“Fiz uma grande aposta em Macau e, felizmente, parece ter dado frutos”  

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    Andrew Pearson trabalha na indústria do jogo em Macau há mais de uma década. Anteriormente, tinha tentado a sua sorte como guionista em Hollywood. Agora lança o seu primeiro romance, “The Dead Chip Syndicate”, uma história vagamente autobiográfica, como descreve em entrevista ao PONTO FINAL. Casinos, elites e segredos perigosos são o mote do livro que é apresentado em Macau no dia 14 de Outubro, na Casa Garden, no âmbito do Festival Literário Rota das Letras.

     

    Andrew Pearson, director administrativo da Intelligencia Limited, empresa tecnológica ligada ao sector do jogo, finanças, hotelaria, apostas desportivas, indústrias de retalho em Macau, lançou agora o seu primeiro romance, depois de uma passagem por Hollywood como guionista. A mais de uma década que leva ligado à indústria do jogo do território inspiraram “The Dead Chip Syndicate”, que segue as aventuras de Anthony Wilson, um expatriado que se muda para Macau depois de uma carreira falhada em Hollywood – livro “vagamente” autobiográfico, diz. Em entrevista ao PONTO FINAL, o autor deixa elogios à cidade que o acolheu, dizendo que “Macau é verdadeiramente um viveiro de irreverência” e “o local perfeito para criar um thriller único”. “The Dead Chip Syndicate” é apresentado em Macau no dia 14 de Outubro, na Casa Garden, no âmbito do Festival Literário Rota das Letras.

     

    Acabou de publicar “The Dead Chip Syndicate”. Pode contar-nos melhor qual é o enredo do livro?

    A sinopse é a seguinte: Oferecida a oportunidade de gerir a empresa de I.A. do seu irmão gémeo, Anthony Wilson abandona a sua carreira falhada de argumentista para começar de novo em Macau. O trabalho torna-se altamente lucrativo quando o novo cliente de Anthony, Cash Cheang, lhe entrega um saco cheio de yuans para implementar um sistema de reconhecimento facial no seu casino. Ao saber da vida passada de Anthony como argumentista, Cash oferece-lhe outro trabalho: escrever uma biografia sobre a sua vida enquanto magnata do jogo que saiu das ruas de Macau para se tornar um dos homens de negócios mais bem-sucedidos da cidade. No entanto, à medida que Anthony descobre mais sobre a vida de Cash, apercebe-se de que a biografia está cheia de segredos perigosos sobre a elite chinesa, segredos que estas pessoas poderosas preferiam ver enterrados para sempre. “Enganas sempre os que te são mais próximos”, avisa um velho provérbio chinês. Palavras que soam verdadeiras quando Anthony entra num parque de diversões mais surreal e depravado do que a decadente Hollywood. Mais mortífero também, pois Anthony depressa descobre que é o alvo de um enorme esquema chinês de lavagem de dinheiro que pode estar a ser orquestrado pelo seu gémeo traiçoeiro. Em muitos aspectos, o livro é autobiográfico – excepto no que diz respeito à tentativa de homicídio, à lavagem de dinheiro e a toda a criminalidade, claro – mas a personagem principal, Anthony Wilson, é, tal como eu, um antigo argumentista que viveu em Los Angeles, lutou para conseguir produzir o seu trabalho e depois mudou-se para Macau após ter recebido uma proposta de trabalho aliciante do seu irmão gémeo. Embora os acontecimentos sejam fictícios, a voz de Anthony é muito minha. Todos os bons escritores dirão que estão sempre à procura de histórias intrigantes, sempre a tentar apanhar ideias dramáticas aqui e ali, sempre a escutar conversas para captar uma personagem única, uma frase interessante ou algumas linhas de diálogo inteligentes. Bem, lembro-me de voar para o aeroporto Ninoy Aquino, em Manila, e pensar que este aeroporto tinha uma pretensão obscura à fama – era o único aeroporto do mundo com o nome de alguém que tinha sido assassinado na sua pista. O meu pensamento seguinte foi: “Que óptima frase de abertura para um livro”. Eu sei, um pouco macabro, mas é assim que funciona a mente de um escritor. Por isso, pensei, porque não ter um protagonista amarrado ao seu lugar num avião que aterra em força no NAIA e que se apercebe que está a aterrar no único aeroporto do mundo com o nome de alguém que foi assassinado na sua pista, ao mesmo tempo que recebe uma mensagem de texto a avisá-lo que um homem contratado para o matar tinha acabado de ser preso em Macau. Achei que era uma óptima abertura, e depois mantive os olhos e os ouvidos abertos a enredos, ideias para histórias, esboços de personagens e diálogos interessantes ou irreverentes para preencher o resto.

