Sector imobiliário preocupado com queda contínua dos preços de casas

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FOTOGRAFIA ELOI CARVALHO

A Associação Geral do Sector Imobiliário de Macau alerta para a “queda abrupta” dos preços dos imóveis residenciais, o que pode afectar o investimento e a confiança do consumidor. Num relatório recente, a associação pede medidas ao Governo para estabilizar o mercado imobiliário, incluindo a redução do valor de pagamento inicial na compra de casa para 15%.

Subsídios fiscais e apoios para o pagamento inicial na aquisição de habitação estão entre as sugestões da Associação Geral do Sector Imobiliário de Macau para dinamizar o mercado local. A associação disse estar atenta ao decréscimo contínuo de preços de habitação e o mercado “continua fraco”.

Esta associação publicou recentemente um relatório intitulado “Impacto da expansão e recessão do mercado imobiliário na economia e sociedade de Macau”, em que indica que os preços dos imóveis caíram mais de 40% desde o seu pico de 2018.

O documento lamenta a falta de eficácia das medidas de incentivos lançadas pelo Governo no ano passado, que não fizeram abrandar a queda dos preços dos imóveis. “Este ano, a recessão do mercado imobiliário de Macau intensificou-se, com uma queda abrupta no preço por metro quadrado das transacções, sem sinais de que a queda vá parar”, apontou.

Segundo a associação, a situação afecta o investimento, a confiança do consumidor e o poder de compra em Macau, fazendo com que o ambiente de negócios de Macau caia num ciclo vicioso de deterioração.

De acordo com os dados da Direcção dos Serviços de Finanças, na primeira quinzena de Junho deste ano, o preço médio por metro quadrado contabilizou-se em 65.618 patacas, enquanto no mesmo período de 2024 era de 92.439 patacas, o que representa uma queda de 30% em um ano.

A análise da associação indica ainda que, entre 2018 e 2024, Macau registou um total de quase 40.000 transações imobiliárias, com os preços dos imóveis a descerem 40% em relação aos valores máximos. “Isto significa que, nos últimos anos, os milhares de compradores que adquiriram imóveis, com um empréstimo bancário de 80% do preço de casas, viram os seus pagamentos de vários anos desaparecerem”.

Desse modo, a associação espera que o Governo tome várias medidas para estabilizar o mercado imobiliário, sugerindo a redução do valor do pagamento inicial obrigatório para a aquisição de habitação para 15%. Recorde-se que em Macau, actualmente, a compra de habitação exige um pagamento inicial de pelo menos 30% do preço da casa.

A associação solicitou ainda a reintrodução do regime de bonificação de 4% ao crédito para aquisição ou locação financeira de habitação própria, bem como a implementação de um sistema tributário baixo, reduzindo as taxas notariais, taxas de escritura, impostos de selo e outros impostos associados à compra de imóveis, de forma a “reduzir os encargos financeiros dos residentes na aquisição de imóveis e incentivá-los a mudar de casa, estabilizando assim a confiança do mercado”.

A associação renovou também o pedido para que seja lançada uma política de imigração por investimento, para atribuir o direito de residência a quem resida em Macau por sete anos e tenha um total de 20 milhões de patacas em activos, dos quais 10 milhões em lojas, escritórios ou edifícios industriais e os restantes 10 milhões de patacas em residências.