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      Arquivos do Templo Kong Tac Lam incluídos na lista de Memória do Mundo da UNESCO

      Os arquivos e manuscritos do Templo Kong Tac Lam de Macau, a primeira faculdade budista feminina no Sul da China, foram uma das 64 novas inscrições classificadas pela UNESCO no seu programa de Memória do Mundo. De acordo com a UNESCO, esta colecção documental do templo de Macau, datada de 1645 a 1980,desempenha um papel importante na reforma e promoção do estado social das mulheres. O Instituto Cultural de Macau felicitou a classificação, salientando que o Governo atribui grande importância à protecção dos recursos culturais.

       

      A Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) anunciou na semana passada a inclusão de 64 colecções documentais no programa Registo de Memória do Mundo (Internacional) e, entre elas, estão os arquivos e manuscritos do Templo Kong Tac Lam de Macau (1645-1980). Esta é a segunda vez que os documentos deste templo obtêm a classificação em listas do género, depois de terem passado a integrar o Registo de Memória do Mundo da região Ásia-Pacífico, em 2016.

      Numa mensagem de felicitação da UNESCO, o vice-presidente do Comité Consultivo Internacional da Memória do Mundo, Papa Diop, destacou que os critérios são rigorosos para a avaliação dos projectos apresentados pelos países, incluindo a autenticidade e integridade, significado mundial, valor universal e entre os outros.

      “Os arquivos e manuscritos do Templo Kong Tac Lam de Macau não apenas atendem aos critérios da UNESCO, mas também desempenharam um papel importante na promoção do estado e dos múltiplos papéis das mulheres na sociedade humana”, enalteceu.

      Segundo a UNESCO, as heranças documentais em questão reflectem que os mestres do Templo Kong Tac Lam forneceram educação gratuita para mulheres através da criação da faculdade budista, tendo uma influência de longo alcance na abolição da tradição dos pés de lótus”. O responsável deu reconhecimento à importância dos conteúdos da colecção e aos trabalhos realizados em Macau na promoção da protecção e aproveitamento da memória mundial e do património documental.

      O Templo Kong Tac Lam de Macau, que se situa na Rua de São José, foi fundado em 1924, sendo a primeira faculdade budista feminina na área Lingnan, no Sul da China, bem como uma escola gratuita para mulheres. A mulher de Sir Robert Ho Tung, Cheung Lin Kok, também foi uma das gestoras do templo.

      A colecção, datada do final da dinastia Ming até meados do século XX, compreende mais de 6.600 volumes de arquivos e manuscritos em 2.300 títulos, livros raros, escrituras de Bayeux, fotos antigas e pinturas, criados e acumulados por mestres e intelectuais ligados ao templo, como resultado das suas actividades educativas e culturais particularmente para mulheres em Macau, na China Continental e as regiões vizinhas.

      “Um importante património documental de Macau, colecçãoque testemunha o papel único e extraordinário do templo na divulgação do ensino e da ideologia budista para as mulheres em Macau, na China e nos países vizinhos, bem como na promoção de mudanças e reformas sociais, especialmente na libertação e elevação do estado social das mulheres”, descreve a UNESCO.

      Por sua vez, a presidente do Instituto Cultural de Macau também saudou a inclusão do projecto de Macau na lista. Citada pelo Jornal Ou Mun, Leong Wai Man reiterou que as autoridades e organizações locais prestam alta importância à protecção dos recursos culturais, e a integração na lista promove ainda mais o desenvolvimento interactivo entre Macau e o programa da Memória do Mundo da UNESCO.

      Leong Wai Man acredita que estes materiais históricos preservados em Macau destacam o importante papel de Macau no processo de civilização chinesa, bem como o importante valor da igualdade de direitos das mulheres na comunidade internacional. “Espera-se que o valor e o papel destes preciosos recursos possam ser melhor utilizados para promover o desenvolvimento, inovação, intercâmbios e cooperação da cultura em Macau”, assinalou.

      Recorde-se que o programa da Memória do Mundo foi criado pela UNESCO em 1992, visando prevenir a perda irrevogável do património documental, quer seja em papel, audiovisual, digital ou em qualquer outra forma, salvaguardando assim as colecções de documentos de valor significativo e torná-las mais acessíveis ao público.

      Depois da aprovação de mais 64 itens na lista na reunião em Paris na semana passada, o número total de colecções internacionais registadas aumentou assim para 494 itens. Este ano foram integrados ainda os documentos, submetidos em conjunto por Portugal e por Espanha, sobre a Primeira Viagem de Circunavegação (1519-1522).