Um ramo de árvore de pinheiro a preencher uma gigantesca série de painéis com ao todo 22 metros de comprimento, e várias outras obras de fotografia impressa em papel de arroz da autoria de Season Lao estão expostas no Museu de Artes Asiáticas de Nice. A mostra a solo de 40 obras do artista de Macau intitula-se “Um espaço vazio tornado branco para a Iluminação” e pretende mostrar como o espaço vazio nas obras artísticas, e o próprio espaço circundante às obras, fazem parte da experiência artística. Season Lao defende que arte é uma porta para um “espaço profundo e misterioso”, em que conseguimos “respirar e sentir a beleza do pulsar primordial da vida”.
Mais de 40 obras do artista Season Lao estão expostas no Museu de Artes Asiáticas de Nice, em França, sob o nome “Um espaço vazio tornado branco para a Iluminação”. A prestigiosa exposição a solo do artista de Macau coincide com o 25.º aniversário do museu, que foi concebido pelo já falecido arquitecto japonês Tange Kenzo. Season Lao, que vive em Quioto, no Japão, é conhecido pela estética depurada das suas obras, com espaços em branco preenchidos por fenómenos naturais como neve ou névoa. Na sua página lê-se que as “suas instalações artísticas dissolvem as fronteiras entre espectador e objecto artístico, redefinindo a relação entre objecto e sujeito.”
Patentes no museu durante 6 meses, de Maio a Novembro, as 40 obras de Season Lao, que fundem fotografia e impressão em papel de arroz, incluem a série “Lótus” anteriormente exposta em Macau, e em diversos pontos do mundo. Nesta série, é possível ver várias paisagens de pés de lótus secos espalhados de forma parcimoniosa num fundo branco. A grande estrela da exposição é, no entanto, “Árvores de pinheiro de inverno em paisagem em forma crescente”, numa estreia da obra de grande escala em França: composta por painéis de ao todo 22 metros de comprimento, nesta impressionante instalação de Season Lao pode-se ver um ramo de árvore de pinheiro a atravessar estes enormes painéis.
Por ocasião do lançamento da exposição a solo em Nice, Season Lao defendeu que “a arte não deve enfatizar a superioridade dos materiais e das técnicas”. Para o fotógrafo e artista plástico, o mais importante é “desenvolver plataformas artísticas que convidem os espectadores a entrar num espaço profundo e misterioso, e respirar e sentir a beleza do pulsar primordial da vida”.
A concepção estética de Season Lao implica que o prazer estético resida na simplicidade e no recurso ao etéreo. “A simplicidade visual e a quietude sonora criam uma atmosfera pura e calma, permitindo que a imaginação corra solta. Esta experiência artística alternativa lembra-nos o regresso à pureza orgânica e a procura da essência da arte. É isso que a arte é”, explicou o artista.
Nascido em Macau em 1987, Season Lao licenciou-se pela Universidade Politécnica de Macau. Na biografia da sua página lê-se que “quando tinha vinte e poucos anos, na altura em que Macau foi transferida de Portugal para a China, uma colecção das suas obras atraiu a atenção do público, o que levou ao cancelamento da demolição de um conjunto de edifícios históricos, incluindo a sua casa ancestral. Foi este incidente que o inspirou a avançar com os seus projectos artísticos”. Através de um encontro fortuito em Hokkaido, o artista estabeleceu uma base no Japão e, desde então, tem exposto as suas obras tanto a nível nacional como internacional. As suas obras são coleccionadas por instituições como o Museu de Arte de Macau, o Museu de Artes Asiáticas de Nice, o Hotel Ritz-Carlton, o Setsu Niseko, o Aya Niseko, o hotel Nipponia Mino Shokamachi, e estão incluídas em colecções privadas no Japão, Coreia, China, EUA, Itália, Suíça, Singapura, Taiwan, Hong Kong e Macau.












