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      Mercado do retalho em Macau é mais promissor que o de Hong Kong, reconhece especialista  

      Michael Cheng, da PwC, empresa que avalia os mercados de consumidores da região Ásia-Pacífico, China Central e Hong Kong, esteve no Sofitel para falar sobre o sector dos produtos de luxo e a forma como esta cada vez mais preponderante fatia da economia local está a dar provas de ter um futuro muito promissor.

       

      Foi a convite da Câmara de Comércio China – França que Michael Cheng, da PwC da região Ásia Pacífico, e Bernard Li, marcaram presença em mais uma palestra de pequeno-almoço no Hotel Sofitel. Os especialistas em tendências do mercado de produtos de luxo partilharam com uma sala cheia de interessados a avaliação que fazem da evolução do sector em Macau, comparando-o com os casos de Hong Kong, Taiwan, interior da China, e contexto da economia mundial.

      Bernard Li, dos escritórios em Macau da empresa de analistas de mercado, na sua introdução recordou que nos primeiros nove meses deste ano, em Macau já se chegou a 70% do nível de negócios pré-pandemia, com o número de visitantes e os lucros brutos do jogo a seguirem a mesma tendência. Este quis também sublinhar que depois do fim da pandemia há uma diferença mais reduzida entre o número de visitantes a Hong Kong e a Macau. “Isto quer dizer que Macau conseguiu recuperar mais rápido do que Hong Kong em termos de visitas internacionais de do interior da China”.

      Michael Cheng, o orador central da palestra intitulada “Como irá a evolução do comportamento dos consumidores chineses afectar o mercado do retalho de Macau”, começou por partilhar a sua insatisfação com uma campanha de promoção recente na cidade vizinha de estímulo ao consumo, elogiando as políticas do Governo de Macau. “Quero que toda a gente saiba o quão bem Macau está a evoluir. Posso aliás admitir que Hong Kong não está tão bem como Macau”. O analista pôs em perspectiva o facto de praticamente todos os países e regiões estarem a passar por uma fase de retoma no contexto pós-pandémico. “Por que será que Macau está a ter um desempenho tão melhor do que o de Hong Kong?”, questionou. A razão, diz, está relacionada com tudo o que o Governo e os investidores no mercado têm feito para atrair turistas, e promover o consumo local, algo que Michael Cheng acusa Hong Kong de não ter feito de forma tão eficiente. As iniciativas que o Governo local tem fomentado, como os espectáculos de entretenimento, são parte desta estratégia de sucesso, aponta. “Por que será que as pessoas de Hong Kong precisam de ir até Macau para ver o Jackie Cheung, ou até outros cantores famosos, mas um pouco antigos? É porque não temos este tipo de concertos em Hong Kong”, revelou. Recorde-se que a vinda deste tipo de actuações a Macau fez disparar as receitas das concessionárias.

      A comparação com a cidade vizinha prosseguiu como forma de demonstrar o bom desempenho do mercado local. “Podemos dizer que as vendas de retalho em Macau são um quinto das de Hong Kong, mas obviamente temos de ver que a população é de apenas 700 mil, e a de Hong Kong, 7,5 milhões. Um décimo da população de Hong Kong”. Em termos de área, também “nem é preciso referir”, admitiu. “Macau é uma diminuta proporção do tamanho de Hong Kong”. Michael Cheng quis ainda chamar a atenção para a fonte primária de receitas dos mercados do retalho no geral, que provêm principalmente do consumo local. “As pessoas que vivem nas cidades e consomem produtos diariamente. Portanto, se olharmos para Macau, 700 mil pessoas não representa muito”, admitiu. Assim sendo, “se Hong Kong precisa de turistas, Macau precisa de turistas ainda mais”. Mencionando que a grande vantagem de Macau é o jogo, este acredita que Macau “vai ver um grande crescimento no mercado do retalho nos próximos cinco a dez anos”. O especialista diz que é mais do que certo que o volume de negócio do mercado do retalho este ano ultrapasse os 77 milhões atingidos em 2019, já que até Setembro o sector já tinha arrecadado 66 milhões.

      Definindo os subsectores do mercado, Michael Cheng referiu que os relógios e ourivesaria são os produtos que mais são procurados, com 16 milhões dos 66 milhões totalizados no primeiros três trimestres de 2023.

      Em relação a Hong Kong, este admitiu que o mercado dos supermercados ainda é o sector líder de vendas de retalho, seguido de perto dos produtos de luxo que, apesar de várias contrariedades como a crise de 2008, os protestos de 2019, e os anos da epidemia, tem vindo a conseguir recuperar. “Um colega referiu que em Fevereiro, em um mês, conseguiu-se alcançar o mesmo volume de vendas de produtos de luxo que se conseguiu em todo o ano de 2022”. O caso chinês também demonstra que, embora os produtos de luxo não sejam o sector dominante, este tem sido o sector com maior potencial de crescimento nos últimos três anos.

      O analista falou também sobre abertura de novas lojas, algo que diz estar a decrescer em Hong Kong, com uma tendência inversa em Macau, com cada vez mais novas lojas de venda a retalho a abrir, referiu. Comparando ainda Taiwan com Macau, um local que diz ser muito maior em termos populacionais e de dimensão do que a nossa cidade, este revelou que o número de lojas nos dois territórios é praticamente igual, mais uma prova do potencial e da boa performance do mercado de retalho local.