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      InícioOpiniãoA paixão pelo Sumo

      A paixão pelo Sumo

      Nos meus tempos livres, tenho por aqui explorado diversos desportos que, confesso, jamais imaginei que me pudessem despertar interesse ou algum entusiasmo. Um deles é o Sumo, o desporto nacional do Japão (o basebol vem depois a larga distância…), com uma importância histórica e cultural incomparável, remontando aos tempos antigos do xintoísmo e sendo originalmente praticado pelos guerreiros samurais.

      Decidi embarcar numa experiência fantástica: um dia de combates de Sumo, com lotação esgotada há meses, em Tóquio. As bancadas repletas de pessoas de todas as idades, em constante festa, mas simultaneamente demonstrando um profundo respeito por aqueles dois homens que me pareciam gigantes no tamanho. O Sumo é caracterizado por uma grande variedade de técnicas e movimentos específicos. Os lutadores, ou rikishi, competem num ringue circular de terra, conhecido como dohyo, com o objetivo de empurrar o adversário para fora do ringue ou derrubá-lo no chão. A luta é rápida e intensa, com um foco imenso na força, resistência e agilidade dos lutadores (apesar de parecerem pesados, são super-ágeis).

      Um dos aspetos fascinantes é a sua estreita ligação com a cultura e as tradições nipónicas. Desde a música tocada durante as lutas até às cerimónias de entrada de cada um dos lutadores, cada detalhe do Sumo tem um profundo significado cultural e espiritual. Além disso, cada rikishi é avaliado e promovido com base no seu desempenho nas competições, tornando este desporto altamente competitivo e exigente.

      Contudo, para além dos aspetos culturais, percebi que o Sumo desempenha um (muito) importante papel social no Japão. Ao longo dos séculos, tem sido um desporto acessível a todas as classes sociais, contando com uma base de fãs leais que acompanham as competições por todo o país, como pude constatar. Um meio pelo qual o povo japonês se conecta com as suas tradições e aprecia um desporto que, diria eu, beira a arte e faz parte da vida do país.

      Uma última nota: tive oportunidade de me cruzar recentemente com um lutador de Sumo num restaurante em Tóquio e, sem dúvida, confirmando o que aqui refiro, foi incrível ver o estatuto e a admiração que desfruta… a sua presença “enchia” o lugar, como se de uma divindade prestes a ser venerada se tratasse. Para um japonês, o orgulho de todo um povo, o verdadeiro significado de uma tradição. Quanto a mim, gaijin, humildemente continuarei a partilhar convosco mais histórias sobre as fascinantes tradições enraizadas dos rikishi.

      Vítor Sereno

      Diplomata

      Texto originalmente publicado no Diário As Beiras