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      Mais de 90% dos trabalhadores ganham o mesmo ou menos do que no ano passado

       

      Os resultados de um inquérito promovido pela Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) mostram que a grande maioria dos trabalhadores não teve qualquer aumento no último ano ou até ganha menos. Aliás, mais de 70% dos trabalhadores não recebem aumentos há pelo menos dois anos.

       

      A Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) realizou um inquérito a 435 trabalhadores locais, dos quais mais de 90% indicaram que têm um salário menor ou igual ao do ano passado. Além disso, os resultados do inquérito, citados pelo jornal Ou Mun, também mostram que 70% dos trabalhadores não recebem aumentos salariais há pelo menos dois anos.

      Recorde-se de que, no primeiro trimestre deste ano, a mediana do rendimento mensal da população empregada subiu para as 17 mil patacas. No final do ano passado, a mediana salarial era de 15.600 patacas.

      Por outro lado, o inquérito também revela que cerca de 70% dos trabalhadores trabalham mais de oito horas por dia. De destacar também que metade dos trabalhadores inquiridos diz estar tenso no trabalho.

      No que toca ao ambiente de trabalho, cerca de 65% consideram que a mobilidade ascendente e a margem de desenvolvimento laboral nos seus sectores não é suficiente; mais de 75% afirmam que os seus empregos não proporcionaram cursos de formação profissional no último ano.

      Os trabalhadores também se mostram preocupados com o número de trabalhadores não residentes. Segundo os dados do inquérito, cerca de 50% dos trabalhadores estimam que o número de trabalhadores não residentes representa mais de 30% do número total de trabalhadores no seu local de trabalho e mais de 40% consideram que a situação de emprego está a ser influenciada pela mão-de-obra importada.

      No final de Abril deste ano, o número de trabalhadores não residentes em Macau era de 158.202 pessoas, verificando-se aumentos em todos os meses desde o início de 2023, ficando, contudo, aquém do registo do passado. Por exemplo, em Abril de 2022, o número de não residentes era 166.611 e em Abril de 2019, antes da pandemia, os portadores de ‘bluecard’ eram 190.136.

      O inquérito da FAOM revelou também que cerca de 20% dos inquiridos têm a vontade de mudar de emprego ou de posição; 30% planeiam inscrever-se em cursos de formação e mais de metade planeiam inscrever-se em cursos relacionados com o seu emprego.

      Em termos de expectativas de emprego, 50% ou mais esperam que o Governo melhore as leis e os regulamentos relativos às relações laborais – por exemplo, que aumente o número de dias de férias anuais e o número de dias de licença de maternidade, por exemplo – , que aumente o salário mínimo, que proporcione mais formação remunerada e melhore a segurança no trabalho e a protecção da saúde, etc.

      Tendo em conta as expectativas dos trabalhadores, a FAOM diz que “o Governo deve iniciar rapidamente uma revisão global da legislação laboral, em especial, ajustando e melhorando os sistemas e mecanismos de férias anuais, licença de maternidade, indemnização por rescisão e recuperação de salários em atraso”. A associação diz também que deve ser implementado um rácio entre trabalhadores locais e não residentes.