Edição do dia

Sexta-feira, 5 de Junho, 2026
Cidade do Santo Nome de Deus de Macau
nuvens dispersas
29.7 ° C
29.7 °
29.7 °
82 %
4.3kmh
47 %
Sex
34 °
Sáb
33 °
Dom
32 °
Seg
30 °
Ter
29 °

Suplementos

PUB
PUB
Mais
    More
      InícioCulturaRita Wong e equipa da CUT prometem voltar a trazer filmes ‘edgy’...

      Rita Wong e equipa da CUT prometem voltar a trazer filmes ‘edgy’ à Cinemateca Paixão  

       

      Em Setembro a Cinemateca Paixão volta a abrir portas com uma nova direcção que conhece bem o espaço, visto ter sido a equipa inicial por detrás do arranque da Cinemateca Paixão em 2016. Agora, Rita Wong e a equipa da Associação CUT estão a arregaçar mangas e a preparar a nova programação para aquele que é o único espaço dedicado à cinematografia de autor e dita ‘independente’. Durante os próximos três anos, a responsável promete trazer filmes internacionais de renome a Macau, para além de continuar a desenvolver a missão de promoção do cinema local.

       

      Depois de três anos afastada da gestão do cinema na Travessa da Paixão, a Associação CUT volta a ser a entidade responsável pela programação e organização do único espaço em Macau dedicado ao cinema independente e de autor. Em declarações ao PONTO FINAL, a directora Rita Wong avançou que, a partir de 1 de Setembro, a Cinemateca Paixão vai voltar a abrir portas com uma nova programação e cara lavada. “Ainda estamos a fazer algumas melhorias, e a actualizar e renovar o sistema, e o espaço, para melhorar o funcionamento”, adiantou. “Durante as próximas semanas vamos também organizar os escritórios, porque temos tantos ficheiros e documentos que precisamos de levar da nossa associação para o local”, explicou, esclarecendo que a reabertura a 1 de Setembro ainda está por confirmar, mas que é esse o objectivo.

      Assim sendo, durante todo o mês de Agosto não haverá programação no cinema perto das Ruínas de S. Paulo, mas este volta a abrir em Setembro, e com o programa para 2023-2024 já alinhavado. Rita Wong esclareceu que aquando da candidatura para a adjudicação do espaço, era necessário dar um esboço do programa para o próximo ano. “Basicamente já temos planeado alguns ciclos de cinema, de festivais, de realizadores” para este ano, esclareceu. “Estes vão ser lançados progressivamente à medida que o ano for avançando, porque estes programas ainda têm de ter a confirmação final de todos os distribuidores e proprietários dos filmes”, explicou. A responsável não quis estragar a surpresa sobre alguns filmes, cineastas, ou ciclos que serão apresentados. “O público pode contar com grandes filmes europeus, filmes independentes, e também filmes de realizadores locais, mas para já esta é uma surpresa que será divulgada quando estivermos mais perto da data da reabertura”. Num dos espaços da n.º 9-13 da Travessa da Paixão vai haver ainda ser inaugurada, em Setembro também, uma nova exposição dedicada ao cinema, que vai ser “muito interessante”, revelou.

      O Instituto Cultural (IC), que é proprietário do espaço, tinha aberto o concurso público para a terceira ronda de adjudicação da operação da Cinemateca Paixão em Fevereiro passado, e no final da semana passada foram revelados os vencedores do concurso: a gestão ficou adjudicada à Associação CUT Lda por cerca de 17 milhões de patacas, com um contrato de três anos, de Agosto de 2023 a 31 de Julho de 2026. Rita Wong e a sua Associação CUT foram os primeiros a gerir o espaço, entre 2016 e 2020. No princípio de 2023, Rita Wong confirmou ao nosso jornal que estava a equacionar avançar com uma proposta, após ter perdido a direcção do espaço entre 2020 e 2023 para a empresa In Limitada, que, na altura, tinha apresentado a proposta com o valor mais baixo no concurso, na ordem das 15,2 milhões de patacas. A proposta da CUT para os três anos de exploração era de 34,8 milhões de patacas.