     

    A história gira em torno da indústria dos casinos em Macau e das elites chinesas, mas não só, certo?

    Correcto, embora a história se centre na indústria dos casinos em Macau, na indústria cinematográfica nos EUA e no mundo obscuro das criptomoedas em todo o lado. O romance é muito rico em camadas, uma vez que se move por estes três mundos. Um crítico captou a sua essência quando disse que “The Dead Chip Syndicate” “evolui para se tornar um romance sobre um romance e pode ser o romance que Anthony escreve e que, subsequentemente, se torna num filme”. Esta sala de espelhos literária talvez não devesse funcionar no meio de um intrincado thriller asiático, mas funciona”. Foi uma excelente crítica, penso eu, que captou bem o que eu pretendia. Fiz do Anthony uma versão ficcionada de mim próprio, o que é recomendado para quem está a escrever um romance pela primeira vez. Simplifica o processo de escrita porque não temos de nos preocupar em tentar ver as coisas através dos olhos de outra personagem que pode ser diferente de nós. Tenho alguma experiência pessoal com todos estes sectores, que são bastante semelhantes em muitos aspectos. Tendem a atrair pessoas com sonhos ingénuos de ficarem ricas – pelo menos no lado dos mecenas da indústria do jogo. É um meio repleto de vigaristas e trapaceiros, que se alimentam da fraqueza dos outros; um terreno rico e fértil para ambientar um thriller sobre ganância, riqueza extrema e traição fraterna. Há uma frase famosa de Paul Newman: “Se estiveres a jogar póquer e olhares à volta da mesa e não conseguires dizer quem é o otário, és tu”. Anthony é um tipo bastante astuto, mas está a tentar desesperadamente descobrir qual é o esquema. A diversão do livro para o leitor é tentar descobrir qual é o esquema e quem está por detrás de tudo. Posso garantir que haverá algumas surpresas pelo caminho para quase todos os leitores. Quanto à elite, os escritores têm vindo a satirizar os ricos desde a primeira obra literária, “A Epopeia” de Gilgamesh. Escritores como William Shakespeare, Jane Austin, Voltaire, Miguel de Cervantes, Oscar Wilde, Ernest Hemingway e F. Scott Fitzgerald satirizaram os ricos. Não me quero comparar a esses grandes nomes, mas o terreno é comum na literatura. No entanto, não é assim tão comum na literatura asiática, pelo que foi uma reviravolta interessante no género. Não há nada como satirizar pessoas que, em muitos casos, o merecem. E os detestavelmente ricos são especialmente merecedores disso. Antes de me mudar para Macau, trabalhei na indústria cinematográfica, que é outra indústria repleta de pessoas exorbitantemente ricas que merecem ser satirizadas. O crítico da Booklife disse: “A prosa de Pearson é inteligente e rápida, mas com arestas vivas, e o romance vai tanto encantar como enojar os leitores fascinados com a riqueza e o poder descontrolados”, por isso acho que o retrato das elites ficou bem patente. Foi divertido rebentar a bolha em que estas pessoas vivem, nem que seja literalmente.

     

    Foi fácil escrever este livro, uma vez que trabalha na indústria dos jogos há muito tempo? Usou algumas histórias reais que conhece de dentro da indústria?

