O deputado Ngan Iek Hang gostaria que Macau seguisse o exemplo de cidades como Hong Kong ou Taiwan, onde mercados como o Central Market ou o U-mkt se distinguem por conseguirem aliar funcionalidade com inovação, preenchendo as necessidades básicas dos mercados, e indo mais além, com elementos de restauração, compras, exposições, e até instalações de aprendizagem. Não descartando a possibilidade de se implementarem este tipo de inovações, o presidente do IAM diz que, antes de mais, os mercados devem cumprir a sua primeira função, que é a de garantir o fornecimento de alimentos frescos aos residentes, mas que se poderá vir a incorporar as chamadas “lojas com características próprias” nestes espaços, se as condições e situação real de cada mercado o permitirem.
O presidente da Associação de Juventude para os Quarteirões de Macau, numa interpelação escrita, começou por destacar que actualmente, existem em Macau mercados como o do Patane, S. Domingos, S. Lourenço e do Bairro Iao Hon, que “já deixaram de ser espaços onde se vendiam simplesmente vegetais, carne e peixe, e passaram a ser complexos modernos, com espaço para actividades dos residentes”, referindo que em alguns destes espaços existem até “centros de comidas, onde se reúnem várias bancas que oferecem uma variedade de opções gastronómicas aos residentes e turistas”. No entanto, frisou o deputado, quando se compara estes espaços com os das cidades vizinhas, “verifica-se que ainda há muito a fazer”.
Dando como exemplo o Central Market de Hong Kong, Ngan Iek Hang destacou que após a sua restauração e revitalização, com a “manutenção de algumas bancas antigas que mostram a fisionomia arquitectónica do mercado”, o mercado se tornou “num novo ex-libris do centro da cidade”, integrando “elementos de restauração, compras, exposições e instalações de aprendizagem STEAM”. O Central Market é ainda um caso de sucesso em que se introduziram lojas antigas e tradicionais que vendem produtos com características locais, destacou o deputado.
Em resposta, José Tavares, presidente do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), indicou que o seu instituto está a considerar a situação das bancas desocupadas dos mercados e, “de acordo com a situação real e as condições de cada mercado, tentará introduzir bancas de tipo de negócios com características próprias, com vista a promover a diversificação dos tipos de produtos à venda nos mercados”. No entanto, o responsável, relembrando a lei do regime dos mercados públicos, recordou que acima de tudo os mercados públicos têm de prioritariamente satisfazer “as necessidades dos residentes das suas zonas, no que diz respeito à aquisição de produtos alimentares frescos e vivos ou de outros produtos”.
MERCADOS INTELIGENTES
A integração da tecnologia inteligente na gestão dos mercados foi outra lacuna apontada pelo deputado. Este considera que autoridades deveriam ponderar a criação de “mercados inteligentes”, de modo a recolher dados sobre o fluxo de pessoas, os comportamentos de consumo, e os padrões de movimentação nos mercados, e monitorizar, em tempo real, a situação de higiene e o fluxo de pessoas, para facilitar a gestão dos mercados municipais e, ao mesmo tempo, através da análise do modelo de compras dos consumidores e da situação de exploração dos diferentes mercados, fornecer dados de suporte fortes para o futuro planeamento do desenvolvimento dos mercados municipais”. José Tavares retorquiu que “em relação à introdução de tecnologia inteligente na gestão dos mercados, o IAM irá estudar oportunamente” a situação, mas que, para já, este ano o instituto introduziu o “serviço de gestão integrada” nos mercados municipais de S. Lourenço, Tamagnini Barbosa, Taipa e Coloane, integrando os serviços de limpeza, segurança e manutenção de instalações, serviços que “anteriormente eram adjudicados de forma dispersa”. O responsável garantiu ainda ao deputado que o IAM vai “rever a eficácia dos trabalhos de adjudicação dos serviços de gestão integrada, no sentido de avaliar a viabilidade de estender este modelo a outros mercados públicos”.
Quanto a outras sugestões do deputado, de fazer dos mercados da cidade espaços educativos, com exposições que demonstrem “os processos de produção, processamento e consumo de fruta, vegetais, carne e ovos” ou “a realização de workshops e actividades de culinária, como ‘cozinha pedagógica’ e ‘ensino da gastronomia típica de Macau’”, José Tavares quis destacar os diversos programas que o IAM tem desenvolvido com associações locais, a Direcção dos Serviços de Turismo (DST), e estudantes universitários.
No ano vigente, as autoridades estão a financiar 19 actividades turísticas nas zonas circundantes dos mercados municipais, num programa em colaboração com associações locais. O “Programa de Apoio Financeiro Específico” convidou associações locais a organizarem visitas temáticas aos bairros comunitários, numa tentativa de levar os turistas aos bairros para “experimentarem a cultura e gastronomia tradicional”, ao mesmo tempo que se promove o “desenvolvimento económico e turístico dos bairros comunitários”.
Outra iniciativa, continuou José Tavares, diz respeito às visitas organizadas pela DST, onde esta convidou influenciadores digitais, e vários representantes de meios de comunicação social e do sector turístico a participar numa “visita de familiarização a Macau”, um passeio por um mercado local para dar a conhecer “os ingredientes autênticos e experienciar a cultura culinária local”. A DST elaborou ainda no seu “Guia de Viagem de Macau” um itinerário onde se pode fazer “um viagem gastronómica de 12 horas, levando os turistas ao Mercado de S. Lourenço, Mercado de S. Domingos e Rua de Cinco de Outubro para explorar a gastronomia local autêntica”, indicou.
O presidente do IAM relembrou que está também em curso um concurso para recolher opiniões dos estudantes do ensino superior: estes estão a dar sugestões sobre possibilidades de inovações na exploração do mercado municipal da Taipa, “com vista a introduzir uma nova dinâmica na exploração do referido mercado”, revelou. “Este Instituto vai continuar a auscultar as opiniões da sociedade, estudar o rumo e as possibilidades do futuro desenvolvimento dos mercados públicos e promover o desenvolvimento sustentável dos mesmos”, garantiu.