      Durante os próximos três anos, portanto, a equipa vai assegurar o funcionamento do cinema que está num edifício da Lista do Património Mundial, equilibrando orçamentos e ambições. “Nós também somos grandes apaixonados por cinema, por isso vamos aproveitar sempre que tivermos chance de trazer grandes filmes”. A directora da CUT falou de subidas de preços dos distribuidores de cinema, mas está confiante de conseguir contratos em pacotes de vários filmes, e tentar desse modo trazer boas selecções a Macau. “É um projecto que requer muita dedicação e paixão”, confessa.

      Para já, para que o funcionamento do Cinemateca funcione sem percalços, vai-se manter o pessoal necessário para que a operação do espaço decorra na normalidade. A directora louvou a sua equipa, que diz estar entusiasmada com a atribuição do contrato. “Demos o nosso melhor, para organizar o programa e planeamento, por isso a nossa equipa está muito satisfeita sobre o resultado do concurso, e sobre podermos voltar a ter esta responsabilidade”, confessou. Partilhando que a equipa é a mesma, com algumas mudanças porque “já foi há alguns anos e algumas mudaram de trabalho, o que é natural”, Rita Wong destacou a equipa de programação: “eles têm andado a trabalhar comigo com alguns curadores convidados há já algum tempo, e são meus parceiros há bastante tempo, com experiência prévia em actividades da CUT. É muito bom ter esta equipa”, reconheceu.

       

      APOIO AO CINEMA LOCAL É ESSENCIAL

       

      Na página oficial, que está temporariamente suspensa, a Cinemateca Paixão era descrita como “uma plataforma de intercâmbio entre o público e os cineastas” que “está empenhada em impulsionar a cultura da arte cinematográfica e a promoção de filmes locais no exterior, cultivando o sentido artístico da população de Macau e dos aficionados de cinema”. “Espera-se que residentes e visitantes possam aproveitar bem a Cinemateca e desfrutar de mais filmes de qualidade oriundos de várias partes do mundo”, lia-se no portal.

      Ao PONTO FINAL, Rita Wong insistiu em sublinhar o papel importante que aquela sala de cinema tem de apoio da criação de filmes local, para a história do cinema, e para o desenvolvimento da indústria do cinema de Macau. “Acredito que é mesmo essencial a Cinemateca continuar a apoiar a indústria local, fazer festivais ao longo do ano, apresentar os filmes e realizadores com tempo, e o conteúdo correcto, para que o público de Macau seja apresentado a estes filmes. É melhor para que mais pessoas tenham conhecimento da existência e valor destes filmes”, argumenta.  De resto, “não é nada fácil fazer estes filmes serem incluídos nos cinemas comerciais”, confessa.

       

      Perguntámos à directora da CUT, que foi testemunha da evolução do sector desde os tempos em que apenas havia o pequeno Cinema Cineteatro e o Cinema Alegria na península de Macau, até ao progressivo aparecimento de cinemas na Torre de Macau e depois nos vários espaços de lazer dos resorts integrados no COTAI, se considera positiva a existência de mais oferta em Macau. Rita confessou que ainda acha que a cidade, apesar de tudo, “não tem muitos cinemas”, mas que sem dúvida estes novos espaços trouxeram mais dinamismo ao sector. “Estes cinemas são sobretudo focados em filmes ‘blockbusters” e comerciais, por isso, para mim, é muito bom haver um espaço como a Cinemateca, que projecta os filmes ‘indie’, mais ‘edgy’, de vanguarda, e também os filmes locais”, destaca. E haverá público para este cinema dito “alternativo”? Rita Wong garante que sim, que há muitos jovens a querer vir assistir a este tipo de cinema. De acordo com a responsável, muitos destes jovens estudaram no estrangeiro, e quando estão em Macau gostam de ver novas coisas. “Da minha experiência anterior na Cinemateca, as pessoas estão interessadas em ver coisas novas e interessantes, mas tudo depende um pouco da forma como comunicamos com elas”, afirmou.