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      Panorama do cinema local em mais uma edição do festival da Associação CUT  

      Até dia 10 de Dezembro, a Casa Garden e a Sala de Projecções Pin To vão exibir produções de cineastas da RAEM: para além de dar a conhecer o trabalho da geração mais nova do cinema local, o festival “Macau Films & Video Panorama”, da Associação Audiovisual CUT, este ano também destaca vários vídeos-dança, produções escolhidas por universidades de Macau, e ainda algumas produções premiadas de Hong Kong e Taiwan.

       

      Depois da festa de abertura na sexta-feira, o “Macau Filmes & Video Panorama”, da Associação CUT, prossegue com mais projecções e encontros em torno da produção cinematográfica local. A organização vê o evento como uma celebração que funciona como um espaço onde público e realizadores podem interagir. Partindo da premissa de que a reabertura das fronteiras permite não só “reactivar” as realidades passadas, mas também reconfigurar a realidade presente, os responsáveis procuraram na habitual secção “Made in Macao” dar enfoque a 11 produções originais que exploram temas como “crescimento, crenças, folclore, minorias étnicas e a cultura LGBTQ+”. As obras escolhidas são prova da “abertura e experimentalismo” dos criadores, defendem.

      Um exemplo de um documentário que dá destaque a uma comunidade particular da cidade é “Som Tam”, de Vanessa Pimentel, que estreou no dia 1 de Dezembro e volta a ser exibido no dia 9, pelas 21h30 na Sala de Projecção da Pin To na Rua Coelho de Amaral. A realizadora portuguesa tem uma longa colaboração com outros cineastas ligados a Macau como Ivo Ferreira e Yves Sonolet, com quem co-realizou o filme. Centrado na comunidade tailandesa residente em Macau, “Som Tam” procura reflectir as emoções e conflitos que advêem do processo de emigrar. “A curiosidade, a novidade, a exposição a novas diferenças culturais, a incerteza, e até sentimentos contraditórios” acabam por entrar em “equilíbrio com a capacidade de nos conseguirmos mais ou menos adaptar à cultura dos outros, e fazermos dos hábitos deles nossos, num processo de transformação em que nós também partilhamos os nossos costumes com o outro, na busca de uma casa”. Vanessa Pimentel diz que este tema dos imigrantes tailandeses que vivem em Macau é um tema “que a mantém interessada”, já que ela também é uma imigrante na Ásia.

      As restantes dez produções “Made in Macao” também vão ser apresentadas no segundo fim de semana do festival: no sábado, dia 9, a partir das 14h30, “Unofficial History of Time” de Teng Kun Hou, “Posture” de Cheng Peng, e no mesmo dia a partir das 16h30, “The Girl and the Ronin” de Ho Chung Bosco Tang, “Home Button” de Lam Cheng Hou, “Purple” de Ebenezer Ho, “One Step from Death” de Wong Ka Wai. No dia 10, a partir das 16h45, é a vez de dar a conhecer “Light on, Light off” de Lei Weng Ian, “Granny Pirate 2: the Tale of the Spirit Whale” de Teresa Teng Teng, “409 MHz” de Kyla Liang, e “Natasha” de Galilee Ma.

      O festival também dá destaque ao cinema independente no feminino. Peeko Wong, a curadora da secção “Female Power”, referiu no seu texto introdutório no panfleto do evento que quando pensamos nos primórdios do cinema independente produzido em Macau, normalmente nomes como Albert Chu e Vincent Hui são referidos, mas que existe um grupo de realizadoras pioneiras que, durante a década dos anos 1990 e 2000, criaram obras visuais que merecem destaque. “Através das suas criações, podemos testemunhar um tipo de expressão visual que vai para além da narrativa convencional – e que funciona mais como uma imagem experiencial”. Nomes como Véronique Wong, Bianca Lei, Alice Kwok e Kaiu Choy e Tracy Choi vão ter algumas das suas produções exibidas durante o festival. No sábado passado a Casa Garden foi palco de uma mesa redonda que juntou estas cineastas. Os organizadores do festival aproveitaram a oportunidade para apresentarem a lista de nomes das 44 realizadoras da cidade, e fazer votos para que estas continuem a criar novos filmes.

      Numa iniciativa paralela, o “RollOut Dance Film Festival”, um evento bianual dedicado ao cinema de dança, está também agendado para decorrer como parte do festival da CUT. As exibições de oito vídeos de coreógrafas e outros intérpretes locais vão decorrer esta sexta-feira, dia 8, a partir das 19h30 na Sala de Projecções Pin To. Chloe Lao, Mary Wong e Erik Kuong, os responsáveis por esta selecção, indicaram que a produção de filmes de dança já existe há mais de duas décadas em Macau, “experiências de movimento e videografia elaborados dentro e fora de teatros e em vários locais da cidade que até hoje deixaram impressões duradoras” a quem teve oportunidade de as visionar.

      O “Macau Films & Video Panorama” também é ainda composto por “Hot Picks”, uma secção de produções galardoadas de Hong Kong e Taiwan, diversas recomendações de filmes por universidades de Macau, e ainda um encontro entre realizadores de Macau no dia 9, numa discussão centrada nas suas primeiras grandes produções.