IC planeia tornar Rua da Felicidade e áreas circundantes numa zona pedonal permanente

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A Rua da Felicidade e as suas imediações podem vir a ser mais uma zona pedonal em Macau, que será exclusiva para peões durante todo o dia, excepto durante a madrugada. O Instituto Cultural entende que a zona da Rua da Felicidade tem um “rico conteúdo histórico e cultural” e espera que o projecto contribua para a revitalização deste bairro antigo e desviar o fluxo de turistas do Largo do Senado. Sem calendário para o arranque, o organismo assegura que a iniciativa não vai causar grande impacto no trânsito.

 

O Instituto Cultural (IC) apresentou ontem o novo plano do Bairro de Peões da Rua da Felicidade, pretendendo estabelecer uma zona pedonal, de natureza permanente, compreendida entre a Rua da Felicidade, a Travessa do Mastro, a Travessa do Aterro Novo, a Rua do Matapau e a Travessa de Hó Lo Quai, onde o trânsito será substituído pela circulação pedonal entre a parte da manhã e a parte da noite. Entre a madrugada e parte da manhã será disponibilizada a circulação rodoviária.

De acordo com Leong Wai Man, presidente do IC, o plano tem como núcleo a Rua da Felicidade, “no sentido de explorar, expandir e integrar os recursos culturais das ruas envolventes”. Além disso, o projecto fará ligação com o núcleo turístico das áreas como a Avenida de Almeida Ribeiro, o Largo do Senado, o Largo de Santo Agostinho, entre outros locais circundantes com edifícios classificados, onde se verifica sempre um maior fluxo de visitantes e residentes, procurando “enriquecer o ambiente cultural e turísticos” da Rua da Felicidade e “impulsionar a vitalidade geral do bairro”.

O plano fez parte da agenda de discussão na reunião de ontem do Conselho Consultivo para o Desenvolvimento Cultural, cujos vogais manifestaram-se favoráveis à proposta. À margem da reunião, Leong Wai Man disse aos jornalistas que a ideia surgiu após a experiência da zona exclusiva para peões na Avenida de Almeida Ribeiro, pelo que o organismo procedeu aos estudos, tendo também comunicado com o Instituto para os Assuntos Municipais, o Corpo de Polícia de Segurança Pública e a Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT), que consideram “ter condições” para avançar com o projecto.

Entretanto, o IC não adiantou um calendário para o arranque, nem orçamento para o plano, mas julgou que “não vai envolver grande custo para o encerramento das ruas”, frisando que não sabe para já o orçamento para outras possíveis actividades no local.

“A Rua da Felicidade, localizada no centro da cidade, é uma via antiga da Península de Macau. As ruas circundantes são ricas em recursos culturais, concentradas e com características próprias”, salientou. Leong Wai Man destacou assim que a zona pode proporcionar “uma plataforma para as indústrias culturais e criativas e espectáculos artísticos”, e o seu ambiente comercial pode ser melhorado.

A responsável assinalou que a zona tem um rico conteúdo em termos de história e cultura e os seus conjuntos arquitectónicos apresentam carácter único. “Não há outros lugares que possuam cerca de 70 edificações semelhantes, com tijolos cinzentos, que representam a arquitectura de Lingnan”, realçou.

Em 2014 as autoridades lançaram o plano de reparação dos edifícios desta zona histórica. Leong Wai Man lamentou que o efeito daquele plano não foi satisfatório, portanto, espera que mais titulares dessas propriedades privadas tenham vontade de realizar reparações no futuro. Indicou ainda que há disponibilidade do IC para prestar apoio nas obras de restauro de fachadas, janelas e telhados das construções.

Quanto à eventual participação por parte das concessionárias, o IC disse que o Governo vai desempenhar o papel de liderança no projecto e é bem-vindo o apoio das operadoras de jogo.

Por outro lado, Leong Wai Man apontou que a respectiva zona não regista grande circulação de veículos, e apenas os condutores que conhecem bem Macau vão passar pelas vias rodoviárias da zona. Afastou, desse modo, a possibilidade de impactos no trânsito após a implementação do plano, tendo a DSAT opinado que o plano “é viável”, e “não é possível acontecer congestionamento de tráfego como no anterior encerramento da Avenida de Almeida Ribeiro”.