”, devendo-se antes olhar e aprender com os procedimentos dos países vizinhos, “cujos cursos foram acreditados pelas qualificações académicas e profissionais locais, garantindo assim a qualidade e o reconhecimento dos cursos”. Em terceiro lugar, no que diz respeito ao emprego dos jovens, o Governo, as empresas e as instituições de ensino superior deviam colaborar na formação profissional e organizar regularmente estágios profissionais, propôs ainda Leong Sun Iok.

De resto, a FAOM continua a apelar a uma revisão da Lei das Relações de Trabalho, nomeadamente quanto ao reforço da protecção dos direitos básicos, como os horários de trabalho, a protecção do trabalho extraordinário, os vários tipos de licença, a compensação por despedimento, a licença de maternidade e a protecção do emprego das trabalhadoras grávidas, entre outros direitos laborais. Foi também feita referência à questão do emprego de pessoas de meia-idade e idosos, isto depois de inquiridos com idades compreendidas entre os 46 e os 66 anos se terem mostrado preocupados com dificuldades em reintegrar o mercado de trabalho.