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      Início Cultura José Drummond apresenta duas instalações em colectivas na China

      José Drummond apresenta duas instalações em colectivas na China

      As obras foram colocadas à mercê do grande público em duas cidades distintas: Changsha, na província de Hunan, e Foshan, na província de Guangdong. Ambas criações de 2021, a primeira esteve patente por um mês até 16 de Janeiro e a segunda está agora em exibição até ao mês de Abril.

       

      “O Sonho da Câmara Vermelha” e “Quanto mais tentas esquecer, mais vais lembrar” são as duas propostas do artista português residente de Macau, José Drummond, com estúdio em Xangai.

      “O Sonho da Câmara Vermelha” esteve patente cerca de um mês até 16 de Janeiro no Museu Xie Zilong na cidade de Changsha, na província de Hunan. Trata-se de uma criação de 2021 que autor apresentou na colectiva “Retratando a Cidade • Interpretação” com curadoria de Tingxuan Yuan, Peggy Yu e Sun Qin.

      A instalação, explicou o autor em nota enviada ao nosso jornal, “sugere um templo pós-humano especulativo dentro de uma sala de cubo preto”. “A luz de néon vermelha na parede central é um labirinto fechado. É também um elemento híbrido com semelhanças com um microchip de computador e imagens de padrão chinês”, acrescentou Drummond.

      O autor sugere uma certa “ambiguidade” na peça que se estende pelo título em conjunto com um display de LED vermelho quase oculto na parede traseira com as palavras “假作真时真亦假,无为有处有还无” citadas do livro de Cao Xueqin, e traduzido como “a verdade torna-se ficção quando a ficção é verdadeira, o real torna-se não-real quando o irreal é real”. “Essa reflexão retrabalha a compreensão do que é o objecto, o sujeito, a casualidade, a emoção e a subjetividade. A paisagem sonora, criada com o ritmo natural dos batimentos cardíacos da Mãe Terra – conhecida como ‘Ressonância Schumann’, é uma frequência de 7,83 Hz. Essa frequência também é uma onda cerebral alfa/teta no cérebro humano que existe quando os humanos estão em um estado de espírito relaxado e sonhador – quando a regeneração e a cura das células acontecem”, explicou ainda o artista.

      “Quanto mais tentas esquecer, mais vais lembrar”, também uma criação de 2021, está patente em NanHai, na cidade de Foshan, na província de Guangdong, até dia 16 de Abril. A obra está inserida na colectiva “Espetáculo Simbiótico”, a segunda exposição de arte pública em Nan Hai com curadoria de Hu Bin.

      O ponto de partida deste projecto, explica José Drummond na mesma nota, remonta às antigas moedas de cobre chinesas onde um círculo externo e um quadrado interno sugerem ideias de flexibilidade e ordem como definição do mundo. “A peça, colocada no sítio específico, combina os conceitos do monólito e do jardim zen e incorpora e se mistura com o ambiente onde está inserida”, referiu o autor.

      Na verdade, acrescenta o português, “a instalação cria uma ausência no reflexo do monólito de aço inoxidável polido espelhado erguido a partir do quadrado dentro do círculo de pedras representando uma imagem imaterial do tempo”. Drummond acredita que o lugar “é um espaço para parar, contemplar, reflectir, respirar e confrontar uma dimensão negligenciada da nossa experiência”. “Uma coisa que podemos ter certeza é que a natureza e o tempo simplesmente não se importam com os nossos conceitos humanos de evolução, futuro, economia, fronteiras geográficas, edifícios, espaços públicos, internet e assim por diante, e esse é apenas o ponto”, admitiu.

       

      PONTO FINAL