    Surpreendentemente fácil. Depois de mais de quinze anos a bater com a cabeça na porta de Hollywood, fiquei bastante desanimado com a indústria cinematográfica, mas nunca pus em causa a minha capacidade de escrita. É uma indústria insanamente competitiva e bastante disparatada, por isso não havia razão para questionar o meu talento. Muito pelo contrário, tinha optado e adaptado sete romances, tinha conseguido que os realizadores se interessassem por todos eles, tinha vendido opções para alguns dos guiões. Só que não conseguia fazer com que nada passasse da linha – e entrasse em produção. Por três vezes, os meus guiões chegaram às mãos da pessoa que apelidei de “O homem do Greenlight”. Todas as vezes rejeitaram o projecto, dando-me o polegar gladiador para baixo. Como esses projectos eram todos baseados em livros, os direitos reverteram para os autores e eu perdi o controlo sobre eles. Quando se dedica tanto tempo e energia a algo, é, no mínimo, desanimador. Por isso, decidi simplesmente escrever o meu próprio romance. Encontrei a história e o local perfeitos em Macau. A experiência de adaptar esses romances deu-me a confiança necessária para tentar escrever algo novo. Os romances são muito mais simples de distribuir porque só é preciso convencer uma editora a aceitar. Não é necessário angariar milhões de dólares para a produção. Mais de um milhão de livros são publicados todos os anos, enquanto alguns milhares de filmes e programas de televisão são feitos, por isso as probabilidades são muito mais favoráveis. Encontrar uma editora também foi surpreendentemente fácil. Acho que a quinta que abordei concordou em publicar o livro. Outra estava interessada, mas pediu-me alterações. Quanto às histórias da indústria do jogo, sim, utilizei algumas da minha experiência. Há vários anos, alguns casinos descobriram uma forma de utilizar a tecnologia de reconhecimento facial e de imagem para seguir os hábitos de jogo de um cliente. Utilizavam a IA para detectar os jogadores que faziam apostas mais arriscadas, ou seja, com maior margem de lucro. Estes jogadores são mais valiosos para o casino e, com um artigo perecível como um lugar na mesa de bacará, isto é importante para o resultado final do casino. Uma vez que a casa pode ganhar consideravelmente mais dinheiro com estas apostas de margem mais elevada, os casinos estavam a dar prioridade à sua comercialização para este tipo de jogadores. A comissão de jogo de Macau apercebeu-se rapidamente deste facto e pôs imediatamente fim a esta prática. Em “The Dead Chip Syndicate”, Cash utiliza a tecnologia de reconhecimento facial para seguir os seus jogadores de forma semelhante, mas fá-lo para apanhar quem quer lavar dinheiro no seu casino e não os jogadores mais arriscados. É uma informação que ele espera que o proteja no caso de se meter em problemas legais, o que, claro, acontece. Para Cash, é muito mais uma questão de saber onde os corpos estão enterrados – ou onde o dinheiro branqueado está escondido. Por vezes, saber esse tipo de informação pode colocá-lo em sério perigo, como acontece no romance.

     

    As personagens são – ainda que ligeiramente – baseadas em pessoas reais de Macau?

    Uma boa pergunta que me pode trazer muitos problemas legais. Portanto, não, não são baseadas em pessoas reais. Excepto eu, claro. Vagamente. No entanto, o segundo personagem principal, Cash Cheang, é baseado num actor italiano que me contratou para escrever um guião há muitos anos. Passei uma semana com ele em Rimini, a discutir uma das ideias cinematográficas mais loucas que alguma vez tinha ouvido. Ele queria fazer uma adaptação de Macbeth, de Shakespeare, ambientada na música country americana. Era uma personagem tão colorida que guardei a sua personalidade peculiar para uso futuro. Nos seus cinquenta anos, era careca e era uma imagem cuspida de Benito Mussolini. Por isso, é claro, transformei-o num homem asiático de quarenta e poucos anos, com uma cabeça cheia de cabelo penteado para trás num ‘pompadour’ dos anos 50, com o ar ardente do famoso actor de Hong Kong, Tony Leung. Tanto o actor italiano como Cash adoram música country, com um gosto especial pelas canções de Johnny Cash. O enredo sobre um assassino que tenta subcontratar o seu golpe foi também baseado numa história verídica que li. Quatro assassinos de aluguer na China tentaram subcontratar os seus trabalhos até que, finalmente, o quarto tipo ficou tão irritado com a oferta baixa que recebeu que foi à polícia. Pensei que era ouro cómico.

