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      Criminalidade aumentou 31,7% em um ano, mas foram registados quase menos mil casos do que em 2019  

      O secretário para a Segurança deu a conhecer os actos criminosos cometidos no território ente Janeiro e Setembro deste ano. As quase 10 mil ocorrências – numa subida de 2.344 em relação ao ano anterior, mas menos 945 do que em 2019 – foram principalmente crimes de furto, burla, roubo e agiotagem, mas também de violência, casos que envolveram na sua grande maioria cidadãos do interior da China e conflitos relacionados com dinheiro.

       

       

      Apresentando os dados estatísticos recolhidos nos primeiros três trimestres do ano, Wong Sio Chak, fez uma apresentação detalhada dos vários tipos de crimes cometidos no território, comparando os dados com 2019 e 2022, antes e depois da pandemia. O secretário para a Segurança quis frisar que “desde que foi retomada a normalidade de passagem fronteiriça em Macau e nas regiões vizinhas, no início deste ano, que o número de turistas aumentou substancialmente, impulsionando a recuperação gradual da economia de Macau”. Isto originou “diversos factores que prejudicam a segurança de Macau”, levando a que a cidade se encontre agora de novo “numa situação relativamente semelhante à existente antes da epidemia”.

      Até ao fim de Setembro a Polícia de Macau instaurou 9.653 inquéritos criminais, num aumento de 31,7% e 2.324 casos face ao mesmo período do ano anterior. Ainda assim, este valor global é inferior ao mesmo período de 2019, em menos 945 casos e uma percentagem de 8,9%. Destes quase 10 mil casos, mais de metade são os chamados “crimes contra o património”: Foram registados 5.936 casos, o dobro do ano passado, mas menos 9,2% do que em 2019. De entre estes, 1.413 foram casos de “furto”, mais 84% do que em 2022, mas menos 29,3% do que em 2019.

      As burlas, tema que muito tem preocupado as autoridades, naturalmente também aumentaram, com os 1.643 casos a subirem em 69,2% desde 2022. Comparando com 2019, também houve um acréscimo semelhante de 55,1%. Este, aliás, foi o único valor de 2023 que ultrapassou o de 2019, já que, quanto a roubos, este ano os 30 casos equivalem apenas metade aos registados em 2019. De notar que em 2022, último ano da pandemia, apenas ocorreram seis roubos.

      Outro dado que merece destaque é o do crime de “usura”, mais conhecida como agiotagem: os números registados este ano, com 73 casos, duplicaram em um ano, mas mesmo assim não chegaram nem de perto aos valores elevados de 2019, ano em que ocorreram 472 casos.

      As autoridades defenderam que o notável aumento do número de crimes de burla e de furto é semelhante à situação da maioria dos países e das regiões vizinhas e, como tal, as polícias de Guangdong, de Hong Kong e de Macau continuam a realizar a operação conjunta policial “Trovoada 2023”, operação que este Verão uniu os Serviços de Polícia Unitários, os Serviços de Alfândega, o Corpo de Polícia de Segurança Pública e a Polícia Judiciária, “tendo sido realizadas 2.094 acções de combate e rusgas, mobilizadas 23.175 forças policiais e feitas 86.005 investigações a pessoas, das quais 1.140 foram entregues aos órgãos judiciais pela presumível prática de 930 casos, incluindo crimes de droga, auxílio de imigrantes ilegais, usura, burla, branqueamento de capitais, exploração de prostituição, associação criminosa, entre outros crimes”.

      Abordando o segundo tipo de crimes que mais ocorre em Macau, o secretário para a Segurança traçou a evolução dos “crimes contra pessoas” e também da “criminalidade violenta”. No geral, foram registados 1.642 crimes contra pessoas, mais 18 do que o ano passado e menos 243 do que em 2019, mas observando em detalhe os dados da criminalidade violenta, desde a abertura das fronteiras, à excepção da ofensa grave à integridade física e o tráfico e venda de drogas, valores que permaneceram inalterados, todos os outros tipos de criminalidade aumentaram: o roubo subiu de 6 para 30 casos, o sequestro de 5 para 17 casos, a violação de 16 para 27, e o fogo posto de 20 para 31, entre outros.

      Quanto aos crimes sexuais, este ano os casos de violação subiram de 16 para 27 casos, mas ainda assim são em número inferior do que o que foi registado no mesmo período do ano 2019. As autoridades referiram que quase 70% dos suspeitos e das vítimas não eram residentes de Macau, sendo que os crimes ocorreram, de um modo geral, em quartos de hotel e as vítimas deslocaram-se voluntariamente a esses hotéis. Estas violações que decorrem possivelmente de situações de prostituição, comentou o secretário, levou a que este acrescentasse que as autoridades policiais têm reforçado a troca de informações com o sector hoteleiro no combate às actividades de prostituição e aos crimes de exploração de prostituição desenvolvidas nos hotéis ou escondidas nos bairros comunitários.

       

      Burlas pela Internet disparam e causam perdas de quase 200 milhões de patacas

       

      As burlas com recurso às telecomunicações e à internet em Macau subiram 59,4% em termos anuais nos primeiros nove meses de 2023 e provocaram perdas superiores a 200 milhões de patacas. De acordo com os dados divulgados ontem pelo secretário para a Segurança, registaram-se 872 burlas cometidas através de telefone ou online entre Janeiro e Setembro, mais 325 casos do que em igual período de 2022.

      A maioria das burlas (599, mais 29,7%) aconteceram com recurso à internet, embora o maior aumento tenha ocorrido nas burlas através do telemóvel (273), que mais do que quadruplicaram.

      Num relatório, a tutela da Segurança revelou que em 170 casos as vítimas foram contactadas por burlões que fingiram serem “funcionários de serviços públicos” enquanto em 135 as burlas envolveram “a venda de bilhetes para concertos através da Internet”.

      Wong Sio Chak disse que, durante a pandemia, “o modo de vida do público mudou e a sua dependência da internet aumentou, fazendo com que o tipo de crimes tradicionais (…) se tenha transformado aceleradamente”. O secretário disse que a Polícia Judiciária (PJ) desmantelou, nos primeiros nove meses do corrente ano, 67 casos praticados por redes de burlas, incluindo vários casos praticados por redes criminosas transfronteiriças.

      O relatório mencionou que, em Abril, Agosto e Outubro, a PJ deteve quatro pessoas em três locais onde estavam configurados sistemas de telecomunicações que teriam sido usados em pelo menos 100 mil burlas telefónicas. Wong Sio Chak prometeu reforçar o combate a esses casos, que provocaram perdas às vítimas de “pouco mais de 200 milhões de patacas”.

      O secretário acrescentou que, graças a um mecanismo de alerta para suspensão de transações suspeitas e cessação de pagamento, a polícia conseguiu recuperar mais de 110 milhões de patacas em 505 casos.

      Ainda assim, Wong Sio Chak sublinhou que as burlas com recurso às telecomunicações e à internet se tornaram no tipo de crime com “o aumento mais significativo” não só em Macau, mas também “nas regiões vizinhas”.

      Centenas de milhares de pessoas, a maioria dos quais chineses, têm sido alvo de tráfico humano para centros no Sudeste Asiático, onde são forçados a defraudar os seus compatriotas através da internet. De acordo com um relatório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos divulgado em Agosto, cerca de 100 mil pessoas foram traficadas para o Camboja e pelo menos 120 mil para Myanmar.