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      Acessibilidade de cadeiras de rodas em edifícios antigos é inviável, reconhece IAS  

      Há cada vez mais idosos em Macau, e muitos destes residem em edifícios antigos de cinco andares sem elevadores, o que faz que tenham dificuldades em sair de casa. O deputado Zheng Anting quer que se melhorem as condições de acesso destes edifícios, com a instalação de plataformas ou escadas para cadeiras de rodas. No entanto, a representante do Instituto de Acção Social admitiu que tal não é viável, devido principalmente a limitações de construção e dificuldades de partilhas de despesas entre os condóminos. Hoi Va Pou diz que a solução encontrada, de aumento do pessoal de serviço de apoio domiciliário do IAS, para já, basta.

       

      O Instituto de Acção Social (IAS) é a entidade responsável pela prestação de serviços de apoio domiciliário aos idosos, tendo sido financiada através da Fundação Macau, recordou Zheng Anting, deputado da Associação dos Conterrâneos de Kong Mun de Macau. Preocupado com as necessidades crescentes e aumento do número de idosos, o deputado quis interpelar as autoridades sobre os resultados dos financiamentos à Caritas, e quais são as medidas a curto e longo prazo que esta entidade vai pôr em curso.

      Concretamente, o membro da Assembleia Legislativa quis saber se o Governo está a par da situação actual dos idosos que vivem em edifícios antigos de cinco andares, e se vão ser instaladas plataformas ou cadeiras de escadas nestes prédios. “Muitos idosos estão a viver em edifícios sem elevador, e a deparar-se com dificuldades na subida e descida das escadas”, referiu. “Segundo alguns deles, é muito difícil subir as escadas e transportar as cadeiras de rodas, pelo que são obrigados a não sair de casa durante muito tempo, o que afecta a sua qualidade de vida e a saúde física e mental. O Governo afirmou que tinha financiado as equipas de serviços de cuidados domiciliários e de apoio na aquisição de equipamentos, para ajudar alguns idosos a subir e a descer as escadas, mas, face ao agravamento do envelhecimento da população, ainda tem de analisar se estas equipas conseguem satisfazer as necessidades dos idosos, e empenhar-se na definição de estratégias mais claras”, apontou.

      Confirmando que o IAS está a par do assunto e a gerir a situação, a presidente substituta Hoi Va Pou esclareceu as dúvidas do deputado, demonstrando que “actualmente, os referidos serviços domiciliários são prestados a um total de cerca de 1.400 idosos com debilidade física e pessoas necessitadas”, e que a atribuição de apoio financeiro às equipas dos serviços de cuidados domiciliários integrados e de apoio, bem como dos serviços de cuidados de enfermagem no domicílio, permitiu que se atendesse a todas as necessidades dos idosos residentes nos edifícios antigos e com mobilidade reduzida, asseverou a responsável.

      Hoi Va Pou aproveitou ainda para enumerar os diversos serviços prestados, como o apoio domiciliário na vida, cuidados de enfermagem, ou terapia de reabilitação, havendo ainda o serviço de apoio na subida e descida das escadas e nas deslocações ao exterior. Este apoio, destacou, “serve principalmente para auxiliar os idosos nas deslocações às instituições médicas, na participação nas actividades de lazer, recreativas e comunitárias e no tratamento de assuntos pessoais”.

      Face ao aumento crescente do número de idosos, a representante do IAS aproveitou para referir que nos últimos anos aquele instituto tem vindo a reforçar as equipas, tendo criado “ainda este ano, mais uma equipa de cuidados domiciliários integrados e de apoio”, aumentando o número de equipas prestadoras desses serviços para sete, “para que um maior número de idosos necessitados possa beneficiar dos serviços em causa”, garantiu.

      Quanto à problemática da falta de acessibilidade dos edifícios antigos, e a almejada instalação de equipamentos de elevadores, plataformas de escadas, ou de escadas para cadeiras de rodas, a responsável reconhece que, no caso de Macau, esta é uma iniciativa praticamente impossível de pôr em marcha. Os principais entraves, admite, são a própria falta de condições dos edifícios, e também as dificuldades em chegar a um comum acordo entre todos os condóminos. “Relativamente à instalação, em edifícios antigos, de equipamentos automáticos para subir e descer as escadas, a concretização dessa iniciativa depende muitas vezes das condições dos próprios edifícios e da vontade comum dos condomínios, sendo pouco o número de casos em que foi concretizada efectivamente tal pretensão, devido a inúmeras limitações quanto às condições de construção e à partilha de despesas”.

       

      1.800 FRACÇÕES NÃO CHEGAM

       

      Para contornar a situação, estão a ser construídos edifícios residenciais para idosos com 1.800 fracções habitacionais que vão ser disponibilizadas em 2024, “no intuito de apoiar, prioritariamente, os idosos que vivem nos edifícios antigos e que têm condições económicas para neles residir, proporcionando-lhes mais uma opção que lhes permite melhorar o ambiente habitacional e optimizar as condições de locomoção”, avançou ainda a presidente substituta do IAS. Para o deputado, que também na sua interpelação tinha referido a iniciativa “que merece o nosso aplauso”, as “apenas” 1.800 fracções são insuficientes.

      Para os restantes idosos que não têm outra escolha senão a de continuarem a residir nos edifícios sem acessibilidade fácil, a solução encontrada pelas autoridades, para já, é a de continuar a investir no serviço de apoio domiciliário. Hoi Va Pou prometeu ao deputado que “o Governo da RAEM irá acompanhar, de modo contínuo, a situação de execução das medidas de apoio à deslocação dos idosos que vivem nos edifícios antigos e, em simultâneo, avaliar, de modo atempado, a evolução do fenómeno de envelhecimento demográfico de Macau e a situação real da sociedade, bem como optimizar os respectivos trabalhos”.

      A responsável do IAS recordou ainda os dados do serviço prestado pela Cáritas. “Desde 2019, a Fundação de Macau tem apoiado, financeiramente, os serviços de apoio para deslocação da Cáritas de Macau, tendo estes serviços sido utilizados 15.901 vezes no período compreendido entre 2019 e 7 de Julho de 2023”, com um contínuo aumento anual do número de utilizadores, apontou. “Os serviços são prestados a pessoas de diferentes idades, entre os 11 e os 101 anos de idade, embora a maior parte dos utilizadores sejam idosos, pois 869 utilizadores têm idade superior a 60 anos, representando cerca de 92% dos utilizadores. Os principais objectivos das deslocações referem-se a “cuidados de saúde” (cerca de 73%) e “lazer e associativos” (cerca de 19%)”, esclareceu. Estes serviços “satisfazem diferentes necessidades de deslocação de idosos e outros com necessidade, entre o local de residência e vários locais, permitindo aos utilizadores conviver mais em comunidade, como forma de proporcionar uma vida social saudável e de melhor qualidade”, reiterou.