     

    Considera este sector inspirador de alguma forma? O que é que lhe interessa mais a nível literário?

    É um sector fascinante. Como alguém que gosta de apostar – não em jogos de casino, mas em desporto e política – compreendo a atração do jogo. Ir a Happy Valley e a Sha Tin é um dos meus passatempos favoritos. Compreendo perfeitamente os que optam por vir a Macau para jogar. Em algumas das pesquisas que fiz sobre o sector, descobri que o jogo não é apenas algo que os humanos gostam de fazer. Os macacos e os pombos também gostam. Escolhem sempre uma alavanca que oferece uma recompensa aleatória de uma grande quantidade de porções de comida em vez de uma alavanca que oferece uma recompensa mais pequena de uma porção, mesmo que esta última ofereça uma maior quantidade total. Citando de novo Newman, “o dinheiro ganho é duas vezes mais doce do que o dinheiro obtido”. A certa altura do livro, Cash diz a Anthony: “Temos um ditado na China, como é que se pode saber se se tem sorte se não se joga?” É uma citação divertida, bastante irreverente, que funciona bem com o tom da obra. Por vezes, é bom acrescentar um pouco de leveza para equilibrar toda a tensão de um thriller. Trabalhei o livro através de um site de escritores e a única coisa que recebi elogios constantes foi o diálogo. O livro tem um choque de culturas muito interessante e eu tento jogá-las num diálogo peculiar e inteligente. A indústria dos casinos é também uma indústria com visão de futuro no que diz respeito à tecnologia. Precisava de adoptar a tecnologia desde cedo. Assim que o software capaz de gerir programas de fidelização e marketing personalizado ficou disponível, a indústria dos casinos adoptou-o imediatamente. Era quase obrigatório, porque, sejamos francos, uma mesa de bacará no Wynn Macau é bastante semelhante à do Venetian Macao. A tecnologia foi uma boa forma de as empresas de casino se diferenciarem umas das outras. Proporcionar ao cliente uma experiência única, saber o que ele gosta de fazer e oferecer-lhe coisas gratuitas a que ele não consegue resistir. Esta estratégia tem funcionado bem nas últimas décadas.

     

    Este é o seu primeiro romance. O que o levou a escrevê-lo? E foi algo que sempre quis fazer?

