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      Yellen diz ser fundamental que EUA e China mantenham diálogo após comentários de Biden

      A secretária do Tesouro norte-americana, Janet Yellen, afirmou ontem ser fundamental que os Estados Unidos e a China mantenham uma relação para que possam “trabalhar em conjunto” nos desafios globais. As palavras de Yellen foram proferidas dois dias depois dos comentários do Presidente norte-americano, Joe Biden, que classificou o homólogo chinês, Xi Jinping, como “ditador”, declarações condenadas já por Pequim. Yellen, que falava numa conferência de imprensa em Paris, referiu que, no que diz respeito aos comentários, Biden e ela própria acreditam ser “fundamental manter a comunicação” para “esclarecer mal-entendidos e erros de cálculo”. “Precisamos de trabalhar juntos sempre que possível, mas temos divergências e também somos francos ao reconhecê-las”, acrescentou. Yellen defendeu recentemente a melhoria das relações entre os Estados Unidos e a China, argumentando que é necessário haver cooperação “para manter a estabilidade global”.

      Os comentários de Biden, feitos terça-feira numa festa de angariação de fundos – também disse que a China tinha “dificuldades económicas reais” –, abriram uma nova brecha logo após o secretário de Estado dos norte-americano, Antony Blinken, ter concluído uma visita a Pequim, em que procurou quebrar o gelo numa relação que atingiu um mínimo histórico. A reunião de Blinken com Xi Jinping foi considerada um sinal de apaziguamento entre os respetivos países, após meses de fortes tensões, que se agravaram com o caso do balão meteorológico abatido sobre os EUA, que Pequim desmentiu que tenha sido utilizado para espionagem. Não é a primeira vez que Joe Biden emite declarações memoráveis em receções de angariação de fundos, eventos em pequena escala dos quais as câmaras, os microfones e as máquinas fotográficas são excluídos – podendo os jornalistas presentes, contudo, ouvir os discursos de abertura de Biden e divulgá-los.

      Em Pequim o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Mao Ning, condenou os comentários invulgarmente incisivos de Biden e considerou-os “extremamente absurdos e irresponsáveis”. No momento em que se inicia em Paris um encontro de dois dias sobre a melhoria da resposta financeira global às alterações climáticas e à pobreza, Yellen afirmou estar “satisfeita” por ver a China participar na cimeira. O primeiro-ministro chinês, Li Qiang, está entre as dezenas de chefes de Estado e de Governo, responsáveis pelas finanças mundiais e ativistas que se reuniram ontem na capital francesa para discutir formas de reformar o sistema financeiro global e enfrentar as crises da dívida, das alterações climáticas e da pobreza, especialmente nos países em desenvolvimento. “Acredito que é importante, tal como o Presidente Biden, que as duas maiores economias do mundo estejam […] a trabalhar em conjunto para enfrentar os desafios globais”, afirmou Yellen, enfatizando que a reestruturação da dívida é uma “prioridade” para os Estados Unidos. Dado que um número crescente de países se debate com uma dívida insustentável, agravada pelas consequências das alterações climáticas, Yellen encorajou todos os credores a encetar negociações para tornar os encargos sustentáveis. A China é o maior credor público do mundo.

       

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      Redacção do Ponto Final Macau