A Docomomo Macau, organização que procura divulgar e preservar a arquitectura moderna desenvolvida no território, volta a organizar uma palestra na Fundação Rui Cunha em torno de uma figura incontornável do urbanismo da cidade: José Maneiras. Moderada por Rui Leão, presidente da Docomomo Macau, a palestra vai ser apresentada por Ana Vaz Milheiro, professora da Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa.
A Docomomo Macau, instituição internacional dedicada à preservação do património arquitectónico moderno que em Macau tem como presidente o arquitecto Rui Leão, leva à Fundação Rui Cunha esta quarta-feira, 1 de Novembro, uma palestra centrada na obra de José Maneiras. O conhecido arquitecto, destaca a nota enviada pelos responsáveis da iniciativa, “viu na arquitectura a possibilidade de dar forma a uma sociedade cada vez mais igualitária, com acesso a melhores e mais justas condições de vida”.
A palestra “Construir o Século XX – José Maneiras: A visão do Arquitecto”, com início marcado para as 18h30, vai ser moderada por Rui Leão e apresentada por Ana Vaz Milheiro, professora associada da Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa e investigadora de doutoramento integrado no DINÂMIA’CET-IUL (ISCTE). Ana Vaz Milheiro tem sido responsável por projectos de investigação centrados em questões de arquitectura e urbanismo nos antigos países africanos coloniais portugueses, e em projectos de habitação de arquitectos que trabalharam em Macau antes da transferência de soberania, como foi o caso de José Maneiras, que “dedicou toda a sua vida profissional ao território macaense, antes da transferência de Macau para a sua plena integração na República Popular da China”, recordou a Docomomo.
Os responsáveis pela palestra esclareceram ainda que o objectivo da iniciativa é de fazer uma reflexão crítica sobre a forma como “a profissão de arquitecto pode continuar a significar a mudança, tendo em vista o passado comum”. O evento de quarta-feira faz parte de um ciclo de conferências da responsabilidade da Docomomo Macau intitulado “Construir o Século XX”, um projeto que teve início no ano passado, com iniciativas como uma palestra em torno de Chi Tak Kei, em Outubro de 2022. Recorde-se que também por volta da mesma altura a Docomomo lançou um “Guia para Caminhadas” centrado na arquitectura moderna de Macau, com 40 exemplos de edifícios notáveis construídos entre os anos 30 e 70. O guia de edifícios chineses e portugueses é organizado em oito passeios destinados a servirem como forma de descoberta do património de Macau e diferentes áreas de desenvolvimento urbano da cidade, esclareceu na altura a organização.
Depois da conferência centrada em José Maneiras, seguir-se-ão mais duas agendadas para 8 de Novembro, sobre a obra de “Raul Chorão Ramalho e a Escola Pedro Nolasco (EPM)”, e 6 de Dezembro, centrada na obra de “Oseo Acconci e os seus contributos arquitectónicos”.
Nascido em Macau em 1935 e licenciado pela antiga Escola Superior de Belas Artes do Porto em 1962, José Maneiras regressou a Macau na década de 60, colaborando com Manuel Vicente e também desenvolvendo diversos edifícios residenciais em atelier próprio, como o “Conjunto São Francisco” na Praia Grande, duas residências na estrada do Visconde de São Januário, a casa e bloco de apartamentos Belle Court na Penha, e o programa residencial para invisuais, a pedido da Santa Casa da Misericórdia na Rua Sete do Bairro da Areia Preta, em 1970. Em 1982 foi também o autor do edifício comercial Si Toi, e esteve à frente da Câmara Municipal do Leal Senado entre 1989 e 1993. É um dos fundadores da Associação dos Arquitectos de Macau, em 1987, e membro honorário da Ordem dos Arquitectos portuguesa desde 2006.
À Revista Macau, aquando de uma exposição organizada pela Docomomo em 2018 em torno da habitação e planeamento urbano, Rui Leão destacou a importância do trabalho de José Maneiras, “por ser um dos primeiros momentos em que alguém deste ambiente cultural, e que percebe perfeitamente este ambiente, desenvolve uma intervenção focada na habitação e de planeamento urbanístico”. O presidente do Docomomo em Macau acrescentou na altura que embora nem todos os projectos sejam “visualmente inovadores”, estes conseguem concretizar os objectivos habitacionais de respeito por uma certa “qualidade de vida, e de compreensão da cultura urbana de Macau”. Para Rui Leão, José Maneiras mostrou “a criatividade de saber o que pode ser feito, quando não se pode fazer tudo o que se quer”.