    Ou escrevia um romance ou ia para a terapia. Não tinha dinheiro suficiente para a terapia, por isso optei pela primeira opção. Sun Tzu tem uma frase óptima: “No meio do caos, há também uma oportunidade”. Levei isso muito a sério quando estava a escrever este livro. Fui atirado para uma situação louca quando me mudei para cá. Depois de viver em Macau durante alguns anos, tinha um enredo bastante sólido e, depois, surgiu a Covid. De repente, não pude viajar, os negócios entraram em colapso e tive tempo para escrever o romance. No passado, quando optei por romances, procurei sempre histórias inteligentes e irónicas e Macau é verdadeiramente um viveiro de irreverência. Algumas das pessoas mais ricas do mundo vêm para cá, fazem todo o tipo de loucuras. A arquitectura de Macau é puramente portuguesa, mas os letreiros pendurados nos edifícios são maioritariamente em chinês. Há templos com quinhentos anos situados por baixo de igrejas com duzentos anos. A maior atracção turística de Macau são as Ruínas. E casinos, claro, um dos quais tem uma recriação das Ruínas de S. Paulo. Até há aqui uma réplica de Versalhes. Tudo o que simboliza a grandeza, o excesso e a opulência exagerada encaixa na perfeição. Sim, este é o meu primeiro romance, mas escrevo desde que me lembro. Profissionalmente, comecei a escrever guiões há mais de 15 anos. Vendi a opção de compra de um dos meus guiões e fui contratado para escrever alguns outros, mas nunca consegui que nada fosse produzido – e, se não conseguirmos que nada seja produzido em Hollywood, não somos ninguém. Também reparei que, na última década, entrar em Hollywood, especialmente como argumentista, estava a tornar-se cada vez mais difícil. Felizmente, agora estou a completar o círculo: Adaptei “The Dead Chip Syndicate” a um guião, que ganhou prémios em mais de 25 festivais em todo o mundo. Prémios inúteis, no entanto. Até foi seleccionado para competir no Festival de Cinema de Beverly Hills, em Abril. Fui convidado para assistir à cerimónia de entrega de prémios no famoso Hollywood Roosevelt Hotel, que foi o local da primeira cerimónia de entrega dos Óscares, há cem anos. Foi muito divertido, porque o Hollywood Roosevelt é um hotel irmão do Macau Roosevelt, onde se passa uma das cenas mais importantes do livro. Durante essa cerimónia de entrega de prémios, percebi que tinha tomado a decisão certa ao escrever romances. Estava sentado numa sala com cerca de 200 pessoas, e todo o lugar parecia estar cheio de argumentistas como eu. Na minha mesa só estavam argumentistas e os seus cônjuges. O festival tinha seleccionado mais de 140 argumentos para concorrer a três prémios. Era evidente que tinham enchido o local de argumentistas porque provavelmente acreditavam que iríamos aparecer em massa, nem que fosse pela rara oportunidade de estabelecer contactos com realizadores e produtores que poderiam fazer com que o nosso trabalho fosse realizado. Talvez eu estivesse a ser cínico, mas isso fez-me perceber que tinha feito a escolha certa ao concentrar-me nos romances. Macau, creio eu, é o local perfeito para criar um thriller único que une o Oriente e o Ocidente. Macau é a personagem central do meu livro, da mesma forma que L.A. impregna os romances de Sam Spade de Raymond Chandler, ou como a Florida fornece um local colorido para todos os mistérios irreverentes que se passam no louco estado do Sol. Ou mesmo a forma como a Los Angeles dos anos 20 é uma personagem de Chinatown, de Polanski. Na cena no Macau Roosevelt, Cash pede a Anthony para escrever a sua biografia e Anthony brinca: “A maioria das pessoas tem um livro dentro de si, mas para a maioria delas é aí que ele deve ficar”. É uma frase bem conhecida de Christopher Hitchens. Muitas pessoas pensam que podem escrever um romance, mas nem toda a gente vive o suficiente ou tem uma história suficientemente interessante para manter um leitor a virar página após página após página. É uma coisa incrivelmente difícil de fazer. Quando Cash conhece Anthony pela primeira vez, ele brinca: “Como é que se pode saber se se tem sorte se não se joga?” É uma pergunta que tem tanto a ver com a forma como se vive a vida como com o jogo. “Nada arriscado, nada ganho”, diz-se. Para mim, adaptar romances foi, de certa forma, a saída mais fácil. Muito do trabalho já tinha sido feito nos romances que eu tinha optado; a história estava lá, os pontos do enredo trabalhados, as personagens desenvolvidas, até mesmo alguns dos diálogos só precisavam de ser transcritos para um formato de guião. O trabalho só precisava de ser “adaptado”. “Que tal fazermos uma aposta? Afinal de contas, estamos em Macau, a capital mundial do jogo”, diz Cash a Anthony quando tenta convencê-lo a escrever a sua biografia. Tentar escrever um romance de raiz foi um grande empreendimento, uma grande aposta da minha parte, se preferir. Fiz uma grande aposta em Macau e, felizmente, parece ter dado frutos com “The Dead Chip Syndicate”.